QUEDA DE CABELO

Transplante capilar não tem idade certa

Fator para determinar procedimento não é a idade cronológica do paciente, mas a avaliação médica sobre o estágio da alopecia e da estabilidade da perda capilar

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A busca pelo transplante capilar tem crescido significativamente nos últimos anos, especialmente entre homens jovens. Com a popularização das técnicas modernas e a maior exposição nas redes sociais, muitos pacientes passaram a enxergar o procedimento como uma solução rápida para a queda de cabelo. No entanto, especialistas alertam que a decisão de realizar o transplante não deve ser baseada apenas na idade.

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Segundo o cirurgião capilar Daniel Amadeu, a ideia de uma idade ideal para o procedimento é um equívoco comum. O fator determinante não é a idade cronológica do paciente, mas sim a avaliação médica detalhada do estágio da alopecia e da estabilidade da perda capilar.

“A pergunta mais comum no consultório é se existe uma idade certa para fazer o transplante capilar. Na prática, o que realmente importa é o momento correto da doença. A alopecia androgenética é progressiva, então operar muito cedo, sem planejamento, pode gerar resultados artificiais ao longo dos anos”, explica o especialista.

De acordo com o médico, pacientes muito jovens — especialmente abaixo dos 21 a 23 anos — ainda podem apresentar um padrão de queda instável, o que exige cautela na indicação cirúrgica. Nesses casos, a progressão da alopecia pode continuar mesmo após o transplante, afetando os fios naturais ao redor da área implantada.

“Um transplante capilar é um procedimento definitivo. Por isso, antes da cirurgia é fundamental entender como aquela perda capilar pode evoluir ao longo da vida do paciente. O planejamento precisa considerar não apenas o resultado imediato, mas também como esse cabelo estará aos 40 ou 50 anos”, afirma Daniel.

Entre os critérios mais importantes para indicar o procedimento estão o diagnóstico correto da alopecia, a estabilidade da queda, a qualidade da área doadora e a proporção entre a área que receberá os enxertos e a região de onde os fios serão retirados.

“O transplante não cria novos fios, ele redistribui folículos. Por isso, a análise da área doadora é decisiva para garantir um resultado natural e duradouro”, destaca.

Outro movimento observado nos consultórios é o aumento da procura entre homens de 20 a 35 anos. Para o especialista, fatores culturais e tecnológicos ajudam a explicar esse fenômeno.

“Hoje existe uma valorização muito maior da imagem pessoal. Redes sociais, câmeras de alta definição e a exposição constante fazem com que a perda capilar seja percebida mais cedo e impacte diretamente a autoestima”, diz.

Além do crescimento entre homens jovens, o transplante capilar feminino também tem ganhado espaço. Durante muito tempo, acreditava-se que mulheres não eram boas candidatas ao procedimento, principalmente devido ao padrão de queda mais difuso. Com avanços no diagnóstico e nas técnicas cirúrgicas, esse cenário começou a mudar.

“Mulheres bem selecionadas podem ter resultados excelentes com transplante capilar. O ponto central é o diagnóstico correto e a avaliação cuidadosa da área doadora”, explica o médico.

O procedimento pode ser indicado, por exemplo, em casos de alopecia androgenética feminina com boa área doadora, alopecia por tração estabilizada, correção de cicatrizes ou reconstrução de sobrancelhas em situações específicas.

Por outro lado, o transplante não é recomendado quando a queda capilar ainda não foi corretamente diagnosticada ou quando não existe uma área doadora adequada.

Para o especialista, o principal erro é tratar o transplante como uma decisão baseada apenas na idade ou na urgência estética.

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“Um bom transplante começa muito antes da cirurgia. Ele depende de diagnóstico, estratégia e planejamento de longo prazo. Quando bem indicado, pode transformar a autoestima do paciente. Quando feito sem critério, pode gerar frustração e resultados difíceis de corrigir”, conta Daniel.

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