Lipoaspiração não é emagrecimento: confira 5 cuidados pré e pós-cirúrgicos
Limite de gordura aspirada deve ser de no máximo 7% do peso corporal; cirurgiã plástica alerta para exames obrigatórios e sinais de risco como a trombose
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A segurança de uma lipoaspiração é determinada muito antes de o paciente dar entrada no centro cirúrgico, dependendo de uma triagem clínica minuciosa, do planejamento cirúrgico individualizado e da continuidade assistencial no pós-operatório.
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Embora o procedimento seja amplamente consolidado para a remoção de depósitos de gordura localizada e o refinamento do contorno corporal, a viabilidade da intervenção médica está estritamente condicionada ao respeito à anatomia do paciente, à limitação do volume aspirado (geralmente entre 5% e 7% do peso corporal) e ao cumprimento rigoroso dos limites técnicos de segurança.
Vale ressaltar que a lipoaspiração não é um método de emagrecimento, tampouco substitui hábitos de vida saudáveis. A conduta médica deve balizar as expectativas da paciente quanto à viabilidade do resultado desejado, garantindo que o procedimento seja indicado apenas quando os parâmetros metabólicos e o índice de massa corporal (IMC) estiverem em faixas seguras.
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“A lipoaspiração trata gordura localizada, não perda expressiva de peso. Antes de indicar o procedimento, avaliamos o quadro clínico global para projetar quais resultados são anatomicamente viáveis para cada paciente”, explica a cirurgiã plástica Cecília Ruiz.
Avaliação pré-operatória: o que considerar?
A consulta inicial com o cirurgião plástico é a etapa crucial para analisar o histórico de saúde, afastar contraindicações e traçar a estratégia cirúrgica. Doenças preexistentes (como hipertensão, diabetes ou distúrbios circulatórios), alergias, procedimentos prévios e o uso contínuo de medicamentos devem ser detalhados à equipe médica.
Outro pilar indispensável é a verificação das credenciais dos profissionais e da infraestrutura da instituição. A cirurgia deve ser realizada por um cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), com o auxílio de um médico anestesiologista e em hospital devidamente credenciado, munido de unidade de terapia intensiva (UTI) e suporte para eventuais emergências.
Os exames laboratoriais e de imagem são personalizados de acordo com o perfil de cada paciente. O rastreio inclui hemograma completo, coagulograma, avaliação da função renal e hepática, eletrocardiograma e parecer cardiológico, além de ultrassonografia da parede abdominal para descartar hérnias que possam gerar complicações durante o manuseio das cânulas. É indispensável relatar o uso de suplementos, anticoncepcionais e fitoterápicos, substâncias que podem interferir na cascata de coagulação ou interagir com os fármacos anestésicos. Nenhum fármaco deve ser suspenso sem expressa orientação médica.
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“A etapa pré-operatória identifica fatores de risco e direciona as medidas preventivas. Por isso, a transparência do paciente ao relatar seu histórico de saúde é indispensável para a segurança do ato cirúrgico”, orienta a médica.
Como se preparar para a cirurgia?
A preparação exige adesão rigorosa às orientações sobre dieta equilibrada, hidratação adequada e ajuste medicamentoso. O tabagismo e o uso de qualquer derivado de nicotina devem ser interrompidos semanas antes, pois o fumo compromete gravemente a microcirculação, reduz a oxigenação dos tecidos, prejudica a cicatrização e eleva exponencialmente o risco de necrose, infecções e eventos tromboembólicos. A suspensão e o período de abstinência são estipulados pela equipe médica.
Como medida fundamental para prevenir a trombose venosa profunda (TVP) e o tromboembolismo pulmonar (TEP), a equipe institui protocolos de profilaxia que podem incluir o uso de meias elásticas de compressão graduada e compressores pneumáticos intermitentes nos membros inferiores durante e após o procedimento, além do eventual uso de anticoagulantes profiláticos.
O planejamento envolve ainda a logística do pós-operatório. Conforme a extensão da cirurgia, o paciente necessitará de acompanhante adulto nos primeiros dias, auxílio para higienização pessoal, curativos e transporte adequado na alta hospitalar, evitando qualquer esforço físico precoce.
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“Preparar-se implica estruturar o período de convalescença. Contar com uma rede de apoio em casa, planejar a licença do trabalho e respeitar o repouso são passos decisivos para uma recuperação sem intercorrências”, afirma Cecília Ruiz.
Pós-operatório: cuidados essenciais na recuperação
Após a lipoaspiração, é comum o surgimento de edema (inchaço), equimoses (manchas roxas), alteração temporária da sensibilidade cutânea e desconforto nas áreas tratadas. A intensidade e a duração desses sintomas variam com a extensão da cirurgia, a técnica empregada e a resposta individual do organismo.
O uso contínuo de cintas ou malhas compressivas medicinais e placas de contenção é prescrito para conter o inchaço, auxiliar na aderência da pele ao novo contorno e diminuir o risco de acúmulo de líquidos (seroma). A higienização das incisões deve seguir rigidamente as instruções de antissepsia para evitar infecções cutâneas. A retomada das atividades profissionais, de dirigir e da rotina de exercícios físicos deve ocorrer de maneira gradual, estritamente alinhada à liberação do cirurgião.
O acompanhamento em consultório permite monitorar a evolução cicatricial e interceptar precocemente eventuais complicações. Terapias complementares, como a drenagem linfática manual realizada por profissionais especializados em pós-operatório cirúrgico, só devem ser iniciadas sob recomendação, frequência e momento indicados pelo cirurgião plástico.
“A recuperação exige paciência e respeito ao tempo biológico do organismo. O paciente deve cumprir a agenda de retornos e jamais antecipar o retorno aos treinos ou rotinas intensas sem a devida liberação”, destaca a cirurgiã.
Sinais de alerta: quando buscar atendimento imediato?
Embora o edema e o desconforto sejam esperados, intercorrências graves demandam socorro médico imediato. Falta de ar (dispneia), dor torácica súbita, palpitações, tonturas acentuadas ou desmaios, sangramentos volumosos no curativo e inchaço assimétrico com dor e enrijecimento em uma das pernas (sinais indicativos de TVP) exigem avaliação médica de emergência imediata.
Febre (temperatura acima de 37,8 °C), vermelhidão progressiva ou calor excessivo na pele, dor refratária aos analgésicos prescritos e drenagem de secreções purulentas ou amareladas com odor na região operada também exigem contato pronto com a equipe cirúrgica. Diante de qualquer sintoma atípico, o paciente não deve se automedicar, aplicar compressas sem autorização ou aguardar a consulta de rotina.
“A segurança cirúrgica estende-se por todo o pós-operatório. O paciente precisa conhecer os sinais de alerta para buscar suporte hospitalar imediatamente diante de sintomas como dispneia ou dor no peito”, ressalta a médica.
A lipoaspiração exige indicação criteriosa, clareza sobre os riscos e planejamento minucioso. O alinhamento com um cirurgião plástico habilitado e a adesão irrestrita aos protocolos pré e pós-operatórios são a garantia para uma condução cirúrgica ética e segura.
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