CONSCIENTIZAÇÃO

Alzheimer: menor consumo de açúcar na infância reduz risco da doença

Menor ingestão do alimento durante os primeiros anos de vida diminui em 27% o risco de demência; Alzheimer pode atingir 5,6 milhões de brasileiros até 2050

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Esta segunda-feira (21/9), marcada pelo Dia Mundial da Conscientização sobre a Doença de Alzheimer, reforça a importância de olhar para a saúde do cérebro ao longo de toda a vida. Novos estudos mostram que esse cuidado pode começar ainda na infância, período em que fatores como alimentação, estímulos e hábitos de vida desempenham papel importante no desenvolvimento e na saúde cerebral.

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Publicada em julho deste ano na revista científica npj Aging, uma pesquisa identificou que aqueles expostos a uma menor ingestão de açúcar durante os primeiros anos de vida apresentaram risco 27% menor de desenvolver demência por qualquer causa e 46% menor de desenvolver especificamente a doença de Alzheimer na terceira idade.

O neuropediatra da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Gilberto de Brito Henriques, informa que os primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento e a saúde do cérebro porque representam um período de intensa formação e organização cerebral. “Desde o nascimento, o ser humano começa a desenvolver funções como a visão, a audição e os movimentos voluntários, em um processo marcado por intensa formação de novas sinapses e produção de neurônios.”

Segundo o médico, para que esse processo aconteça de forma satisfatória, três aspectos são fundamentais:

  • Boa saúde biológica
  • Estímulos adequados
  • Substrato nutricional e anatômico apropriado

“A ausência ou inadequação de qualquer um desses elementos pode interferir no desenvolvimento cerebral da criança”, afirma Gilberto.

Apesar dos alertas científicos, a rotina alimentar das crianças brasileiras caminha em sentido oposto. Os dados mais recentes do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) indicam uma introdução precoce e massiva do açúcar na dieta infantil em todo o país. Aproximadamente 70% dos bebês de 6 a 23 meses já foram expostos ao ingrediente. À medida que crescem, a incidência torna-se ainda mais acentuada, atingindo 87% das crianças com idades entre 2 e 5 anos.

Gilberto comenta que a Sociedade Americana recomenda que, até os dois anos de idade, não seja oferecido açúcar à criança, enquanto a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, dos dois aos 14 anos, o limite de 25 gramas de açúcar por dia.

“Mais importante do que se prender a uma quantidade exata, porém, é criar o hábito de consumir o mínimo possível de açúcar. Na prática, é difícil para a maioria das pessoas quantificar 25 gramas por dia. O açúcar está associado à sensação de prazer, e esse mecanismo pode favorecer a formação de hábitos alimentares desde cedo. Por isso, o ideal é priorizar os açúcares naturalmente presentes nos alimentos, evitando adicionar açúcar a sucos e reduzindo o consumo de doces, balas e refrigerantes. Mais do que uma preocupação pontual, trata-se de construir um hábito de vida saudável desde a infância”, complementa.

Prevenção desde a infância

De acordo com o Relatório Nacional sobre a Demência, do Ministério da Saúde, entre 1,5 milhão e 2 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de demência, sendo o Alzheimer responsável por 50% a 70% dos casos. O levantamento também projeta que 8,5% da população idosa, cerca de 2,71 milhões de pessoas, conviverá com a doença, número que pode chegar a 5,6 milhões até 2050.

O neurologista e professor da Afya Montes Claros, Marcelo José da Silva de Magalhães, explica que o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, progressiva e potencialmente incapacitante, que compromete gradualmente as funções cognitivas, especialmente a memória, além de outras habilidades, como linguagem, orientação, atenção e capacidade de planejamento. Embora possa ocorrer em idades mais jovens, a doença de Alzheimer é mais frequentemente diagnosticada a partir dos 65 anos.

“Sua origem é multifatorial, envolvendo aspectos genéticos, biológicos e ambientais. Entre as alterações cerebrais, destacam-se o acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau. Algumas condições e hábitos podem aumentar o risco ou contribuir para o declínio cognitivo, como inatividade física, hipertensão, diabetes mal controladas, obesidade, alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool, isolamento social, perda auditiva não corrigida, baixa escolaridade e traumatismo craniano”.

O médico ressalta que medidas de proteção contra processos demenciais podem ser adotadas desde a infância. Os pais podem incentivar as crianças a desenvolver hábitos de leitura, praticar música, aprender novos idiomas, envolver-se em atividades intelectuais e manter uma rotina de exercícios físicos (com o uso de capacete durante atividades esportivas) e a construção e manutenção de uma boa rede de amizades .

“O contato humano é relevante para que tenhamos uma cognição preservada. Além disso, o ambiente familiar exerce papel importante na formação dos hábitos das crianças. Crianças tendem a reproduzir comportamentos observados em seus pais, assim, ao adotarmos hábitos saudáveis no dia a dia, não apenas cuidamos da nossa própria saúde, mas também oferecemos aos nossos filhos modelos positivos que podem contribuir para a construção de um estilo de vida saudável ao longo de toda a vida”, conclui o especialista.

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