Hidratante e preenchedor, o ácido hialurônico tornou-se um dos mais populares procedimentos estéticos na luta contra o envelhecimento. Afinal, é uma substância que já existe em nosso organismo e possui a capacidade de reter água, lubrificando articulações e mantendo a pela firme. Mas, nos últimos tempos, relatos que têm circulado nas redes sociais têm gerado medo de complicações.
Para a especialista em harmonização orofacial Jennifer Pinheiro, de Curitiba, essa má fama recente do ácido hialurônico é injustificada. “Imagens de excesso de produto, provocadas muitas vezes por técnicas erradas, trazem apenas confusão sobre os procedimentos.”
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“Quando bem indicado e aplicado, o ácido hialurônico é um poderoso aliado, cientificamente comprovado, de quem busca prevenir os efeitos do envelhecimento facial. Ele está sendo julgado erroneamente, pelos erros de prescrição”, afirma a especialista.
Uma das principais queixas, lembra Jennifer, é sobre o acúmulo de ácido, o que, no limite, chega a provocar deformações. “Esse excesso é provocado principalmente por erros de abordagem: sobreposição de aplicações sem planejamento, retoque sobre retoque. Tem-se a impressão de que que o ácido ficou intacto ali. Houve uma construção progressiva, mas sem estratégia”, diz.
Jennifer explica que, após a aplicação, o ácido hialurônico passa por um processo gradual de degradação enzimática e mecânica. “Esse tempo varia conforme o produto, a reticulação, a região e o metabolismo individual. De forma geral, o ácido é reabsorvido. Em alguns casos, podem existir resíduos por mais tempo.”
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“Ocorre que, nas redes sociais, essa dinâmica natural é tratada de forma reducionista. É comum lermos afirmações extremas, como ´some em poucos meses´ ou ´fica para sempre´. Nenhum dos dois cenários representa bem a realidade clínica”, esclarece.
Segundo a especialista, esse excesso raramente acontece de uma única vez. “Ele é construído ao longo do tempo, quando não há planejamento no tratamento, ou mesmo quando o paciente busca profissionais diferentes a cada vez que decide fazer uma aplicação.”
“Sem planejamento, cada intervenção parece pequena e justificada. Mas, somadas, podem levar a resultados artificializados. O problema não é o produto, mas a ausência de estratégia”, complementa.
Além da busca de engajamento, Jennifer aponta uma busca de correção de narrativa por trás dos comentários alarmistas sobre o ácido hialurônico nas redes sociais. “O uso dessa substância mudou a lógica do envelhecimento facial. Ela passou a ser utilizada não só para corrigir, mas para prevenir. Isso, na prática, reduziu a indicação de algumas cirurgias faciais ao longo do tempo. Assim, procedimentos injetáveis passaram a ser questionados com mais intensidade”, analisa.
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A avaliação da profissional é que a banalização do uso do hialurônico acarretou distorções perigosas, como a prática de aplicação de injetáveis a partir de uma formação superficial ou em cursos rápidos, o que não garante domínio técnico nem conhecimento aprofundado de anatomia facial.
Para Jennifer, o ácido hialurônico segue sendo uma excelente alternativa estética, segura e bem estabelecida na literatura. Mas exige critério, experiência e responsabilidade. “Costumo dizer que o ácido hialurônico é só a ferramenta. O que vai diferenciar é quem está manuseando a ferramenta.
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A recomendação é buscar sempre um profissional qualificado, não apenas para a aplicação, mas também para o planejamento do tratamento, trazendo ao paciente toda a segurança que ele necessita”, finaliza a especialista.
