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Estado de Minas #PRAENTENDER

Carros usados caros e zero km em falta? Entenda os motivos

Saiba como a crise de semicondutores afetou e ainda afetará por um bom tempo o mercado de automóveis e até de ônibus urbanos


29/10/2021 13:28 - atualizado 29/10/2021 14:16


O preço do carro seminovo disparou no mercado brasileiros em 2020 e a fila de espera por um zero quilômetro pode chegar a 120 dias. O motivo da alta nos preços é a falta de carros novos no mercado e isso também tem uma explicação:  a crise de desabastecimento de semicondutores no mundo.  Fizemos este vídeo #PRAENTENDER  o que está ocorrendo no mercado de automóveis e porque isso afeta até mesmo quem anda de ônibus.
 
Os semicondutores são microchips responsáveis por fazer os componentes eletrônicos do carro, como o computador de bordo, a frenagem autônoma e até a ligação entre o motor e o câmbio, funcionarem de forma correta. A matéria prima para a fabricação deles é o silício, o segundo elemento químico mais abundante no nosso planeta, presente em cerca de 28% da superfície da Terra, só perdendo para o oxigênio, que ocupa 47%. 

Porém, apenas 10 empresas são responsáveis por 72% da fabricação de semicondutores no mundo, sendo que a maioria das fábricas está na Ásia e nos Estados Unidos. No Brasil, por exemplo, só existe uma indústria fabricante de semicondutores, localizada em Porto Alegre (RS).
 

Alta na demanda durante a pandemia

Um dos fatores para a falta de semicondutores no mercado é que eles são indispensáveis em diversas tecnologias. E com o aumento das atividades de home office durante a pandemia, a quantidade de equipamentos eletrônicos produzidos foi muito maior do que em anos anteriores em todo o mundo. 

A COVID-19 começou a afetar a indústria asiática no fim de 2019 e, desde então, fez com que fábricas de automóveis ficassem muito tempo fechadas, principalmente em 2020, o que provocou um recuo significativo na produção de veículos no ano passado.

Para piorar a crise no setor, houve um incêndio em uma das maiores fábricas de semicondutores do Japão e uma estiagem histórica em Taiwan, que também afetaram a produção de semicondutores, que demandam grandes volumes de água em seu processo de fabricação. 

Número de semicondutores nos carros

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), para montar um carro podem ser necessários até 1,4 mil semicondutores. Com o aumento da demanda desses chips por outros setores, a indústria automotiva, que estava em baixa durante os primeiros meses da pandemia, deixou de ser prioridade entre os fabricantes dos microchips. Ou seja, entrou o fim da fila de compra dos semicondutores.  
O resultado disso no mercado dos carros zero km não poderia ser pior. Segundo a consultoria Alixpartners, o rombo em 2021 pode ultrapassar R$1,12 trilhão em todo o mundo. A expectativa das montadoras é que a produção se estabilize apenas no fim de 2022. 
 

Aumento no preço dos usados

Por esses motivos,  o carro usado passou a ser tão valorizado no mercado brasileiro . Segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), modelos com quatro a 10 anos de uso tiveram uma valorização média de 13% no primeiro semestre de 2021. 

Na foto: Carros estacionados em ângulo de 45°, mostrando somente a parte frontal. arte, simulando papel amassado inserida no rodapé esquerdo com os dizeres: 'O preço dos automóveis usados'
O preço do carro seminovo subiu, em média, 13% no primeiro semestre de 2021 (foto: Arte EM)

 
Ou seja, se o seu carro valia R$ 50 mil em 2020, saltou para R$ 56.500. Porém, com o aumento dos preços médios dos seminovos, o IPVA também deve subir. Se você pagava R$ 2 mil reais de IPVA em um carro de R$ 50 mil, agora passará a pagar R$ 2.260 reais. 
 

Falta de semicondutores afeta ônibus

A crise de semicondutores afeta até quem não tem carro. As empresas de ônibus, por exemplo, estão com dificuldade para atualizar suas frotas. Em BH, elas recorreram à Justiça para deixarem de realizar a substituição de parte da frota que atingiu a idade máxima de uso, que é de 10 anos.

Entre as alegações, os empresários pontuam a dificuldade para comprar veículos novos e também os prejuízos causados pela pandemia.

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