Canetas emagrecedoras e efeito sanfona: estratégias nutricionais evitam
O acompanhamento profissional é fundamental para evitar a perda muscular, preservar a saúde e garantir resultados sustentáveis
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O uso de análogos de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, tem se tornado cada vez mais comum nos tratamentos para obesidade e sobrepeso. Embora eficazes na redução do apetite e na promoção da saciedade, esses medicamentos exigem um planejamento alimentar cuidadoso para evitar prejuízos à saúde.
De acordo com a nutricionista Aline Bittencourt, a diminuição significativa da ingestão calórica provocada pela medicação torna indispensável uma estratégia nutricional bem estruturada. “Não é momento de comer qualquer coisa em pouca quantidade. É momento de priorizar qualidade nutricional”, destaca.
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Como deve ser a alimentação durante o uso?
Os análogos de GLP-1 reduzem o apetite, retardam o esvaziamento gástrico e aumentam a saciedade. Por isso, três pilares são fundamentais:
- Proteína adequada, para preservar a massa magra
- Fracionamento alimentar, já que grandes volumes podem intensificar náuseas
- Fibra e hidratação, essenciais para prevenir constipação
Sem esses cuidados, o emagrecimento pode ocorrer às custas de perda muscular e piora do estado nutricional.
Há risco de efeitos colaterais?
Sim. Estudos apontam que entre 20% e 40% do peso perdido pode ser de massa magra, principalmente quando não há ingestão proteica suficiente e estímulo muscular. Esse fenômeno não é exclusivo da medicação, mas comum em qualquer processo de emagrecimento rápido sem estratégia.
A queda de cabelo também pode ocorrer, geralmente associada ao chamado eflúvio telógeno — condição relacionada à rápida perda de peso e possível deficiência nutricional. Já a constipação e a náusea são efeitos colaterais frequentes, explicados pelo retardo do esvaziamento gástrico. A intensidade varia de pessoa para pessoa.
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“Os colaterais existem, mas podem ser minimizados com um bom acompanhamento nutricional. A presença do nutricionista é fundamental nesse processo”, reforça Aline.
O peso volta após parar a medicação?
A sustentabilidade da perda depende diretamente da mudança de hábitos. Estudos mostram que parte significativa do peso pode ser recuperada após a suspensão da medicação, caso não haja reeducação alimentar.
Como o medicamento atua no controle do apetite, ao interromper o uso, o estímulo fisiológico da fome retorna. “Se o comportamento alimentar não for trabalhado em paralelo, a tendência é recuperar parte do peso perdido”, explica.
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Estratégias para evitar efeito sanfona
No consultório, Aline adota estratégias específicas para minimizar riscos e promover resultados duradouros:
- Ingestão proteica entre 1,2 e 1,6 g/kg/dia, ajustada individualmente
- Treinamento de força para manutenção muscular
- Aumento gradual de fibras com hidratação adequada
- Refeições menores e mais frequentes para reduzir náuseas
- Monitoramento de micronutrientes como ferro, zinco, vitamina B12 e vitamina D
- Educação alimentar contínua, desenvolvendo autonomia mesmo sem o efeito farmacológico
“A medicação pode ser uma ferramenta potente, mas não substitui o processo de reorganização alimentar. Quando bem acompanhada, facilita a adesão. Quando usada isoladamente, o risco de efeito sanfona pode ser até maior”, afirma a nutricionista.
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O uso deve sempre ocorrer com acompanhamento médico e nutricional, garantindo não apenas a perda de peso, mas a preservação da saúde a longo prazo.