O perigo invisível das férias escolares para quem tem TDAH
A quebra de rotina e o sumiço dos horários podem transformar o recesso em um pesadelo para as famílias; entenda o impacto no cérebro
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Julho é o Mês de Conscientização sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), condição que afeta milhões de crianças, adolescentes e adultos em todo o mundo. O período coincide com as férias escolares, quando a interrupção da rotina, a redução da previsibilidade do dia a dia e o aumento do tempo de exposição às telas podem intensificar os sintomas do transtorno e tornar ainda mais desafiadora a organização das famílias.
Sem os horários regulares impostos pela escola, crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar maior dificuldade para manter a atenção, controlar a impulsividade, regular o sono e organizar as atividades cotidianas. O recesso também costuma aumentar a sobrecarga dos pais e cuidadores, que passam a administrar integralmente a rotina dos filhos.
Nesse contexto, especialistas alertam que preservar hábitos saudáveis e manter o tratamento conforme orientação médica são medidas fundamentais para reduzir os impactos das férias sobre os sintomas do transtorno.
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Segundo Paulo Mattos, psiquiatra e pesquisador do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino, o TDAH não afeta apenas o desempenho escolar. Na maioria dos casos, os prejuízos também estão presentes em casa e em outros ambientes sociais, como festas, restaurantes, clubes e encontros familiares.
"O impacto do TDAH costuma ir muito além da escola. Por isso, a necessidade de tratamento deve ser avaliada considerando o funcionamento da criança ou do adolescente em todos os ambientes", explica.
O especialista também destaca que a interrupção do tratamento durante as férias deve ser avaliada com cautela. "Quando o impacto do TDAH é significativo apenas no ambiente escolar, pode haver interrupção dos psicoestimulantes nesse período. Porém, no caso dos medicamentos não estimulantes, como a atomoxetina, é fundamental não interromper o tratamento. Temos que ser bem criteriosos, e cada quadro precisa ser analisado individualmente antes de qualquer mudança."
O que é o TDAH?
O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade, capazes de comprometer o desempenho escolar, os relacionamentos interpessoais e a qualidade de vida.
Entre os principais sinais e sintomas estão:
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dificuldade para manter a atenção
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distração frequente
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esquecimentos e desorganização
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dificuldade para concluir tarefas
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inquietação e necessidade constante de movimento
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fala excessiva
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impulsividade
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dificuldade para esperar a própria vez
Os sintomas geralmente surgem ainda na infância e podem persistir na adolescência e na vida adulta. O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por um profissional habilitado, com base na história do paciente, na avaliação dos sintomas e em critérios diagnósticos internacionalmente reconhecidos.
O tratamento é individualizado e pode incluir orientação familiar, acompanhamento psicológico, intervenções psicossociais e medicamentos, conforme indicação médica.
Como as férias podem afetar quem tem TDAH?
Durante o período letivo, a rotina escolar estabelece horários previsíveis para acordar, estudar, realizar atividades e dormir. Nas férias, essa estrutura é interrompida, favorecendo a desorganização, o aumento da impulsividade, alterações comportamentais e maior dificuldade para manter hábitos saudáveis.
Outro desafio frequente é o aumento do tempo de exposição às telas. Celulares, tablets, videogames e computadores costumam ocupar boa parte do tempo livre durante o recesso e, quando utilizados em excesso, podem prejudicar a qualidade do sono, dificultar a autorregulação emocional e potencializar sintomas de desatenção e impulsividade.
A quebra da rotina também aumenta a sobrecarga dos pais e cuidadores, que passam a administrar integralmente o dia a dia das crianças e adolescentes sem o suporte da escola. Sempre que possível, manter horários relativamente estáveis para alimentação, sono, atividades físicas e momentos de lazer ajuda a minimizar os impactos desse período.
Tratamento do TDAH não deve ser interrompido sem orientação médica
Diante das mudanças na rotina, a adesão ao tratamento torna-se ainda mais importante. Entre as opções terapêuticas disponíveis estão medicamentos estimulantes e não estimulantes, cuja indicação depende da avaliação médica.
No caso da atomoxetina, medicamento aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
para o tratamento do TDAH, especialistas reforçam que seu uso deve ser mantido durante as férias. A interrupção por conta própria não é recomendada, assim como ocorre com outros medicamentos de uso contínuo, como antidepressivos e anticonvulsivantes.
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"As férias representam uma mudança importante na rotina, mas não significam uma pausa no TDAH. Com organização, acompanhamento adequado e adesão ao tratamento, quando indicado, é possível atravessar esse período de forma mais tranquila, reduzindo os impactos para a criança, o adolescente e toda a família", afirma Paulo Mattos.