Saúde reprodutiva masculina: o "fator invisível" que você precisa saber
Com o DNA do espermatozoide "quebrado", as chances de gravidez diminuem e o risco de abortos de repetição aumenta, mas isso não costuma aparecer no espermograma
compartilhe
SIGA
Quando falamos em reprodução assistida, o foco recai quase inteiramente sobre a mulher. No entanto, em cerca de 50% dos casos de dificuldade de concepção, o fator masculino está presente. As principais causas genéticas da infertilidade masculina estão frequentemente associadas à diminuição drástica no número de espermatozoides ou à ausência total de espermatozoides no sêmen.
- Casos de infertilidade em homens poderiam ser menores com detecção precoce
- Infertilidade masculina: desinformação diminui a procura por ajuda
Porém, mais do que a simples contagem de espermatozoides, a ciência moderna nos alerta para um detalhe crucial e invisível ao olho nu: a integridade do DNA espermático. “Em casos de dificuldade de concepção, é sempre recomendada a avaliação por um especialista em reprodução assistida”, explica a ginecologista especialista em fertilidade da Clínica Origen BH, Bruna Coimbra.
“Além disso, sempre que existe suspeita de infertilidade masculina, espermograma alterado ou algo na história do casal que sugira necessidade de avaliação de fragmentação de DNA espermático é interessante que o homem procure um andrologista. Esse especialista será de grande valia para indicar o melhor tratamento e estar atento aos detalhes da fertilidade masculina”, complementa.
Leia Mais
O espermatozoide carrega metade da carga genética do futuro bebê. Quando o DNA dentro dessa célula está "quebrado" — fenômeno que chamamos de fragmentação de DNA espermático — as chances de gravidez diminuem e o risco de abortos de repetição aumenta. Ao contrário de outros problemas masculinos, isso não aparece no espermograma convencional: um homem pode ter quantidade, motilidade e morfologia normais e ainda assim ter DNA comprometido.
Um DNA fragmentado dificulta a fecundação e, mesmo quando ela ocorre, compromete o desenvolvimento inicial do embrião. O óvulo tem mecanismos para reparar pequenos danos, mas quando a fragmentação é alta, esses mecanismos são insuficientes. O resultado pode ser uma gravidez que não se desenvolve ou um aborto nas primeiras semanas — muitas vezes sem que o casal entenda o motivo.
- Ultraprocessados podem afetar esperma e desenvolvimento embrionário
- Esperma de doador com mutação que causa câncer foi usado para concepção de quase 200 crianças na Europa
Para entender o que ocorre é que dentro de cada espermatozoide existe uma fita de DNA — o material genético que será herdado pelo bebê. Quando essa fita sofre quebras ou danos, dizemos que houve fragmentação do DNA espermático. Estudos mostram que quando o Índice de Fragmentação de DNA fica acima de 25%, as taxas de gravidez natural e por inseminação caem significativamente, e o risco de aborto espontâneo pode dobrar.
As causas da fragmentação do DNA podem ser: febre alta, tabagismo, estresse oxidativo, varicocele, idade avançada, alguns tipos de medicamentos, radioterapia, quimioterapia e calor excessivo. O diagnóstico é feito por meio do teste de fragmentação de DNA espermático e é recomendado para casais com histórico de abortos recorrentes, falhas repetidas em fertilização in vitro ou infertilidade sem causa aparente após espermograma normal.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A boa notícia é que, em muitos casos, a fragmentação do DNA espermático é reversível com mudanças nos hábitos de vida (parar de fumar, parar de fumar, evitar calor excessivo na região genital, reduzir o álcool e melhorar a alimentação); uso de antioxidantes, tratamento da varicocele e técnicas de reprodução assistida.