Hoje em dia, muita gente reluta em dar festa em casa
Mudança de comportamento revela transformações sociais, econômicas e culturais do mundo atual. É uma pena, pois festas em casa fortalecem laços afetivos
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Durante muito tempo, dar festa em casa foi sinônimo de alegria, convivência e celebração. Aniversários, datas comemorativas e simples encontros entre amigos transformavam salas, jardins e áreas externas em espaços de confraternização. Porém, atualmente, muitas pessoas relutam em abrir as portas para festejar.
Essa mudança de comportamento revela transformações sociais, econômicas e culturais do mundo atual. Pode-se dizer que um dos motivos principais é o custo financeiro. Organizar uma festa envolve gastos com bufê, bebida, decoração e limpeza. Quem gosta de receber acaba optando por alugar um salão – e aí cai por terra a questão financeira, pois aluguéis são onerosos.
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Há um outro motivo: a vida corrida. A maioria das pessoas trabalha muito, com poucas horas livres. Preparar a casa para receber convidados e lidar com a organização exige tempo, energia e disposição. No dia da festa não dá para trabalhar, é preciso estar em casa para coordenar tudo, orientar a decoração, colocar a mesa, etc. Depois da festa, ainda restam o cansaço e a tarefa de arrumar tudo novamente.
Outro fator pode ser a busca crescente por privacidade. Nestes tempos de redes sociais e exposição constante, a casa passou a ser um refúgio. Convidar muitas pessoas significa abrir o espaço íntimo para olhares diversos. E que olhares... É um tal de observar tudo e de querer saber, nem que seja na imaginação, o preço pago por isso ou aquilo.
Se o anfitrião mora em apartamento, ainda há a preocupação de incomodar os vizinhos com o barulho.
Na época do saudoso colunista social Eduardo Couri, de quem a turma jovem nunca deve ter ouvido falar, a sociedade belo-horizontina abria a casa para grandes festas em prol dos eventos beneficentes que ele promovia. Eram lindas, animadas, bem-frequentadas.
Infelizmente, ouvi vários relatos de anfitriões que tiveram itens roubados, como talhares de prata, pequenos adornos e até, pasmem, toalhas de lavabo com monograma do casal.
Hoje em dia, muitos preferem ir a bares e restaurantes com os amigos. A conta, geralmente, é dividida, ou quem convidou banca a noite. Assim, a casa deixa de ser o principal cenário de celebrações, o que traz perdas simbólicas.
Festas em casa fortalecem laços afetivos, criam memórias únicas, valorizam a simplicidade e o contato mais próximo entre as pessoas. Quando eventos ocorrem em lugares impessoais, parte dessa convivência se enfraquece. Nem sempre é preciso dar uma festa grande ou sofisticada. Pequenos encontros, com poucos convidados, podem resgatar esse hábito. Assim, a casa volta a ser espaço de união e afeto.
Dá trabalho receber em casa. Passamos semanas pensando em como decorar o ambiente, como montar a mesa. No dia, o anfitrião abre mão de tudo para cuidar de cada detalhe. E nem sempre toda essa dedicação é valorizada pelos convidados. Enquanto alguns chegam, observam e elogiam a beleza e o cuidado com que são recebidos, outros não reparam em nada. Se reparam, são incapazes de elogiar, o que é pior.
Mas assim é a vida. Ao observarmos comportamentos, vamos fazendo a triagem dos amigos sinceros, o que é mais difícil em ambientes impessoais.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
