Após retorno a 2.200 °C, escudo térmico da Orion passa por análise da NASA: comparação dos danos entre Artemis II e Artemis I revela uma diferença expressiva
Após ajustes cruciais na trajetória, a cápsula Orion superou as expectativas e garantiu um retorno seguro com dez vezes menos danos estruturais
compartilhe
O escudo térmico da cápsula Orion garantiu o regresso seguro dos quatro astronautas da missão Artemis II. Segundo balanço divulgado pela NASA em 15 de outubro, a estrutura apresentou dez vezes menos fissuras e perdas de material no retorno em abril de 2026, quando comparada ao voo não tripulado de 2022.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
A proteção em semiesfera evitou a desintegração do veículo durante a reentrada atmosférica. O equipamento protegeu os norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen, após a viagem ao redor da Lua.
Leia Mais
'Pilotando uma bola de fogo': como os astronautas da Artemis 2 voltarão para a Terra
Astronautas da Artemis II voltam a conviver com a gravidade e elogiam nave
Por que a Orion da Artemis II parece uma 'gambiarra' cheia de tubos?
Ajuste de rota evitou adiamento da missão
Na Artemis I, a peça retornou coberta de cavidades. O material utilizado, chamado avcoat, descende das cápsulas Apollo e se consome de forma gradual para absorver o calor. Em dezembro de 2024, engenheiros identificaram a falha: a baixa permeabilidade retinha os gases gerados pela queima, provocando o rompimento da camada protetora.
Como o escudo de Artemis II já estava fixado na cápsula, produzir um novo adiaria a viagem em pelo menos 18 meses. A agência espacial optou por encurtar o trajeto até o pouso no oceano Pacífico: a cápsula realizou um salto atmosférico menor para reduzir o tempo exposta à faixa crítica de temperatura.
Resultados da reentrada atmosférica
A manobra surtiu efeito na descida de 10 de abril. Orion suportou temperaturas de 2.200 °C a 39 vezes a velocidade do som, mantendo a cabine em 24 °C. Dos 186 blocos de avcoat instalados, apenas nove áreas sofreram perda de material, frente aos 103 danos observados na missão precedente.
A parte traseira da cápsula, coberta por 1.300 placas de cerâmica, não sofreu superaquecimento nas janelas ou na escotilha. A nave atingiu a atmosfera a menos de 60 metros do alvo e desceu a menos de um quilômetro do ponto programado, próximo a San Diego.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Técnicos continuam a comparar medições a laser e amostras recolhidas desde agosto para calcular o desgaste total do material. Para a Artemis III, marcada para 2027 em órbita baixa, a equipe já fixou no Centro Kennedy, na Flórida, placas de avcoat mais uniformes e permeáveis. O voo reunirá Randy Bresnik, Frank Rubio, Andre Douglas e o europeu Luca Parmitano em manobras com protótipos de pouso da Blue Origin e da SpaceX, antes da descida na Lua prevista para 2028 na Artemis IV.