Muitos pais associam o exame radiográfico infantil quase exclusivamente ao diagnóstico de pneumonias ou tosses persistentes. No entanto, a radiografia pediátrica é uma ferramenta diagnóstica muito mais versátil, importante para o acompanhamento do desenvolvimento físico e a detecção de problemas estruturais, segundo Monique Lambrakos, radiologista do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica.

Contudo, uma das maiores preocupações das famílias diz respeito à exposição à radiação e a quando o exame é realmente necessário. A especialista tranquiliza os pais ao destacar que a radiografia pediátrica é extremamente segura quando realizada em centros especializados. “Atualmente, utiliza-se o princípio internacional Alara (sigla em inglês para as low as reasonably achievable), que preconiza a menor dose de radiação possível para um diagnóstico preciso.”

“Na pediatria, os ajustes de dosagem são feitos de forma personalizada, levando em conta o peso e a idade da criança, o que resulta em níveis de radiação mínimos, muitas vezes equivalentes à radiação ambiental natural à qual todos estamos expostos diariamente”, esclarece Monique.

A especialista acrescenta, ainda, que o uso de protetores de chumbo em órgãos sensíveis e de equipamentos digitais de última geração garante que o benefício do diagnóstico supere amplamente qualquer risco potencial. “É fundamental que os pais compreendam que, quando bem indicado, o benefício de um diagnóstico preciso supera qualquer preocupação com a radiação, pois nos permite intervir precocemente em questões que impactam diretamente a qualidade de vida e a mobilidade da criança.

“Por meio de protocolos rigorosos de baixa dosagem, garantimos que o exame seja uma ferramenta segura para a avaliação diagnóstica na infância”, afirma a radiologista. Nesse contexto, a especialista elenca os principais cenários em que o exame é necessário para a saúde da criança.

1. Avaliação de fraturas e traumas ósseos

Diferentemente dos adultos, os ossos das crianças são mais flexíveis e possuem as chamadas placas de crescimento. O exame radiográfico é o indicado após quedas ou traumas para identificar lesões, como as fraturas em galho verde, em que o osso quebra de forma incompleta, ou as lesões fisárias, para saber se houve impacto na fise (placa de crescimento), o que exige cuidado redobrado para não comprometer o desenvolvimento futuro do membro.

2. Distúrbios de crescimento (idade óssea)

Quando uma criança apresenta baixa estatura ou sinais de puberdade precoce, o exame radiográfico da mão e punho esquerdos é o padrão-ouro para diagnosticar a condição. Segundo Monique, essa avaliação permite comparar a maturação esquelética com a idade cronológica da criança, ajudando endocrinologistas pediátricos a entender o potencial de crescimento final e a necessidade de intervenções hormonais.

Trata-se de um procedimento simples que traz informações fundamentais para verificar se o ritmo de crescimento ósseo está em harmonia com a idade cronológica da criança. Caso haja qualquer descompasso, ele serve como um alerta para que o acompanhamento pediátrico seja intensificado.

3. Desvios de postura e escoliose

A infância e a adolescência são fases críticas para a coluna vertebral. As radiografias panorâmicas da coluna e dos membros inferiores permitem uma visão global do esqueleto e auxiliam na detecção de escoliose (quando há curvaturas laterais na coluna) ou de assimetrias no comprimento dos membros, o que pode causar dores e problemas posturais crônicos.

4. Displasia de quadril

Segundo Monique, a displasia pode levar a problemas de locomoção e artrite precoce. Embora a ultrassonografia seja o método de escolha nos primeiros meses de vida, a radiografia de bacia assume o papel principal posteriormente, permitindo avaliar se o “encaixe” do fêmur na bacia está correto.

“O diagnóstico deve ser feito precocemente para identificar a formação inadequada da articulação do quadril. Quando detectada cedo, o tratamento pode ser feito de forma conservadora, muitas vezes apenas com o uso de suspensórios específicos, evitando intervenções cirúrgicas no futuro”, detalha a especialista.

5. Avaliação de distúrbios respiratórios além da pneumonia

Na avaliação torácica, a radiografia vai além do diagnóstico de pneumonia, sendo importante para investigar outras condições que causam sintomas respiratórios, como a aspiração ou ingestão de algum corpo estranho, comum, principalmente, em crianças pequenas.

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O exame também é útil na investigação de malformações congênitas, como alterações cardíacas ou pulmonares, que podem ser descobertas após a manifestação de sintomas clínicos.

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