Quem tem um recém-nascido em casa certamente já se perguntou ou recebeu algum conselho sobre como fazê-lo dormir por mais tempo. Trocar o leite materno pela fórmula, engrossar a mamadeira, oferecer chá para acalmar ou antecipar a introdução alimentar são algumas das recomendações que atravessam gerações. Embora sejam populares, essas práticas não encontram respaldo científico e, em alguns casos, podem até trazer riscos para a saúde do bebê.
Durante o Agosto Dourado, campanha que conscientiza sobre a importância do aleitamento materno, também é fundamental combater a desinformação em torno do sono infantil. Afinal, muitos pais acreditam que o bebê acorda porque o leite materno "não sustenta", quando, na verdade, os despertares fazem parte do desenvolvimento esperado nos primeiros meses de vida.
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Segundo Eliana Dias, especialista do sono do bebê, compreender como o sono do recém-nascido funciona é o primeiro passo para reduzir a ansiedade das famílias e evitar soluções que prometem resultados rápidos, mas não oferecem benefícios reais.
"Nos primeiros meses, o bebê ainda precisa se alimentar em intervalos menores, e isso naturalmente interfere na duração dos períodos de sono. Mas é importante observar se ele está mamando de forma efetiva e recebendo a quantidade de leite de que precisa. Despertares muito frequentes não devem ser automaticamente considerados normais sem que a alimentação e outras necessidades fisiológicas do bebê sejam avaliadas", explica.
Mais do que buscar uma fórmula para fazer o bebê dormir por mais tempo, o Agosto Dourado também é uma oportunidade para esclarecer o que realmente favorece um sono saudável: uma alimentação adequada, um ambiente acolhedor, uma rotina compatível com a idade e expectativas realistas sobre o desenvolvimento infantil.
Confira os principais mitos e verdades:
"Leite materno é fraco e o bebê acorda de fome"
Mito. Não existe leite materno fraco. Sua composição é completa e se adapta às necessidades do bebê em cada fase do desenvolvimento. Os despertares frequentes fazem parte da fisiologia do recém-nascido e não significam, por si só, que ele esteja passando fome.
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"Um bebê bem alimentado tem mais condições de dormir bem"
Verdade Estar adequadamente alimentado é uma das condições importantes para que o bebê tenha um sono saudável. Nos primeiros meses, os despertares são esperados e fazem parte do desenvolvimento, mas é importante observar se o bebê está mamando de forma efetiva e recebendo o aporte de leite necessário para sua fase. O que favorece o sono não é propriamente a forma como o bebê mama, mas o fato de estar bem alimentado e ter suas necessidades atendidas. A partir disso, o sono tende a se organizar gradualmente, respeitando a maturidade e as características de cada fase.
"Fórmula faz o bebê dormir mais e melhor"
Mito. Embora alguns bebês permaneçam mais tempo sem mamar após receber fórmula, isso não significa que tenham um sono mais saudável. Dormir várias horas seguidas não é sinônimo de qualidade do sono, principalmente nos primeiros meses de vida.
"O tipo de leite, por si só, não determina a qualidade do sono do bebê. O sono nos primeiros meses está relacionado a vários fatores, como alimentação adequada, conforto, condições fisiológicas e maturidade para aquela fase. Por isso, oferecer fórmula apenas com a expectativa de que o bebê durma por mais tempo não significa, necessariamente, que ele terá um sono melhor", afirma Eliana.
"Um ambiente tranquilo e uma rotina compatível com a idade favorecem o sono"
Verdade. Manter um ambiente confortável, reduzir estímulos antes de dormir, diferenciar o dia da noite e criar uma rotina previsível ajudam o bebê a desenvolver seu ritmo biológico de forma gradual. Esses hábitos favorecem um sono mais organizado sem recorrer a estratégias inadequadas.
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"Engrossar o leite, oferecer chá ou antecipar a introdução alimentar faz o bebê dormir a noite inteira"
Mito. Essas práticas não devem ser utilizadas como estratégias para melhorar o sono e podem trazer riscos à saúde do bebê. Chás não são indicados para recém-nascidos, engrossar mamadeiras não resolve a causa dos despertares e a introdução alimentar deve ocorrer no momento adequado, geralmente por volta dos seis meses, conforme orientação do pediatra.
"Não devemos ter como objetivo fazer um recém-nascido dormir a noite toda, mas compreender o que é esperado para essa fase. É importante respeitar seu desenvolvimento, atender às suas necessidades e oferecer condições adequadas para que o sono possa se organizar gradualmente. À medida que o bebê cresce, suas capacidades também mudam, e a forma de conduzir o sono deve acompanhar esse desenvolvimento", orienta Eliana.
Para a especialista, o Agosto Dourado também é um convite para que as famílias substituam crenças populares por informação baseada em evidências. "A amamentação vai muito além da nutrição. Ela também envolve vínculo, contato, acolhimento e conforto, e está diretamente relacionada às necessidades do bebê nos primeiros meses de vida. Quando os pais compreendem o que é esperado em cada fase e aprendem a reconhecer essas diferentes necessidades, conseguem conduzir também o sono com mais segurança e expectativas mais adequadas", destaca Eliana.
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