Depressão pós-parto pode começar ainda na gravidez: entenda os impactos
Tratamento da depressão na gestação pode influenciar o desenvolvimento cerebral do bebê em área relacionada à memória, aprendizagem e regulação emocional
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A depressão costuma ser associada ao período depois do nascimento do bebê. Mas os primeiros sintomas podem aparecer ainda durante a gravidez e continuar no pós-parto. Tristeza persistente, irritabilidade, culpa e exaustão emocional nem sempre recebem a atenção necessária nessa fase.
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Segundo Rafaela Schiavo, psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline, muitas mulheres chegam ao pós-parto com sintomas que já estavam presentes antes do nascimento da criança. Essas manifestações podem ser confundidas com mudanças emocionais esperadas da gestação, o que atrasa a busca por ajuda.
“Grande parte das mulheres que apresentam problemas de saúde mental no puerpério já estava apresentando sinais desde a gestação. Se a gente começasse a cuidar da saúde mental das mulheres nesse período, diminuiria muito as chances de esses problemas se manterem ou se agravarem no pós-parto”, afirma.
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Um estudo, publicado em outubro de 2026 na revista científica Nature, reforça a importância do cuidado durante a gravidez. A pesquisa acompanhou 109 bebês de mulheres que participaram de um estudo clínico sobre tratamento da depressão na gestação, com 234 participantes.
As gestantes que receberam uma modalidade breve de psicoterapia interpessoal apresentaram redução dos sintomas depressivos. Entre seus bebês, os pesquisadores identificaram diferenças no volume do hipocampo direito, região cerebral relacionada à memória, à aprendizagem e à regulação emocional, em comparação com o grupo de cuidados habituais ampliados.
O levantamento também encontrou uma associação entre menor volume do hipocampo e reações emocionais menos negativas dos bebês aos seis meses. Os pesquisadores ressaltam, porém, que ainda não se sabe se essas diferenças persistem ou quais são seus efeitos no desenvolvimento a longo prazo.
Para Rafaela, a atenção à saúde mental precisa fazer parte dos cuidados desde o pré-natal. A gravidez envolve mudanças físicas, hormonais, emocionais e sociais, mas isso não significa que todo sofrimento deva ser considerado normal.
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Entenda os sinais de alerta
1. Depressão pós-parto pode começar antes do parto?
Sim. Em muitos casos, os sintomas aparecem durante a gestação e continuam depois do nascimento do bebê. Por isso, profissionais da área têm usado cada vez mais o termo depressão perinatal, que considera tanto a gravidez quanto o pós-parto.
2. Quais sinais merecem atenção na gravidez?
Tristeza persistente, crises de choro, ansiedade intensa, culpa frequente, irritabilidade, isolamento, sensação de incapacidade, alterações importantes no sono ou no apetite e perda de interesse por atividades que antes faziam sentido.
3. Toda grávida que se sente triste está com depressão?
Não. A gestação pode trazer medo, insegurança e cansaço. O alerta aparece quando esses sentimentos são frequentes, intensos ou passam a interferir na rotina, no autocuidado, nos vínculos e no acompanhamento da gravidez.
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4. Por que muitas mulheres não pedem ajuda?
A maternidade ainda é cercada pela ideia de felicidade obrigatória. Muitas mulheres têm medo de serem julgadas por não se sentirem plenas ou felizes durante a gravidez. Com isso, escondem o sofrimento ou tentam seguir sozinhas.
5. O que pode ajudar na prevenção?
A avaliação psicológica durante o pré-natal pode identificar fatores de risco, sintomas iniciais e situações de vulnerabilidade. O apoio da família e do parceiro também é importante, especialmente quando reduz a sobrecarga e permite que a mulher fale sobre o que sente sem ser julgada.
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Rafaela reforça que cuidar da saúde mental na gestação não é excesso de zelo. É uma forma de proteger a mulher, o bebê e a relação que começa a ser construída antes mesmo do nascimento. “Os problemas de saúde mental nesse período são muito frequentes. Por isso, toda mulher deveria passar por uma avaliação psicológica durante a gravidez”, afirma.