BIOMARCADOR

Exame de apolipoproteína (a) pode ser decisivo na saúde do coração

Dosagem da Lp (a) deve ser feita pelo menos uma vez na vida, segundo Diretriz de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose

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As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no mundo. Entre os fatores de risco para essas condições estão o colesterol ruim (LDL), a hipertensão, o diabetes, o tabagismo, o sedentarismo e a obesidade. Mais recentemente, um novo biomarcador tem ganhado atenção da comunidade científica: a lipoproteína(a) ou Lp(a).

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Globalmente, estima-se que uma em cada cinco pessoas apresente níveis elevados de Lp (a) no sangue, mas, como não há sintomas relacionados, muitos desconhecem esses índices. Inclusive, é possível ter Lp (a) elevada mesmo mantendo um estilo de vida saudável e com os demais fatores de risco cardiovascular sob controle.

A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda que a Lp (a) seja dosada pelo menos uma vez na vida, por meio de exame de sangue.

Na dúvida, é fundamental conversar com o médico, especialmente em casos de histórico familiar ou pessoal de doença cardíaca precoce — antes dos 45 anos para homens e antes dos 55 anos para mulheres —, histórico familiar de Lp (a) elevada ou diagnóstico de hipercolesterolemia familiar (HF), condição hereditária em que o organismo apresenta altas quantidades de colesterol ruim (LDL).

O que é a Lp (a)?

“A Lp (a) é uma partícula semelhante ao LDL, porém acrescida de uma proteína chamada apolipoproteína(a), que a torna mais aterogênica e inflamatória. Diferentemente do colesterol, os níveis de Lp(a) são predominantemente determinados pela genética, manifestam-se ainda na infância e permanecem estáveis ao longo da vida”, esclarece o cardiologista Raul Santos, pesquisador do Hospital Israelita Albert Einstein, diretor da Unidade Clínica de Lípides do InCor - HC-FMUSP e professor associado no Departamento de Cardiopneumologia da Faculdade de Medicina da USP.

“Quando observamos alterações importantes no perfil lipídico, especialmente LDL persistentemente elevado, é fundamental investigar a possibilidade de dislipidemia genética. Muitas dessas condições são silenciosas e só são identificadas por meio de exames laboratoriais associados à avaliação da história familiar. A elevação da Lp(a) é uma condição geneticamente herdada e que também pode estar presente nesses casos”, complementa a endocrinologista e diretora de análises clínicas na Dasa, Maria Helane Gurgel.

 

Ação no organismo

A Lp (a) pode se acumular nas paredes dos vasos sanguíneos, assim como o LDL. Essas placas de gordura podem reduzir o fluxo sanguíneo para o coração e cérebro.

Segundo o médico, “esses depósitos podem crescer ao longo do tempo ou se romper repentinamente, bloqueando os vasos sanguíneos e levando a um infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC)”. Além disso, pode levar também à calcificação da válvula aórtica, uma doença frequente em pessoas idosas.

Dados na população brasileira

Uma pesquisa realizada pela farmacêutica Novartis com a Dasa  analisou os níveis de Lp (a) em 115 mil pessoas de todas as regiões do país, utilizando dados de exames realizados entre 2016 e 2019. Cerca de 18% dos indivíduos apresentaram níveis elevados de Lp (a), acima de 50 mg/dL (ou 150 nmol/L), faixa considerada de alto risco cardiovascular.

A maioria dos participantes do estudo era mulher (61%), e elas apresentaram níveis médios de Lp (a) mais altos que os homens (13,90 mg/dL e 11,58 mg/dL, respectivamente). A mediana de idade dos participantes foi de 44 anos, abrangendo uma ampla faixa etária.

Segundo o cardiologista, “esses dados oferecem informações relevantes para auxiliar médicos na identificação de pacientes que devem ser acompanhados mais de perto, permitindo intervenções precoces para reduzir o risco de complicações cardiovasculares futuras”.

O que fazer a respeito?

Embora dieta equilibrada e prática regular de exercícios físicos sejam fundamentais na prevenção das doenças cardiovasculares, essas medidas não reduzem os níveis de Lp (a).

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Atualmente, ainda não há terapias aprovadas especificamente para redução da Lp (a) com indicação direcionada a esse alvo, mas novos tratamentos estão em desenvolvimento e apresentam resultados promissores. “Enquanto essas terapias não estão disponíveis, o controle rigoroso dos demais fatores de risco — como LDL, pressão arterial e diabetes — é essencial para minimizar o risco cardiovascular”, destaca o especialista.

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