Nos últimos anos, o explante mamário tem ganhado espaço nos consultórios de cirurgia plástica. Embora muitas mulheres optem pela retirada das próteses de silicone por uma mudança de preferência estética, o procedimento também pode ser indicado por razões médicas, como ruptura do implante, contratura capsular, infecção ou outras complicações relacionadas às próteses.
Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps) evidenciam o aumento da procura pelo explante mamário no Brasil nos últimos anos. Em 2016, foram realizadas 14.190 cirurgias para retirada de implantes de silicone. Já no ano passado, esse número saltou para 41.314 procedimentos, refletindo uma mudança no perfil e nas expectativas de parte das pacientes.
Segundo a cirurgiã plástica Cristiane Gusmão, a decisão pelo explante deve ser sempre individualizada e baseada em uma avaliação criteriosa. "A indicação para retirar as próteses de silicone das mamas pode ocorrer por diferentes motivos e deve ser analisada de forma personalizada, considerando as características, os objetivos e a saúde de cada paciente", explica.
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A especialista destaca que a principal motivação continua sendo a mudança da preferência estética. Muitas mulheres deixam de se identificar com o volume proporcionado pelas próteses e passam a desejar um aspecto mais natural para as mamas. Entretanto, há outras situações que também justificam a retirada dos implantes. "Complicações como contratura capsular, ruptura da prótese, assimetrias, dor persistente, além das alterações provocadas pelo envelhecimento natural, pelas gestações ou por perdas importantes de peso podem levar a paciente a optar pelo explante", afirma a cirurgiã.
Situações em que o especialista indica a retirada a prótese
Além da decisão por motivos pessoais ou estéticos, existem situações em que a retirada da prótese passa a ser uma necessidade clínica.
Entre as principais indicações médicas estão:
- Ruptura do implante
- Contratura capsular (quando a cápsula fibrosa que naturalmente se forma ao redor da prótese endurece e causa deformidade ou dor)
- Infecções
- Deslocamento ou rotação do implante
- Acúmulo de líquido ao redor da prótese (seroma tardio)
- Exposição da prótese pela pele
- Suspeita de doenças raras, como o linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário
"Dor persistente, endurecimento da mama, aumento repentino de volume, vermelhidão, deformidades importantes ou mudanças no formato das mamas são sinais que devem motivar uma avaliação com o cirurgião plástico", orienta Cristiane.
Ela ressalta ainda que, mesmo na ausência de sintomas, toda mulher com implantes mamários deve manter acompanhamento periódico e realizar os exames de imagem indicados pelo médico.
Remoção
A retirada da prótese nem sempre encerra o tratamento cirúrgico. Dependendo das características da mama, pode ser necessário associar outras técnicas para restaurar o formato e melhorar o resultado estético. "O explante consiste na retirada da prótese e, quando necessário, também da cápsula fibrosa que envolve o implante. Após essa retirada, algumas pacientes apresentam excesso de pele e flacidez, especialmente quando utilizaram próteses muito volumosas, passaram por gestações ou tiveram grandes oscilações de peso. Nesses casos, frequentemente indicamos a mastopexia, que reposiciona a mama e o complexo areolopapilar, proporcionando um contorno mais harmonioso", explica.
Nos casos em que houve retirada da mama por tratamento do câncer, também pode ser indicada a reconstrução mamária, utilizando uma nova prótese ou tecidos da própria paciente. "O planejamento cirúrgico deve ser sempre individualizado para equilibrar segurança, funcionalidade e resultado estético, respeitando as necessidades e expectativas de cada mulher", enfatiza a especialista.
Pós-operatório
O pós-operatório costuma ser semelhante ao de outras cirurgias das mamas. O sucesso da recuperação depende do cumprimento rigoroso das orientações médicas. Entre os principais cuidados estão o uso correto das medicações prescritas, realização dos curativos quando necessários, utilização do sutiã cirúrgico, comparecimento às consultas de acompanhamento e a restrição de esforços físicos, movimentos bruscos e levantamento de peso nas primeiras semanas.
Segundo Cristiane Gusmão, o resultado final depende de diversos fatores individuais. "O formato das mamas após o explante varia conforme a idade da paciente, a qualidade da pele, a quantidade de tecido mamário, o tamanho e o tempo de uso da prótese, além do histórico de gestações e oscilações de peso. Por isso, é fundamental alinhar expectativas de forma realista antes da cirurgia."
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A cirurgiã ressalta que muitas mulheres ficam plenamente satisfeitas apenas com a retirada das próteses, enquanto outras optam pela mastopexia ou até por enxertia de gordura para melhorar o contorno mamário. "O mais importante é que a decisão seja compartilhada entre médica e paciente. Hoje conseguimos alcançar resultados bastante naturais e satisfatórios na maioria dos casos, desde que haja um planejamento individualizado, baseado na segurança, na saúde e nos objetivos de cada mulher."
