Entre a sobrevivência e a vitalidade: o desafio da longevidade
Avanços médicos garantem mais anos de vida, mas a qualidade dessa jornada depende da integração entre estilo de vida e equilíbrio metabólico
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Chegar aos 90 anos tornou-se uma realidade palpável para a população brasileira em 2026. No entanto, um paradoxo acompanha esse avanço. A medicina moderna tornou-se extremamente eficiente em evitar a morte, mas ainda luta para garantir a vitalidade.
Hoje, é perfeitamente possível que um indivíduo sofra um infarto aos 60 anos e, graças às intervenções tecnológicas, sobreviva por mais três décadas. O desafio que se impõe não é mais "quanto" tempo vivemos, mas como habitamos esses anos extras.
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Esse intervalo entre o evento clínico e o fim da vida é o que especialistas chamam de "vão da longevidade". Segundo a médica Camila Paes, da Casa Paes, a sobrevivência não deve ser confundida com saúde plena. "A medicina do século XXI nos deu o bônus do tempo, mas a manutenção da autonomia e da funcionalidade é uma construção que exige olhar para o corpo além do reparo de danos", explica.
Um dos pilares emergentes para fechar esse hiato de fragilidade é a otimização metabólica através de terapias hormonais. À medida que envelhecemos, a queda natural de hormônios essenciais contribui para a perda de massa muscular (sarcopenia), o declínio cognitivo e a redução da densidade óssea, fatores que muitas vezes tornam os anos adicionais de vida um período de limitações físicas.
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"A terapia hormonal, quando aplicada de forma personalizada e segura, atua como uma ferramenta de preservação da vitalidade. Ela ajuda a manter a estrutura que o corpo precisa para continuar ativo após um evento crítico", afirma Camila.
"Não se trata de buscar a 'juventude eterna', mas de devolver ao organismo o equilíbrio necessário para que o paciente tenha força muscular e clareza mental para desfrutar da longevidade que a medicina lhe proporcionou", complementa.
A diferença entre sobreviver e viver
O cenário atual mostra que, embora medicamentos consigam controlar doenças crônicas, eles não conseguem, sozinhos, devolver a agilidade de quem não investiu em prevenção. O "vão" entre os 60 e os 90 anos pode ser preenchido por uma rotina de polifarmácia e dependência ou por uma maturidade ativa.
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Para a médica, o segredo reside na combinação entre tecnologia médica e escolhas individuais. "O tratamento salva a vida no momento do susto, mas o autocuidado e o suporte hormonal adequado são o que dão qualidade a essa vida. Precisamos migrar da cultura do sobreviver para a cultura do viver. Chegar aos 90 anos é um triunfo da ciência, chegar bem é um triunfo do cuidado preventivo", destaca a especialista.