Diariamente, milhares de pessoas se submetem a cirurgias em todo o país. Só em 2025, foram 14,7 milhões de procedimentos via SUS, com aumento de 7,5% no comparativo com 2024. Dessas, as plásticas foram 2,3 milhões, número que coloca o Brasil entre os líderes mundiais do setor. Por menor e mais simples que seja, esse procedimento médico envolve uma série de riscos, já que faz uma intervenção direta no organismo para tratar, corrigir ou diagnosticar doenças.
Seja realizado no método tradicional, com o corpo aberto ou por vídeo (laparoscopia), endoscopia ou ainda por meio de robôs, uma cirurgia requer uma série de cuidados para evitar infecções, sangramento ou reações adversas à anestesia, problemas que podem ser controlados ou até mesmo eliminados com o preparo adequado pelo paciente e com o uso das tecnologias atuais pelo profissional responsável.
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Segundo o cirurgião do aparelho digestivo e preceptor de cirurgia geral do Hospital Evangélico de Belo Horizonte, Eduardo Ribeiro Neto, mais que a marcação da data em mãos, os pacientes devem observar as recomendações médicas necessárias para a realização do procedimento. “Embora a tendência atual seja a realização de cirurgias minimamente invasivas, que causam menor trauma e têm uma recuperação mais rápida, é imprescindível que o paciente tome todos os cuidados para garantir a sua segurança e permitir a identificação e correção de fatores de risco antes de iniciar a intervenção”, frisa.
Eduardo Ribeiro Neto, cirurgião do aparelho digestivo e preceptor de cirurgia geral
Cuidados antes da cirurgia
No pré-operatório, os cuidados incluem avaliação clínica completa, realização de exames laboratoriais, controle de doenças pré-existentes como hipertensão e diabetes, entre outras, avaliação cardiológica quando necessária, ajuste de medicamentos e preparo adequado, dependendo do tipo de cirurgia. Interromper práticas como o tabagismo e o consumo de álcool alguns dias antes da cirurgia e comunicar alergias pré-existentes são medidas recomendadas.
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Durante o preparo, o paciente não deve realizar depilação ou retirar os pelos com aparelhos de barbear, visto que esse método causa pequenas lesões na pele, o que pode aumentar o risco de infecção a ferida operatória.
Para as mulheres, é indicado remover esmalte e unhas postiças que podem comprometer a leitura da oxigenação durante a anestesia. É importante evitar maquiagens, uso de cremes, gel ou outros produtos no cabelo, que deve ser lavado um dia antes da cirurgia.
Nesse conjunto de recomendações, o jejum absoluto ainda gera controvérsia. No entanto, o médico explica que tal medida visa evitar broncoaspiração durante a anestesia, uma complicação potencialmente grave.
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“As recomendações do pré-operatório melhoram as condições clínicas, reduzem riscos e favorecem a recuperação mais rápida”, enfatiza o cirurgião.
E depois?
Passada a cirurgia, começa a etapa de recuperação, que é decisiva para o restabelecimento da saúde do paciente. O cirurgião Eduardo explica que o não cumprimento das recomendações pode levar a infecções, complicações de diversos e diferentes tipos e graus e até mesmo à necessidade de uma nova intervenção.
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“Não se trata de colocar medo no paciente, mas se a recomendação é para repouso absoluto logo após a alta médica, por mais que a pessoa acorde muito bem disposta, ela não deve fazer a limpeza da casa ou carregar peso, por exemplo. Da mesma forma, quando a pessoa se movimenta além do necessário, pode romper os pontos e comprometer a cicatrização dos tecidos incisados internamente para a realização da cirurgia”, afirma.
