NOVOS PACIENTES

Cirurgia plástica pós-emagrecimento: uma nova era do contorno corporal

A cirurgia plástica pós-emagrecimento está mudando. E a transformação não está apenas nas técnicas cirúrgicas, mas principalmente no perfil dos pacientes que chegam ao consultório

Publicidade
Carregando...

Durante muitos anos, falar em grandes perdas de peso significava pensar quase exclusivamente no paciente submetido à cirurgia bariátrica. Hoje, esse cenário é diferente. O tratamento clínico da obesidade, associado a mudanças de estilo de vida e ao uso de medicamentos capazes de promover perdas ponderais expressivas, trouxe para a cirurgia plástica uma nova população de pacientes.

O resultado é um desafio diferente: como reconstruir o contorno corporal de pessoas que passaram por grandes transformações de peso, muitas vezes em períodos relativamente curtos?

Fique por dentro das notícias que importam para você!






Depois de uma grande perda ponderal, o problema não se resume à pele que “sobrou”. Existe uma alteração tridimensional do corpo, que pode envolver pele, tecido subcutâneo, distribuição de gordura e, em alguns casos, estruturas musculares. Por isso, não existe uma cirurgia padrão para todos os pacientes.

Abdominoplastia, lifting corporal, e cirurgias das mamas podem fazer parte do tratamento, mas a indicação deve ser individualizada. O objetivo não é simplesmente retirar o máximo possível de pele, mas reconstruir o contorno corporal preservando segurança, função e proporcionalidade”, ressalta o cirurgião plástico Eduardo Sucupira, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.



Essa mudança de conceito é importante: a cirurgia pós-emagrecimento deve ser planejada como reconstrução corporal, e não apenas como retirada de excesso cutâneo.O paciente que emagreceu com medicamentos também precisa de uma avaliação diferente. 

Pacientes que chegam após perdas ponderais importantes precisam ser avaliados não apenas pelo peso atual, mas pela trajetória do emagrecimento: quanto perderam, em quanto tempo, se o peso está estabilizado, qual é sua composição corporal, como está o estado nutricional e quais medicamentos utilizam.

Pesquisas recentes já começam a investigar a relação entre medicamentos agonistas de GLP-1 e resultados de cirurgias para retirada de excesso de pele, mostrando que essa é uma área que ainda está sendo compreendida. Isso reforça uma mensagem fundamental: o planejamento da cirurgia começa muito antes da sala de operação.



A recomendação de realizar a cirurgia após a estabilização do peso permanece relevante. Operar alguém que ainda está em intenso processo de emagrecimento pode comprometer a previsibilidade do resultado. Mas estabilidade não deve ser interpretada apenas como um número na balança. Dois pacientes com o mesmo peso podem apresentar composição corporal, distribuição de gordura e excesso de pele completamente diferentes. Por isso, o IMC isoladamente não deve determinar a indicação cirúrgica.


“Grandes cirurgias de contorno corporal podem envolver áreas extensas e recuperação prolongada. Por isso, estado nutricional, comorbidades, composição corporal e extensão do procedimento precisam ser cuidadosamente avaliados”, pondera Eduardo Sucupira. 


Em alguns casos, realizar várias cirurgias simultaneamente pode não ser a melhor escolha. Dividir o tratamento em etapas pode proporcionar maior segurança e permitir que cada procedimento seja planejado de acordo com a anatomia e as condições clínicas do paciente.


Mais do que estética


Talvez essa seja a principal mudança na forma como o contorno corporal pós-emagrecimento é considerado. O excesso de pele pode dificultar a atividade física, causar atrito, assaduras, limitações funcionais e desconforto, além de afetar a autoestima e a relação do paciente com o próprio corpo.

“Estudos mostram que pacientes submetidos ao contorno corporal após grandes perdas de peso podem apresentar ganhos importantes e duradouros em satisfação corporal e qualidade de vida. Por isso, a cirurgia não deve ser vista como uma tentativa de emagrecer mais. Seu papel é tratar as consequências anatômicas da perda de peso”, enfatiza Eduardo Sucupira.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia



A grande transformação da cirurgia plástica pós-emagrecimento talvez não seja uma nova técnica ou um novo equipamento. É uma mudança de mentalidade. O futuro do contorno corporal será cada vez menos baseado em fórmulas prontas e cada vez mais em estratégias personalizadas.

Depois de uma grande perda de peso, a transformação mais importante já aconteceu: o paciente mudou sua trajetória de saúde. A cirurgia plástica entra como uma etapa complementar, para que o corpo possa, finalmente, acompanhar essa transformação. “Não se trata apenas de retirar o excesso. Trata-se de reconstruir, com segurança e proporção, um corpo que mudou", reforça o cirurgião.


Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay