PREVENÇÃO

Protetor solar só no verão: por que esse hábito precisa mudar?

Inca estima 263 mil novos casos anuais de câncer de pele não melanoma no país entre 2026 e 2028; especialista alerta para exposição acumulada à radiação UV

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O Brasil deve registrar 263.280 novos casos de câncer de pele não melanoma por ano entre 2026 e 2028, segundo a nova estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). O número representa mais de mil novos diagnósticos a cada dia útil e ajuda a dimensionar uma doença que, apesar de geralmente apresentar baixa letalidade, continua sendo o tipo de câncer mais frequente no país.

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A estimativa faz parte da publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, lançada neste ano pelo Inca. Ao todo, o país deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer anualmente no período. Quando os tumores de pele não melanoma são retirados da conta, o número cai para aproximadamente 518 mil.

Isso acontece porque, devido à sua elevada incidência e menor letalidade em comparação a outros tumores, o câncer de pele não melanoma é apresentado separadamente pelo instituto.

Para a médica Telma Giordani, especialista em saúde da pele e medicina estética, os números reforçam um alerta que costuma ganhar espaço principalmente no verão, mas deveria acompanhar os brasileiros durante todo o ano. “Existe uma associação muito forte entre proteção solar e verão. Chega o frio, a pessoa guarda o protetor junto com as coisas da praia. Só que a nossa pele não entende calendário. A radiação ultravioleta continua existindo e a exposição que recebemos ao longo da vida vai se acumulando. Por isso, a proteção precisa ser incorporada à rotina”, explica.

Melanoma terá mais de 9 mil novos casos por ano

Além dos tumores não melanoma, o Inca estima 9.360 novos casos de melanoma por ano no país entre 2026 e 2028, sendo 4.930 em homens e 4.430 em mulheres. Embora seja menos frequente, o melanoma merece atenção por apresentar maior potencial de disseminação para outros órgãos.

Segundo o Inca, a exposição prolongada e repetida à radiação ultravioleta, principalmente durante a infância e a adolescência, está entre os fatores que aumentam o risco de melanoma.

Para Telma, um dos maiores desafios da prevenção está justamente em mudar a percepção de que é preciso se proteger apenas quando o sol parece forte. “Calor não é sinônimo de radiação ultravioleta e frio não significa ausência dela. Muitas pessoas tomam todos os cuidados quando vão à praia, mas passam o restante do ano se expondo no caminho para o trabalho, dirigindo, caminhando, praticando atividade física ou realizando outras tarefas ao ar livre sem pensar em proteção. Quando falamos em prevenção, precisamos olhar para essa exposição cotidiana”, afirma.

Proteção solar precisa virar hábito

A orientação do Inca não se limita ao filtro solar. O instituto recomenda evitar a exposição ao sol sem proteção, principalmente entre 10h e 16h, buscar áreas de sombra e utilizar barreiras físicas como chapéus, óculos escuros e roupas adequadas durante atividades ao ar livre. O filtro solar entra como parte desse conjunto de medidas.

Telma defende que o cuidado seja incorporado ao cotidiano de forma semelhante a outros hábitos básicos de saúde. “Eu gosto de fazer uma comparação muito simples: ninguém espera sentir dor no dente para começar a escová-lo. Com a pele deveria acontecer a mesma coisa. O protetor solar não deveria aparecer na nossa rotina somente quando existe uma viagem ou um dia de praia. A prevenção funciona muito melhor quando deixa de ser um evento e vira hábito”, diz.

Segundo o Inca, os danos provocados pelo excesso de exposição solar são cumulativos, razão pela qual os cuidados devem começar ainda na infância.

Quando uma pinta ou ferida merece atenção?

A prevenção também envolve conhecer a própria pele. No câncer de pele não melanoma, o Inca orienta atenção para alterações como manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram e feridas que não cicatrizam em até quatro semanas.

pintas ou sinais que apresentam mudanças de tamanho, formato ou cor também precisam ser avaliados. “Mais importante do que decorar uma lista enorme é conhecer a própria pele. Se surgiu algo diferente, uma lesão mudou, começou a sangrar, uma ferida não cicatriza ou alguma pinta está se modificando, aquilo não deve ser ignorado. Diagnóstico precoce faz diferença”, alerta Telma.

A médica também chama atenção para um comportamento cada vez mais comum: concentrar cuidados com a pele exclusivamente em questões estéticas. “Hoje as pessoas conhecem muito sobre skincare, ácidos, séruns e procedimentos, mas saúde da pele começa antes de tudo isso. Não faz sentido investir em uma rotina sofisticada e esquecer aquilo que ajuda a prevenir um dano que vai se acumulando durante anos. O básico bem feito continua sendo extremamente importante”, completa.

Para ela, os novos números do Inca ajudam a mostrar por que o assunto não deveria ficar concentrado nas campanhas de verão. “O câncer de pele não começa em dezembro. Por isso, a prevenção também não pode começar em dezembro. Se conseguirmos transformar proteção solar em um cuidado automático do dia a dia, como escovar os dentes ou colocar o cinto de segurança, teremos um passo importante na maneira como as pessoas cuidam da própria pele”, finaliza a especialista.

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