Dia Internacional da Tireoide: um guia para identificar sinais ocultos
Cansaço, queda de cabelo e alterações de peso podem indicar problemas na glândula; endocrinologista cita cinco cuidados para cuidar de disfunções e nódulos
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Nesta segunda-feira (25/5), é lembrado o Dia Internacional da Tireoide. Pequena no tamanho, mas essencial para o funcionamento do organismo, a glândula exerce um papel central na regulação do metabolismo energético, da termogênese, da função cardiovascular, da saúde óssea e da modulação de vias neuropsíquicas.
Quando há alterações no funcionamento da glândula, diferentes sintomas podem surgir e muitos deles confundidos com estresse, ansiedade ou cansaço da rotina. Entre as principais disfunções estão o hipotireoidismo, hipertireoidismo e doença nodular.
Segundo o Adriano Cury, endocrinologista do Alta Diagnósticos, da Dasa, um dos principais desafios é que os sinais costumam surgir de forma silenciosa e pouco específica, atrasando o diagnóstico. “Em muitos casos, os pacientes associam os sintomas apenas ao estresse ou ao estilo de vida corrido, o que pode fazer com que demorem para procurar avaliação médica.”
Na prática ambulatorial, segundo o especialista, as queixas mais prevalentes incluem fadiga crônica, dificuldade para perder peso, queda de cabelo, alterações de humor e intolerância térmica, frequentemente atribuídas ao estresse ou a hábitos de vida.
Hipo ou hiper: qual é a diferença?
Do ponto de vista fisiopatológico, o hipotireoidismo em grande parte decorrente de tireoidite crônica autoimune e associa-se a lentificação metabólica, alterações do perfil lipídico, disfunção endotelial e maior risco de eventos cardiovasculares em subgrupos selecionados.
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Já o hipertireoidismo, frequentemente relacionado à doença de Graves, cursa com hipermetabolismo, aumento da demanda cardiovascular e manifestações neuropsíquicas, estando ligado a fibrilação atrial, piora de insuficiência cardíaca e perda de massa óssea, com aumento do risco de fraturas, especialmente em mulheres na pós-menopausa.
Por isso, o médico reforça que tratar disfunções tireoidianas significa também atuar sobre risco cardiometabólico e ósseo.
Nódulos: quando se preocupar?
A doença nodular tireoidiana é extremamente prevalente, e a maioria dos nódulos é benigna; apenas uma pequena proporção corresponde a neoplasias malignas, sobretudo carcinoma papilífero.
Dados do Global Cancer Observatory e estimativas recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o câncer de tireoide está entre as neoplasias endócrinas mais frequentes, com aumento de incidência atribuído em grande parte ao diagnóstico de microcarcinomas assintomáticos, o que alimenta o debate sobre diagnóstico e tratamento.
“A avaliação de nódulos deve integrar anamnese, exame físico, ultrassonografia cervical com sistemas padronizados de estratificação de risco (ATA, TI-RADS, ACR TI-RADS) e uso criterioso da PAAF, reservando testes moleculares para situações selecionadas”, informa o endocrinologista.
Como identificar?
De forma prática, a estratégia diagnóstica de maior valor combina anamnese estruturada, exame físico cervical cuidadoso e TSH como exame inicial, com expansão laboratorial e de imagem guiada pelos achados clínicos. Para o médico generalista, isso se traduz em investigar disfunção tireoidiana na presença de sintomas persistentes ou fatores de risco, reconhecer grupos de maior vulnerabilidade e encaminhar oportunamente para ultrassonografia, PAAF e avaliação especializada quando indicada.
Além disso, tecnologias mais recentes, como ferramentas de inteligência artificial aplicadas à ultrassonografia, surgem como recursos complementares em centros de maior complexidade. Porém, Adriano ressalta que elas não substituem a integração entre o julgamento clínico, a estratificação de risco baseada em evidências e as decisões compartilhadas com o paciente.
Dicas para cuidar da tireoide
1. Observe os sinais do corpo
Mudanças persistentes no peso, energia, humor ou sono merecem atenção.
2. Faça checapes regularmente
Pessoas com histórico familiar, doenças autoimunes ou sintomas frequentes devem manter acompanhamento médico.
3. Evite a automedicação
O uso inadequado de hormônios e suplementos pode prejudicar o funcionamento da tireoide.
4. Mantenha hábitos saudáveis
Uma alimentação equilibrada e o controle do estresse ajudam no equilíbrio hormonal.
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5. Procure avaliação especializada
A presença de nódulos ou sintomas persistentes deve ser investigada para evitar complicações futuras. Nos últimos anos, ferramentas de inteligência artificial aplicadas à ultrassonografia também passaram a auxiliar na avaliação de nódulos tireoidianos. Ainda assim, especialistas reforçam que a análise clínica individualizada continua sendo essencial para um diagnóstico preciso e um tratamento adequado.