4 erros que destroem sua voz no tempo seco e frio
Fonoaudióloga explica que a mucosa da laringe sofre maior ressecamento nessa época, o que aumenta o risco de irritações, inflamações e lesões vocais
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Com a chegada do clima seco característico do outono, muita gente percebe mudanças no corpo e também na voz. Com a queda da umidade do ar e as variações de temperatura típicas do outono, a mucosa da laringe sofre maior ressecamento, o que aumenta o risco de irritações, inflamações e lesões vocais.
Estudos na área de voz mostram que hábitos aparentemente simples podem impactar diretamente a biomecânica das pregas vocais e favorecer o surgimento de disfonias, é o que diz a fonoaudióloga Juscelina Kubitscheck, mestre e doutora pela UFMG.
A seguir, ela lista os quatro erros mais comuns que as pessoas cometem com a voz no outono, e que podem causar lesões.
1 . Não se hidratar adequadamente
Segundo a especialista, a hidratação não é apenas conforto: é fisiologia vocal. Ela traz benefícios como:
- Redução da viscosidade (muco): a água ajuda a tornar o muco que recobre as pregas vocais mais fluido (menos espesso). Um muco viscoso age como uma "cola", exigindo maior esforço muscular para que as pregas vocais se separem e vibrem
- Melhora da vibração (mucosa): as pregas vocais precisam de uma camada de gel (o fluido da lâmina própria) para vibrar com facilidade. A hidratação correta mantém esse tecido flexível e lubrificado, permitindo uma vibração mais eficiente
- Diminuição do esforço: com pregas vocais lubrificadas e o muco fluido, a onda mucosa ocorre com menos resistência, reduzindo o impacto e o esforço vocal ao falar ou cantar
Por outro lado, a desidratação aumenta o atrito entre as pregas vocais e exige mais pressão para produzir som, elevando o risco de microlesões. Além disso, o ar seco típico do outono reduz a lubrificação natural da laringe, potencializando esse efeito.
2. Forçar a voz mesmo com rouquidão ou irritação
Forçar a voz quando ela está rouca, irritada ou cansada é perigoso e pode agravar o quadro, transformando uma inflamação passageira em lesões nas pregas vocais, como nódulos (calos) ou edemas.
"Rouquidão não é normal, mas um sinal de alerta. Falar com a voz alterada aumenta o impacto mecânico nas pregas vocais, podendo evoluir para inflamações, nódulos vocais e lesões por esforço repetitivo", diz a fonoaudióloga.
A Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia alerta que sintomas como rouquidão, dor ao falar e falhas vocais indicam alteração e devem ser investigados. No outono, esse risco é maior porque pode causar um maior ressecamento, deixando a mucosa mais sensível, pois a voz já está naturalmente mais fragilizada.
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3. Tossir ou pigarrear com frequência
Segundo Juscelina, esse é um dos hábitos mais prejudiciais e mais ignorados. Pigarro, rouquidão e tosse estão entre os sintomas vocais mais frequentes em pessoas com alterações de voz.
A fonoaudióloga explica que pigarro gera um “choque” repetitivo nas pregas vocais e causa microtraumas cumulativos, perpetuando um ciclo de irritação. "Ou seja, quanto mais o indivíduo pigarreia, maior é o risco de lesão."
Com a chegada do outono, fatores como baixa umidade, aumento de poeira e maior incidência de alergias respiratórias impactam diretamente a saúde vocal. Esse cenário favorece o ressecamento das vias aéreas superiores e altera o funcionamento das pregas vocais. Alguns sinais são muito comuns nessa época e não devem ser ignorados, pois podem indicar risco de lesões e alterações vocais.
Os principais sinais de alerta no outono são as alergias respiratórias, pois as crises alérgicas aumentam no outono devido ao ar mais seco e à maior concentração de partículas irritantes gerando impactos na voz, causando inflamação da mucosa da laringe, além de aumento da produção de secreção, gerando a necessidade constante de limpar a garganta. Este processo compromete a qualidade vocal e pode gerar esforço ao falar.
4. Automedicação sem orientação médica
O uso indiscriminado de medicamentos pode mascarar sintomas e atrasar diagnósticos importantes. Dentre os riscos mais comuns estão: fazer uso de anti-inflamatórios sem tratar a causa, utilizar sprays e pastilhas que aliviam, mas não resolvem, podendo até mascarar problemas vocais, gerando atraso no diagnóstico de lesões.
Por isso, é bom ficar alerta e caso haja alterações persistentes, é importante ser avaliado por fonoaudiólogo ou otorrinolaringologista, evitando agravamentos.
Atenção aos sinais típicos da época
Além dos erros do dia a dia, o próprio ambiente contribui para o aumento das queixas vocais nesta época do ano. O ar seco e a maior concentração de partículas irritantes favorecem crises alérgicas, que impactam diretamente a voz.
Entre os sinais mais comuns, a especialista destaca:
Alergias respiratórias
As crises alérgicas aumentam no outono devido ao ar mais seco e à maior concentração de partículas irritantes, podendo afetar diretamente a voz, causando inflamação da mucosa da laringe, aumento da produção de secreção e necessidade constante de limpar a garganta. Este processo compromete a qualidade vocal e pode gerar esforço ao falar, fator este que pode aumentar o risco de problemas vocais.
Pigarro frequente
Este é um dos sintomas mais comuns e mais prejudiciais para a saúde vocal, provocando atrito direto entre as pregas vocais, gerando microtraumas repetitivos, e isso mantém um ciclo contínuo de irritação, ou seja: quanto mais pigarro, maior o risco de lesão.
Rouquidão persistente
Um dos sinais mais importantes é a rouquidão persistente, pois não é normal, sendo considerado um sinal clínico de alteração vocal. "Sintomas como rouquidão, falhas na voz e desconforto ao falar devem ser investigados, principalmente quando persistem por mais de 15 dias", alerta Juscelina.
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Esses fatores impactam diretamente a biomecânica da voz, favorecendo o surgimento de disfonias (alterações vocais). Se perceber quaisquer desses sintomas, procure avaliação com um fonoaudiólogo especialista em voz ou otorrinolaringologista.