Em vigor desde o início deste ano, a Lei Federal nº 15.176/2025 passou a reconhecer a fibromialgia como deficiência, desde que sejam atendidos os critérios da avaliação biopsicossocial. A medida amplia o acesso a direitos e estabelece diretrizes para o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), mas desafios relacionados ao diagnóstico, tratamento e qualidade de vida ainda fazem parte da rotina de quem convive com a síndrome.

É nesse contexto que Belo Horizonte recebe, na próxima quarta-feira (22/7), o 1º Encontro Estadual de Fibromialgia, no Auditório JK da Cidade Administrativa. Gratuito, o evento será realizado das 9h às 15h e reunirá especialistas, profissionais da saúde, representantes do poder público, entidades da sociedade civil, pacientes e familiares para debater assistência à saúde, inclusão e garantia de direitos. As inscrições já estão abertas.

 

Saúde, direitos e inclusão

A programação contará com palestras e mesas de debate sobre assistência à saúde, reabilitação, saúde mental, inclusão social e os direitos das pessoas com fibromialgia. Além da troca de conhecimento entre especialistas e participantes, o encontro busca fortalecer as políticas públicas voltadas à população acometida pela síndrome e ampliar o acesso a informações qualificadas.

Entre os convidados confirmados estão o ortopedista e cirurgião Maurício Leite; o reumatologista Boris Afonso Cruz; o coordenador estratégico de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência da Defensoria Pública de Minas Gerais, Luis Renato Braga Arêas Pinheiro; o cirurgião-dentista Nivaldo Vanni; a gerente das Unidades Ambulatoriais Especializadas, Samia Buitrago; a psicanalista e embaixadora da Fibromialgia, Renata Cobra; a fisioterapeuta Ariana Pereira Lima; e Josiane Carvalho Pardim, como convidada especial.

Diagnóstico ainda é um desafio

A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dor difusa nos músculos, tendões e ligamentos, além de aumento da sensibilidade ao toque e à pressão. Segundo o Ministério da Saúde, a condição afeta entre 2% e 3% da população brasileira e é mais frequente em mulheres entre 30 e 50 anos.

Apesar dos avanços no reconhecimento da doença, o diagnóstico ainda costuma ser tardio. As causas da fibromialgia não são totalmente conhecidas, mas especialistas apontam que fatores genéticos, traumas físicos ou emocionais, infecções e alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso podem estar relacionados ao seu desenvolvimento.

De acordo com o ortopedista Maurício Leite, o diagnóstico é essencialmente clínico. "O paciente geralmente apresenta dor generalizada, fadiga persistente, indisposição, alterações do sono, ansiedade e dificuldade para realizar atividades do dia a dia. Não existe um exame específico para confirmar a fibromialgia. O diagnóstico é feito após avaliação médica e exclusão de outras doenças que apresentam sintomas semelhantes, como algumas doenças reumatológicas", explica.

Quem convive com a síndrome conhece os impactos que ela provoca na rotina. "Convivo com a fibromialgia há mais de 20 anos e sei, na prática, o quanto o diagnóstico tardio, a dor constante e a falta de informação tornam essa jornada ainda mais difícil. Houve momentos em que a doença me impediu de sair da cama", relata a psicanalista e embaixadora da Fibromialgia, Renata Cobra.

Tratamento multidisciplinar

Embora não tenha cura, a fibromialgia pode ser controlada com acompanhamento adequado e uma abordagem multidisciplinar. O tratamento costuma incluir acompanhamento médico, fisioterapia, prática regular de exercícios físicos, terapia psicológica, melhora da qualidade do sono e adoção de hábitos saudáveis. Em alguns casos, também podem ser indicados medicamentos e suplementos, conforme avaliação clínica.

Segundo Maurício Leite, o diagnóstico precoce é um dos principais aliados para evitar o agravamento dos sintomas e preservar a qualidade de vida. "Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de controlar os sintomas, reduzir as limitações e proporcionar mais bem-estar ao paciente", afirma.

Serviço

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1º Encontro Estadual de Fibromialgia: Saúde, Direitos e Inclusão

  • Data: 22 de julho
  • Horário: 9h às 15h
  • Local: Auditório JK – Cidade Administrativa de Minas Gerais – Belo Horizonte
  • Entrada: gratuita (vagas limitadas)
  • Inscrições: https://forms.gle/f3xAb1Grwxs4x3DB6
  • Informações: (31) 3916-7971 ou (31) 97513-3138
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