Fazer acupuntura durante a quimioterapia pode ajudar? Entenda
Estudos apontam que a técnica alivia efeitos colaterais que podem surgir durante o tratamento, como náuseas, vômitos, formigamento e dores musculoesqueléticas
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A quimioterapia é fundamental no tratamento de diversos tipos de câncer, mas pode vir acompanhada de efeitos colaterais que interferem na rotina e no bem-estar dos pacientes. Náuseas, vômitos, dor, cansaço e alterações nos nervos estão entre os desconfortos que podem surgir ao longo do tratamento.
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Nesse contexto, a acupuntura tem sido estudada como uma estratégia complementar para o manejo desses sintomas. Uma revisão publicada em 2025, que reuniu 17 estudos clínicos, encontrou redução dos vômitos que surgem após as sessões de tratamento.
Outro trabalho, também publicado no mesmo ano, analisou 58 estudos clínicos sobre a utilização da técnica contra náuseas e vômitos relacionados à quimioterapia e apontou resultados favoráveis, especialmente para os sintomas tardios.
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Além disso, diretrizes de relevância internacional — como a diretriz conjunta da Sociedade de Oncologia Integrativa (SIO) e da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) — recomendam a acupuntura para o controle da dor oncológica geral, dores musculoesqueléticas e dores associadas a procedimentos ou cirurgias. As entidades reforçam que a acupuntura deve atuar de forma integrada aos cuidados convencionais, sem substituí-los, apresentando um perfil de segurança elevado em que os benefícios superam os riscos
“A acupuntura pode ser uma aliada no cuidado do paciente oncológico, principalmente no controle de sintomas que comprometem o bem-estar durante o tratamento. Ela não substitui as terapias indicadas pelo oncologista, mas pode ser incorporada como parte de uma abordagem complementar”, explica o acupunturiatra Eduardo D’Alessandro, membro do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA).
O que acontece durante a quimioterapia?
Os efeitos colaterais variam de acordo com o medicamento utilizado, a dose, o tipo de câncer e as características de cada paciente. As náuseas e os vômitos, por exemplo, podem ocorrer logo após a quimioterapia ou aparecer horas e até dias depois.
A acupuntura utiliza agulhas finas aplicadas em pontos específicos do corpo e pode atuar em mecanismos relacionados à percepção da dor, ao sistema nervoso e ao controle de sintomas. Embora nem todos os efeitos da técnica sejam completamente compreendidos, pesquisas vêm avaliando seu potencial como recurso de suporte durante o tratamento.
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O cansaço relacionado ao câncer também está entre os sintomas investigados. Nesse caso, a resposta pode variar bastante, já que a fadiga pode estar associada não apenas à quimioterapia, mas também à própria doença, alterações do sono, anemia e outros fatores.
Além da quimioterapia tradicional, tratamentos como a hormonioterapia, por exemplo, os inibidores da aromatase usados no câncer de mama, frequentemente provocam dores articulares e musculares. A diretriz SIO-Asco indica que a acupuntura seja oferecida a essas pacientes, visto que estudos clínicos demonstraram uma redução clinicamente significativa da dor e melhora na adesão ao tratamento
E quando surge o formigamento?
Outro efeito que merece atenção é a neuropatia periférica, uma alteração dos nervos que pode aparecer como consequência de determinados medicamentos utilizados na quimioterapia.
O paciente pode perceber formigamento, dormência, sensação de queimação, dor ou maior dificuldade para perceber temperaturas e tocar objetos. Dependendo da intensidade, essas alterações podem atrapalhar atividades simples do dia a dia e, em alguns casos, persistir mesmo depois do término do tratamento.
“Ao perceber formigamento, dormência ou dor nas mãos e nos pés, o paciente deve informar a equipe de oncologia. É importante avaliar esses sinais precocemente, porque a intensidade dos sintomas pode influenciar a condução do tratamento e as medidas adotadas para controlá-los”, orienta o especialista.
No caso da neuropatia periférica induzida por quimioterapia (CIPN), o benefício da acupuntura vai além do alívio da dor. Um estudo clínico conduzido publicado no periódico BMJ Supportive & Palliative Care, avaliou o impacto de 10 sessões de acupuntura e demonstrou melhorias estatisticamente significativas nos sintomas sensoriais e nos domínios físico e funcional da qualidade de vida dos pacientes. O estudo destaca que a intervenção ajuda a restaurar a capacidade física e a independência nas atividades do dia a dia, amenizando o impacto das alterações sensoriais.
Outro ponto relevante destacado pela literatura médica é a segurança e o excelente custo-benefício da técnica. Por se tratar de um procedimento não farmacológico, seguro, isento de efeitos colaterais graves e de baixo custo quando comparado a exames e medicações de uso contínuo, a acupuntura se consolida como uma ferramenta viável e acessível para ser incorporada aos serviços de oncologia.
A acupuntura pode fazer parte das estratégias avaliadas para determinados pacientes, mas a escolha depende da causa e da intensidade dos sintomas, além das condições clínicas e do tratamento oncológico em andamento. Por isso, a técnica deve ser realizada por profissional habilitado e integrada ao acompanhamento da equipe responsável pelo tratamento do câncer.
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