Parada cardíaca aos 30 anos: entenda a morte de jogador de futebol espanhol
Atacante recebeu atendimento de emergência ainda em campo; cardiologista explica o que é a commotio cordis e a importância da reanimação imediata
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A morte do atacante Jesús de Miguel, do Tenerife, confirmada pelo clube nesta terça-feira (3/11), após uma colisão com o goleiro adversário durante uma partida na Espanha, trouxe à discussão uma emergência rara: a commotio cordis. O jogador sofreu uma parada cardíaca e recebeu atendimento de reanimação. A causa médica da morte, porém, não foi esclarecida no comunicado oficial do clube.
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Segundo o cardiologista Augusto Vilela, a sequência do impacto no tórax seguido de colapso pode levantar essa hipótese, mas não permite confirmar o diagnóstico à distância. “Uma colisão seguida de parada cardíaca exige investigação. A commotio cordis é uma possibilidade, mas imagens de uma partida não substituem os registros do atendimento, os exames e a avaliação da equipe responsável”, ressalta.
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Como um golpe no peito pode causar uma parada cardíaca?
A commotio cordis acontece quando um impacto sobre a região do coração coincide com um instante de maior vulnerabilidade elétrica do órgão. Isso pode desencadear fibrilação ventricular, uma arritmia em que o coração perde a capacidade de bombear sangue de forma eficaz. A pessoa pode perder a consciência e cair em poucos segundos.
“O coração funciona com impulsos elétricos organizados. Em circunstâncias muito específicas, um golpe no peito pode desorganizar esses impulsos, gerar arritmia grave e interromper a circulação, mesmo em alguém sem doença cardíaca conhecida”, explica Vilela.
O mecanismo é diferente de uma contusão cardíaca, na qual o trauma provoca lesão na estrutura do coração. Também não equivale a um infarto, geralmente relacionado à obstrução de uma artéria coronária. Essa distinção ajuda a explicar por que um atleta aparentemente saudável pode apresentar uma emergência após um impacto.
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Atendimento precisa ser imediato
O reconhecimento da parada, o início das compressões torácicas e o acesso rápido a um desfibrilador externo automático (DEA), aumentam as chances de sobrevivência. O aparelho analisa o ritmo e orienta a aplicação de choque quando necessário.
“Quando alguém cai, não responde e não respira normalmente, é preciso agir. Acionar o socorro, iniciar compressões e buscar um desfibrilador são medidas que podem salvar uma vida”, orienta o cardiologista.
Mesmo quando a circulação é restabelecida, o paciente precisa de cuidados intensivos. A interrupção do fluxo sanguíneo pode comprometer o cérebro e outros órgãos. Essa explicação geral não permite concluir o que determinou a evolução do jogador.
Como em uma emergência cardíaca?
Se um adulto estiver inconsciente e não respirar normalmente, inclusive quando apresentar apenas suspiros espaçados, é importante pedir ajuda imediatamente. A seguir, Augusto lista as orientações:
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- Acione o Samu pelo 192 e solicite um DEA
- Inicie compressões no centro do peito, fortes e rápidas, a uma frequência de 100 a 120 por minuto
- Ligue o desfibrilador assim que disponível e siga suas instruções
- Continue a reanimação conforme as orientações da central de emergência e do aparelho até a equipe assumir
Para o médico, o caso reforça a necessidade de planos de resposta a emergências, treinamento em reanimação e desfibriladores acessíveis em locais de prática esportiva. “Ter um desfibrilador disponível precisa vir acompanhado de pessoas preparadas para reconhecer a emergência e usá-lo rapidamente. Essa preparação deve fazer parte da rotina dos espaços esportivos”, afirma.