Artistas são gente como a gente
Não sei como reagiria se me encontrasse pessoalmente com Laura Cardoso, a quem aprendi a admirar vendo seu trabalho na TV
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É estranho como reagimos diante de acontecimentos naturais da vida que ocorrem com pessoas que nem conhecemos pessoalmente, mas que acabam fazendo parte da nossa vida porque crescemos vendo nas novelas, nos programas de TV, em filmes, e aprendemos a admirar.
E também me chama a atenção como nos comportamos quando nos encontramos pessoalmente com essas pessoas. Estou falando isso porque ontem, quando vi a notícia da morte da atriz Laura Cardoso, fiquei triste, mas uma tristeza tranquila, por saber que ela viveu muito e partiu tranquilamente, em sua casa, e por ela ter trabalhado muito, até o fim da vida. Sua última novela foi em 2019 (“Dona do pedaço”) e o último filme, “Dona Rosinha”, do ano passado.
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Que vida boa, ativa, produtiva. E a imagem que ela passava era de ser uma pessoa muito bacana. Ela era muito fofa. Nunca a vi pessoalmente e não sei como eu reagiria se a encontrasse um dia, mas, provavelmente, não chegaria perto, porque, em outras situações semelhantes, sempre fiquei muito tímida e me afastava.
Há anos, estava almoçando no Othon Palace – alguém se lembra? – com um namorado que tinha na época e que era muito entrão, quando chega Fernanda Montenegro com mais duas pessoas, provavelmente o empresário e a produtora. Fiquei de longe, admirada, olhando sua elegância. O namorado foi logo levantando para pedir autógrafo. Pedi que não fizesse aquilo, mas ele foi e ouviu, de forma muito educada, um pedido da parte dela para que esperasse terminar o almoço.
Ele voltou indignado (acho que ele pensava que era o dono do mundo) falando que ela era metida. Eu aleguei que ela simplesmente queria o direito de almoçar tranquilamente em vez de deixar o prato esfriando enquanto assinava um papel para um desconhecido. O que eu ia fazer com um autógrafo? Provavelmente, esse papel se perderia no meio das minhas coisas. Sentada estava, sentada continuei, morrendo de vergonha. Vergonha alheia.
Outra vez foi quando Milton Nascimento fez um show aqui e tinha como convidado especial James Taylor, que eu também admiro demais. Depois do show, eu e uns amigos fomos jantar no extinto Chico Mineiro e não é que logo depois chegaram os dois com uma turma e entraram no restaurante. Eu quase perdi o fôlego. Remo Peluso queria que eu fosse lá tirar foto com ele. Pensa, jamais, minha timidez não permite. Dessa eu me arrependi.
Quando Hebe Camargo veio apresentar o programa dela aqui, eu e minha amiga Angela Valente ficamos encarregadas, a pedido do meu irmão Camilo, que na época era o diretor-geral da TV Alterosa, de anfitrioná-la. E ela quebra qualquer timidez. Que pessoa encantadora, simples, simpática, divertida, engraçada, educada. Só um caso para vocês verem como era a Hebe.
A TV Alterosa ofereceu um jantar para ela no saudoso Vecchio Sogno. Tudo lindo e perfeito. Os profissionais servindo no maior profissionalismo. Na hora da sobremesa, eles mandaram um petit gateau em um prato enfeitado onde escreveram com calda de chocolate “Hebe, nós te amamos”. Ela ficou enlouquecida. Levantou, fez questão de ir na cozinha, agradeceu a todos, cumprimentou um por um e tirou fotos com eles. Os cozinheiros e garçons ficaram encantados com tamanha simplicidade e simpatia. E era visível que esse era o verdadeiro eu da Hebe, e não uma atitude para aparecer para a imprensa.
Artistas e apresentadores são gente como a gente, que, por questão de profissão, ficaram conhecidos.
Fui convidada para a festa de 50 anos da Arezzo no Copacabana Palace. O que não faltava ali eram famosos, e fiquei impressionada com a simpatia e a simplicidade de Sabrina Sato e Agatha Moreira, e mais ainda a de Sheron Menezzes, essa então se misturou com os convidados “comuns” e curtiu com a gente o show de Ivete Sangalo, dançando a valer.
Algumas celebrities não entendem isso, mas quem entende a gente percebe, mesmo à distância, e isso nos cativa. Hebe era assim, Laura Cardoso era assim, a nossa dama maior, Fernanda Montenegro, é assim e outros tantos. Que bom.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
