Conhecidas como canetas emagrecedoras, os medicamentos análogos ao hormônio GLP-1 revolucionaram o tratamento do sobrepeso e da obesidade. Elas funcionam promovendo uma saciedade prolongada, controlando o açúcar no sangue e ajudando a reduzir o peso corporal de forma significativa.
Apesar da comprovada eficácia no emagrecimento, especialistas alertam para um ponto crítico: a perda de peso induzida por GLP-1 precisa acontecer com uma estratégia nutricional bem estruturada, pois há risco de reganho de peso.
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Estudos publicados em 2024 na revista Obesity Pillars demonstram que o uso desses medicamentos pode reduzir a ingestão calórica diária em até 39%, o que estimula a busca pela solução. De acordo com o relatório do Itaú BBA, em 2025, os agonistas de GLP-1, grupo que reúne as canetas emagrecedoras, movimentaram cerca de R$ 10 bilhões no Brasil, e a tendência é que alcance cerca de R$ 50 bilhões até 2030.
Com esse alerta de profissionais da saúde, a busca por estratégias nutricionais que aliem perda de peso, performance e bem-estar a longo prazo tem impulsionado a procura por soluções complementares.
Perda de massa e nutrientes essenciais
“A diminuição do apetite, embora desejada, impacta diretamente o consumo de proteínas, vitaminas e minerais essenciais. Sem um acompanhamento adequado, o risco de deficiências nutricionais e, principalmente, a perda de massa muscular, aumenta de forma significativa”, explica Marcelo de Carvalho, nutricionista da Nutrify.
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Pesquisas mais recentes reforçam esse alerta. Um estudo transversal, publicado em abril de 2025, identificou ingestão insuficiente de micronutrientes como ferro, cálcio, magnésio, zinco e vitaminas A, D, E, K, C e do complexo B em usuários de análogos de GLP-1. Em idosos, a atenção à vitamina B12 é ainda maior.
Outro ponto de atenção é a preservação da massa muscular. Em alguns casos, até 40% da perda total de peso está associada à sua redução, dependendo do consumo de proteínas e do nível de atividade física. “A diminuição de músculo reduz o metabolismo basal, compromete força e funcionalidade e aumenta o risco de reganho de peso após a interrupção do medicamento”, destaca Marcelo. Esse processo, conhecido como termogênese adaptativa, ajuda a explicar por que até 80% dos pacientes podem recuperar o peso perdido sem suporte nutricional contínuo.
Como preservar a massa magra?
Para minimizar esses riscos, a proteína ocupa um papel central na estratégia alimentar. Protocolos recomendam ingestões entre 1,2 e 2,0 gramas de proteína por quilo de peso ideal ao dia, distribuídas ao longo do dia. Quando a alimentação por si só não é suficiente para atingir essas metas, a suplementação proteica se torna uma aliada prática e segura.
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Segundo o nutricionista Rodolfo Peres, a suplementação no contexto do uso de análogos de GLP-1 vai além de corrigir carências nutricionais. “É preciso pensar em sinergias metabólicas, biodisponibilidade e no momento certo de cada nutriente”, afirma.
Entre os compostos com maior respaldo científico para a proteção muscular, estão a creatina e beta-hidroxi-beta-metilbutirato (HMB). A creatina está associada à melhora da força e da função muscular, enquanto o HMB auxilia na redução do catabolismo (perda de massa muscular) e na preservação da massa magra, efeitos especialmente relevantes em idosos e em pessoas com ingestão calórica muito reduzida.
Além disso, o cuidado com a ingestão de ômega-3 é crucial para a saúde cardiovascular e o controle da inflamação, e o equilíbrio da microbiota intestinal, muitas vezes afetado por tratamentos medicamentosos, pode ser otimizado com o uso de prebióticos, contribuindo para uma melhor tolerância gastrointestinal.
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“A medicação é uma ferramenta poderosa, mas não substitui a educação nutricional, o suporte comportamental e as estratégias de longo prazo para um emagrecimento que seja verdadeiramente saudável e duradouro”, ressalta Rodolfo.
