Peptídeos são o novo botox? O ativo que virou febre no skincare
Presentes nos principais lançamentos da indústria da beleza, os peptídeos biomiméticos ganharam fama e prometem suavizar rugas sem agulhas
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Eles estão nos séruns mais desejados do momento, estampam campanhas de grandes marcas internacionais e aparecem como protagonistas de uma nova geração de cosméticos antienvelhecimento. Os peptídeos biomiméticos, conhecidos nas redes sociais como o "botox em frasco", conquistaram espaço na rotina de skincare por prometerem suavizar linhas de expressão sem a necessidade de agulhas.
Mas será que eles realmente entregam resultados comparáveis aos da toxina botulínica? Segundo a dermatologista Letycia Lopes, especialista em dermatologia estética e medicina regenerativa, da Clínica Veona, o sucesso dos peptídeos está relacionado à evolução da ciência cosmética, mas é importante separar marketing de evidência científica.
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"Os peptídeos são pequenas sequências de aminoácidos que funcionam como mensageiros celulares. Alguns estimulam a produção de colágeno, outros auxiliam na reparação da pele e existe um grupo específico, chamado de peptídeos biomiméticos, que pode promover um discreto relaxamento da musculatura superficial, reduzindo a aparência de algumas linhas de expressão", explica a médica.
Entre os ingredientes mais estudados está o acetil hexapeptídeo-8, frequentemente descrito pela indústria cosmética como um ativo de efeito "botox-like". Segundo a dermatologista, essa comparação deve ser feita com cautela. "A toxina botulínica continua sendo o padrão-ouro para o tratamento das rugas dinâmicas. Nenhum cosmético consegue reproduzir o mesmo mecanismo de ação nem os mesmos resultados. Os peptídeos podem complementar os cuidados com a pele, mas não substituem um procedimento médico", comenta.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o envelhecimento cutâneo é resultado da combinação entre fatores genéticos e externos, como radiação ultravioleta, poluição, tabagismo e estresse oxidativo. Por isso, a prevenção depende de uma estratégia multifatorial, que inclui proteção solar, hábitos saudáveis e ativos capazes de preservar a qualidade da pele.
A American Academy of Dermatology (AAD) também destaca que ingredientes como retinoides, vitamina C, niacinamida e peptídeos apresentam benefícios para a melhora global da pele quando utilizados de forma contínua, embora nenhum produto tópico apresente resultados equivalentes aos procedimentos injetáveis para rugas de expressão.
Segundo Letycia, o grande diferencial dos peptídeos está na capacidade de estimular mecanismos naturais de reparação da pele. "Eles favorecem a comunicação entre as células, estimulam fibroblastos responsáveis pela produção de colágeno e contribuem para melhorar firmeza, elasticidade e textura. São excelentes aliados dentro de uma rotina de prevenção do envelhecimento", assegura a dermatologista.
A especialista explica que pacientes a partir dos 25 anos já podem se beneficiar desses ativos, principalmente quando o objetivo é retardar o aparecimento das primeiras linhas de expressão. "Hoje falamos muito mais em prevenção do que em correção. Quanto mais cedo conseguimos preservar o colágeno e a qualidade da pele, menores tendem a ser os sinais do envelhecimento no futuro."
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Para a dermatologista, o crescimento da procura pelos peptídeos acompanha uma tendência mundial de tratamentos menos invasivos e de resultados progressivos. "Existe um movimento claro em direção ao chamado 'well aging', que busca envelhecer com naturalidade. Nesse contexto, os peptídeos conquistaram espaço porque ajudam a melhorar a qualidade da pele diariamente. Eles não substituem o botox, mas representam um importante avanço da dermatologia cosmética e podem potencializar os resultados de um tratamento global."