O erro fatal que famílias cometem ao visitar avós no outono
Entenda como a "proteção indireta" se tornou a única barreira contra infecções graves que crianças transmitem sem saber, sobrecarregando UTIs pelo país
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O aumento de internações por gripe no Brasil tem acendido um alerta entre os especialistas, especialmente em relação à população idosa, grupo que concentra as maiores taxas de complicações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Com a circulação mais intensa de vírus respiratórios antes mesmo do inverno, a vacinação passa a ser ainda mais urgente.
“O outono já começou e o inverno se aproxima, por isso é fundamental reforçar a prevenção contra vírus respiratórios”, afirma a geriatra Maisa Kairalla, presidente da Comissão de Imunização da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
Entre as principais ameaças para a população idosa estão:
- COVID-19
- Influenza
- Vírus sincicial respiratório (VSR)
- Infecções pneumocócicas
- Coqueluche
“O VSR ainda é pouco conhecido entre adultos, mas pode causar quadros graves, principalmente em pessoas idosas com doenças pulmonares ou cardíacas. Precisamos lembrar também da pneumonia bacteriana, que é prevenível por meio de vacina e pode levar à hospitalização e ao óbito”, explica a especialista.
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Segundo a geriatra, o envelhecimento do sistema imunológico, processo conhecido como imunossenescência, reduz a capacidade de resposta do organismo às infecções. “Isso significa que a pessoa idosa não apenas tem maior risco de adoecer, mas também maior probabilidade de evoluir com complicações. É nessa população, especialmente entre os maiores de 60 anos e aqueles com comorbidades como diabetes, doenças cardiovasculares ou pulmonares, que se instalam os quadros mais graves, com necessidade de UTI, ventilação mecânica e risco de infecções secundárias.”
O impacto vai além da fase aguda. Uma infecção respiratória pode desencadear um efeito cascata na saúde. “Durante uma internação, o paciente pode ficar acamado, perder massa muscular e funcionalidade. Muitas vezes há descompensação de doenças crônicas já existentes. Em alguns casos é necessária intubação, o que pode gerar outras complicações. Nem sempre a pessoa idosa retorna ao seu nível de autonomia anterior”, ressalta Maisa.
Quem convive também precisa se vacinar
Outro ponto destacado é a importância da chamada proteção indireta. “Cuidadores, familiares e pessoas que convivem com idosos devem manter a carteira vacinal atualizada. Crianças, por exemplo, transmitem muitas infecções aos avós. Quanto maior a cobertura vacinal ao redor da pessoa idosa, menor o risco de exposição”, orienta.
A Semana de Imunização, celebrada entre os dias 25 de abril e 1º de maio, reforça a importância da vacinação como uma das principais estratégias de saúde pública para prevenção de doenças, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, como a população idosa.
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Apesar da tradição brasileira em campanhas de imunização, a cobertura vacinal tem apresentado queda nos últimos anos. "Para a SBGG, resgatar a cultura da prevenção é fundamental para reduzir internações evitáveis, preservar autonomia e contribuir para um envelhecimento com mais qualidade de vida."