TRATAMENTOS

Além das rugas: o poder secreto que o botox esconde

Muito além da estética, essa substância potente virou uma arma crucial contra dores crônicas e até crises severas de enxaqueca

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Amplamente conhecida pelos benefícios estéticos, a toxina botulínica, popularmente chamada de botox, também desempenha um papel importante no tratamento de diversas condições médicas. Utilizada de forma segura e com indicação adequada, a substância pode ajudar no controle de doenças dermatológicas, distúrbios relacionados à sudorese excessiva e até em quadros de dor crônica, como enxaqueca.

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De acordo com a dermatologista Bhertha Tamura, doutora em dermatologia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP), o potencial terapêutico da toxina botulínica é amplo e, muitas vezes, ainda pouco conhecido pelo público.

“A toxina botulínica pode ser utilizada em diversas doenças dermatológicas. O exemplo mais comum é o tratamento da hiperidrose, condição caracterizada pelo excesso de suor, que pode acometer de 5% a 16% da população.” 

Nesses casos, a toxina botulínica atua bloqueando temporariamente os sinais nervosos responsáveis pela ativação das glândulas sudoríparas. “O local mais comum para aplicação são as axilas, mas também é possível tratar suor excessivo no couro cabeludo, nas mãos, nos pés e em outras áreas do corpo. Em mulheres na menopausa, por exemplo, a toxina também pode ajudar a minimizar episódios de sudorese intensa”, afirma a dermatologista.

Além disso, o tratamento também pode ser indicado em casos mais específicos. “Existem outras doenças em que a toxina pode ajudar, como a doença de Hailey-Hailey, que provoca vesículas e bolhas nas axilas, além de algumas condições dermatológicas mais raras. Também é utilizada no tratamento de enxaqueca e de dores crônicas decorrentes do herpes-zóster”, acrescenta. 

Tratamento de cefaleias

Além das aplicações dermatológicas, a toxina botulínica também tem indicação no tratamento de dores de cabeça crônicas, especialmente a enxaqueca. De acordo com Bhertha, a avaliação médica é fundamental antes da indicação do procedimento. “A toxina botulínica pode ser utilizada não apenas para enxaqueca, mas também em casos de cefaleia tensional. Porém, antes de qualquer tratamento, é essencial que o paciente passe por uma avaliação completa com um neurologista para confirmar o diagnóstico, pois dores de cabeça podem ter outras causas, inclusive mais graves, como tumores cerebrais”, alerta.

Após a confirmação do diagnóstico, a aplicação é realizada em pontos específicos da cabeça e do pescoço, contribuindo para reduzir a frequência e a intensidade das crises.

Suor nos pés

A toxina botulínica também pode ser utilizada como estratégia terapêutica em algumas doenças da pele associadas ao excesso de suor, como a ceratólise plantar sulcada.  “Essa doença é causada por uma bactéria chamada Corynebacterium e costuma ser agravada ou perpetuada pelo excesso de suor. Quando tratamos a sudorese nessa região, conseguimos controlar melhor a doença”, explica a dermatologista.

Segundo a médica, o recurso também pode ser útil em pacientes que sofrem com micoses crônicas nos pés. “Em alguns casos, o excesso de suor favorece infecções recorrentes entre os dedos dos pés, que podem servir como porta de entrada para bactérias e causar infecções mais graves, como erisipela ou celulite de repetição nas pernas. Controlar a sudorese ajuda a reduzir esse risco”, destaca.

Segurança e indicação médica

Apesar de ser amplamente utilizada na medicina, a toxina botulínica exige critérios rigorosos de aplicação e deve ser administrada apenas por profissionais qualificados.

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A toxina botulínica é uma substância extremamente potente. Existe uma dose máxima segura para utilização, e seu uso precisa ser feito com responsabilidade e conhecimento técnico. “Entre as contraindicações estão algumas doenças neurológicas, aplicações em áreas com infecção ativa e a gestação. “Embora existam relatos de pacientes que receberam a toxina durante a gravidez sem apresentar complicações.”

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