A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os bebês sejam alimentados exclusivamente com leite materno até os seis meses de vida e continuem sendo amamentados até os dois anos ou mais, mesmo após o início da introdução alimentar. A amamentação não se restringe à nutrição: ela fortalece o vínculo entre mãe e filho e está associada à proteção contra diferentes doenças e infecções, além de contribuir para o desenvolvimento infantil.

Uma das barreiras à amamentação é a crença de que se trata de um processo exclusivamente natural e instintivo, cuja manutenção depende apenas do empenho da mãe. “A produção de leite depende de uma conjunção de fatores, principalmente da pega e sucção frequente e eficaz do bebê e do esvaziamento adequado das mamas. Rede de apoio, descanso e condições emocionais também são aspectos importantes durante esse período”, explica a nutricionista especialista em longevidade e bem-estar, Helga Lott.

A alimentação da mãe também merece atenção, principalmente para preservar sua saúde, fornecer energia e garantir o aporte adequado de nutrientes diante das maiores demandas nutricionais da lactação. “Uma alimentação equilibrada, variada e baseada predominantemente em alimentos in natura ou minimamente processados costuma ser suficiente para atender às necessidades da maioria das mulheres. É importante incluir boas fontes de proteínas, como carnes, ovos, peixes, leite e derivados e leguminosas; frutas, verduras e legumes variados; carboidratos, preferencialmente integrais; e fontes de gorduras saudáveis, como azeite, abacate, castanhas e peixes ricos em ômega-3”, orienta.

Em relação ao número de refeições, não existe uma frequência obrigatória para todas as lactantes. “Muitas mulheres se adaptam bem a três refeições principais e um ou dois lanches, mas isso não deve ser encarado como uma regra. A alimentação deve ser organizada de acordo com a rotina, os sinais de fome e saciedade e as necessidades nutricionais individuais”, afirma a nutricionista.

Outro ponto que costuma gerar dúvidas é a necessidade de retirar determinados alimentos da dieta para evitar gases ou cólicas no bebê. “Na ausência de alergia, intolerância ou orientação médica específica, não há necessidade de excluir preventivamente alimentos ou grupos alimentares da dieta materna. Não há evidências de que alimentos como feijão, brócolis, couve-flor ou repolho provoquem cólicas no bebê, embora possam causar gases na própria mãe. Restrições desnecessárias podem diminuir a variedade da alimentação e dificultar o adequado aporte de nutrientes”, informa.

A hidratação é igualmente importante, mas isso não significa que a mulher precise ingerir quantidades excessivas de água na tentativa de aumentar a produção de leite, como esclarece Helga Lott. “Beber mais água do que o organismo necessita não aumenta, por si só, a produção de leite. O ideal é manter uma boa hidratação ao longo do dia, ter água facilmente disponível e observar a sede e as necessidades individuais”.

Já o consumo de álcool não é recomendado durante a amamentação, pois a substância passa para o leite materno. A cafeína, presente no café, em alguns chás, refrigerantes à base de cola e bebidas energéticas, também passa para o leite materno, embora em pequenas quantidades.

“Em geral, recomenda-se limitar o consumo a cerca de 200 mg de cafeína ao dia. A quantidade presente no café pode variar bastante conforme o tipo, o método de preparo e o tamanho da porção. Além disso, alguns bebês, principalmente recém-nascidos e prematuros, podem ser mais sensíveis e apresentar irritabilidade, agitação ou dificuldade para dormir. Por isso, é importante observar individualmente a resposta do bebê e evitar excessos”, pontua a profissional.

A nutricionista alerta para os riscos de dietas muito restritivas durante a amamentação, especialmente quando há uma preocupação precoce em recuperar rapidamente o peso anterior à gestação. “A perda de peso deve ocorrer de forma gradual e individualizada, respeitando a recuperação da mulher e as demandas nutricionais da lactação. O foco não deve estar apenas na balança: preservar massa muscular, garantir aporte adequado de proteínas, vitaminas e minerais e manter energia suficiente para essa fase também fazem parte de uma recuperação saudável. Pequenas mudanças de hábitos costumam trazer resultados mais seguros e sustentáveis do que estratégias radicais”, indica.

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Helga Lott destaca que o acompanhamento nutricional pode ser especialmente importante nesse período para individualizar as necessidades da mulher, evitar restrições desnecessárias e conciliar saúde materna, amamentação e, quando desejado, uma retomada gradual da composição corporal.

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