Sintomas de dengue podem ser confundidos com problemas bucais
Um alerta adicional ganha força para além dos sintomas mais conhecidos; sinais podem se intensificar no período pós-dengue, com a imunidade ainda comprometida
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O projeto internacional IMDC (InfoDengue-Mosqlimate Dengue Challenge), realizado em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Fundação Getúlio Vargas, estima que o Brasil poderá registrar até 1,8 milhão de casos prováveis de dengue em 2026.
O dado reforça a preocupação de especialistas com manifestações da doença que vão além da febre alta e das dores no corpo. Entre elas, estão sinais na cavidade oral, ainda pouco divulgados e frequentemente confundidos com problemas bucais comuns, que podem surgir durante a infecção e tendem a se intensificar no período pós-dengue, quando a imunidade permanece comprometida.
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Em alguns casos, é possível, mas nem sempre conhecido por todos, que manifestações bucais sejam observadas, e elas podem ser cruciais para o diagnóstico. Pacientes com dengue grave, antes conhecida como dengue hemorrágica, tendem a apresentar problemas como sangramento nas gengivas, boca seca e lesões como úlceras e hiperpigmentações (vermelhidão). Essas manifestações estão associadas à redução das plaquetas e ao aumento da permeabilidade vascular, características desse estágio da doença.
“Quem tem uma boa atenção à saúde bucal está mais apto a identificar essas alterações, que, especialmente se associadas a outros sintomas, podem indicar o início ou uma já evolução de um quadro mais grave”, explica o cirurgião-dentista e especialista em saúde coletiva da Neodent, João Piscinini.
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Ao mesmo tempo, doenças como gengivite e periodontite aumentam as chances de intensificação do processo inflamatório e sobrecarga do sistema imunológico, representando um risco maior para pacientes que já enfrentam sintomas da dengue. Isso significa que, nestes casos, ter a saúde bucal em dia, com um bom acompanhamento de um dentista, se torna um cuidado ainda mais valioso.
Na dengue clássica, como são conhecidos os quadros mais leves, os primeiros sintomas da doença incluem febre alta, dores no corpo e atrás dos olhos, vermelhidão na pele e fadiga. Nessa fase, a doença pode ser controlada com hidratação intensa e algumas medicações.
Vale lembrar que ações simples, como eliminar recipientes que possam acumular água parada, ajudam no combate à dengue.
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Cuidados após o tratamento
Para aqueles que apresentam manifestações bucais da dengue, o cuidado com a saúde bucal no pós-tratamento também é fundamental. Isso inclui visitas ao dentista para monitoramento de lesões e orientações sobre os melhores cuidados para cada paciente. “Escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia, usar fio dental diariamente, evitar traumas na mucosa oral e adotar outros cuidados pontuais que o profissional pode recomendar são práticas básicas, mas que contribuem com a recuperação da saúde bucal daqueles que passaram pela doença”, afirma João.
O cuidado com a saúde bucal é importante não apenas quando se fala de sua relação com a dengue, mas também para prevenir e controlar diversas outras doenças. Nesse contexto, os hábitos de higiene bucal são o primeiro passo, e alguns casos requerem cuidados especiais, como pacientes que utilizam próteses dentárias ou aparelhos ortodônticos convencionais.
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No caso dos aparelhos fixos, por exemplo, a limpeza adequada pode se tornar mais difícil, favorecendo o acúmulo de resíduos alimentares e a formação de placas bacterianas. Como alternativa, a dentista especialista em ortodontia da ClearCorrect, Ana Alvoledo, recomenda alinhadores ortodônticos transparentes. “Os alinhadores se destacam positivamente como uma alternativa que oferece mais conforto e facilidade na higiene. Por serem removíveis, eles facilitam a escovação e o uso do fio dental, o que reduz o acúmulo de placa nos dentes e, consequentemente, o risco de doenças”, explica.