MÚSICA NA ROTINA

O impacto secreto de cantar para o bebê que poucos pais conhecem

Uma descoberta sobre a 20ª semana de gestação revela como os sons uterinos moldam a mente do recém-nascido e ditam a facilidade com que ele vai falar

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Quando uma criança pede para ouvir a mesma música várias vezes, a repetição pode parecer apenas uma fase ou uma mania infantil. Mas, no desenvolvimento da fala, canções simples, ritmo e interação com adultos podem ter um papel importante na construção da linguagem, da escuta e do vocabulário.

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Segundo Cintya Soares, musicista e fonoaudióloga, a música faz parte da experiência da criança desde muito cedo. Ainda na gestação, o bebê já entra em contato com sons do corpo da mãe, da voz materna e do ambiente ao redor. “A audição é o primeiro sentido que o bebê desenvolve dentro da vida uterina. Lá pela 20ª, 25ª semana de gestação, a criança já começa a ouvir os sons externos”, diz. 

De acordo com ela, esse contato precoce ajuda a explicar por que sons familiares podem acalmar recém-nascidos e por que a música costuma despertar interesse já nos primeiros meses de vida.

Canções simples ajudam no vocabulário

Para Cintya, não é preciso buscar músicas complexas para estimular uma criança pequena. Ao contrário, as canções curtas, repetitivas e conhecidas podem ser mais adequadas para bebês e pequenos em fase de aquisição da fala.

Ela cita músicas tradicionais, como cantigas folclóricas populares, como exemplos de repertório rico para a infância. A repetição de palavras, da melodia, o ritmo, as rimas e a estrutura das canções ajudam a criança a reconhecer sons, ampliar repertório e entrar em contato com novas palavras. “Uma canção de quatro frases é uma canção muito elaborada para um bebê, para uma criança que está desenvolvendo a linguagem. Ela traz um vocabulário muito rico”, aponta.

A fonoaudióloga também afirma que a música se aproxima da fala porque trabalha pausas, velocidade, entonação e ritmo. Esses elementos, segundo ela, aparecem tanto na voz cantada quanto na voz falada.

Por que a criança quer repetir a mesma música?

A repetição, tão comum na infância, também tem função no aprendizado. Segundo Cintya, quando os pequenos pedem a mesma música várias vezes, eles não estão apenas insistindo em uma preferência. Eles também criam segurança e reforçam aquilo que se aprende. “Criança gosta de repetição. Essa repetição traz segurança e, a cada vez que se repete, o cérebro vai assimilando, criando rotina, e a criança vai adquirindo e consolidando o novo vocabulário”, destaca.

Esse processo aparece nas músicas e nas rotinas do dia a dia. A cada repetição, a criança reconhece melhor os sons, antecipa palavras, tenta completar trechos e participa mais da troca.

Cantar junto importa mais do que só colocar música

Um dos cuidados, segundo a musicista, é não transformar a música em simples som de fundo. Colocar uma canção infantil para tocar pode fazer parte da rotina, mas o maior estímulo vem da interação com adultos. Cintya afirma que a música deve ser usada como meio de comunicação. Isso pode acontecer no colo, no carro, durante a alimentação ou em brincadeiras simples.

“O importante não é só a criança ouvir. Quando você está dando alimentação, vá cantando junto. Quando está com ela no colo, cante uma música. A música é o meio”, acrescenta. Na avaliação dela, cantar, conversar, olhar para a criança estimulando o contato visual e auditivo e relacionar a canção ao ambiente ajudam a transformar o momento em vínculo. Se a canção fala de cores, por exemplo, o adulto pode mostrar objetos ao redor. Se fala de movimento, pode brincar com gestos e movimentos.

Apesar dos benefícios, Cintya reforça que a música não deve ser vista como substituta de investigação quando há sinais de atraso na fala ou na linguagem. Segundo ela, se uma criança de 2 anos apresenta atraso de linguagem, é importante avaliar se há falta de estímulo, excesso de telas, pouca interação, questões auditivas, alterações fonológicas ou outros fatores que precisem de acompanhamento.

Nesses casos, a orientação é procurar o pediatra ou médico foniatra, que poderá conduzir a avaliação e encaminhar a criança para fonoaudiólogo ou outros profissionais da área terapêutica e educacional, quando necessário.

O papel da música em crianças com atraso de fala

Mesmo quando a criança está em investigação ou já tem algum diagnóstico, o vínculo com a música pode continuar, desde que respeite as orientações dos profissionais que acompanham o caso. Para Cintya, a música pode favorecer a linguagem, escuta, socialização, atenção, movimento corporal e vínculo. Mas cada criança precisa ser observada individualmente, especialmente quando há atraso de fala, suspeita de alteração auditiva, dificuldade de interação ou outros sinais de desenvolvimento.

Ela defende também que profissionais que acompanham a criança conversem entre si. Pediatra, foniatra, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, psicólogo, professor e musicoterapeuta, quando houver indicação, podem atuar de forma complementar. “Nada substitui, mas tudo agrega”, afirma.

Como usar música em casa

Para famílias que querem incluir a música na rotina, a musicista recomenda começar de forma simples. Cantigas conhecidas, músicas infantis de qualidade, canções folclóricas, canções que exploram o gestual e brincadeiras de roda podem ser boas opções. A especialista diz que não é preciso transformar o momento em aula. O principal é criar contato, presença e troca. Segundo ela, muitas vezes a criança não precisa de tantos brinquedos, mas de contato, conversa e brincadeiras com música.

Entre os caminhos possíveis, estão:

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  • cantar durante atividades diárias
  • repetir músicas que a criança gosta
  • usar gestos
  • nomear objetos que aparecem na canção
  • brincar com sons graves e agudos, longos e curtos
  • incentivar a criança a participar no próprio tempo

O alerta fica para situações em que a criança apresenta atraso de linguagem, fala muito pouco para a idade, não reage da maneira esperada aos sons, tem dificuldade persistente nas trocas de fala ou levanta dúvidas sobre audição e desenvolvimento. Nesses casos, a música pode fazer parte do estímulo, mas a avaliação profissional não deve ser adiada.

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