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Estado de Minas

Artista cidadão

Carioca dá voz às mulheres em Bom sucesso, inclusive à fatal Irene Adler, de Sherlock Holmes


postado em 22/09/2019 04:00 / atualizado em 20/09/2019 14:56

(foto: João Cotta/Globo)
(foto: João Cotta/Globo)

"Nunca imaginei que tivesse facilidade para fazer vozes. Cada boneca que aparece é um personagem novo"

Felipe Haiut, ator


Felipe Haiut, que se destaca como Jefferson em Bom sucesso (Globo), usa o teatro e a música para levar alento a pacientes da rede pública de saúde
 
Entrevista/Felipe Haiut

'Jefferson é muitos dentro de um só' 
Jefferson (Felipe Haiut) faz selfie com Silvana Nolasco (Ingrid Guimarães) em Bom sucesso, na Globo(foto: César Alves/Globo )
Jefferson (Felipe Haiut) faz selfie com Silvana Nolasco (Ingrid Guimarães) em Bom sucesso, na Globo (foto: César Alves/Globo )

Felipe Haiut teve que desenvolver vozes diferentes para criar as personagens femininas inventadas por Jefferson em Bom sucesso. Na novela das 19h da Globo, o funcionário da área de tecnologia da editora Prado Monteiro escondia esse talento, mas foi descoberto por Thaíssa (Yasmin Gomlevsky). Agora, é cúmplice dela, criando tutoriais para ensinar Evelyn (Mariana Molina) a ser uma mulher fatal como Irene Adler das histórias de Sherlock Holmes. Afinal, só assim a colega de trabalho conseguiu chamar a atenção de Felipe (Arthur Sales). No entanto, no meio dessa aventura, surge uma grande confusão amorosa. Na entrevista a seguir, o ator de 31 anos comenta sobre o envolvimento de Jefferson e Thaíssa na transformação de Evelyn; o trabalho vocal no folhetim global e quem serviu de inspiração no processo de composição do papel. Além disso, Felipe ressalta a importância da valorização da vida e fala da experiência em hospitais com a ONG Conexão do Bem.

Por que você acha que o Jefferson cria personagens on-line?
O Jefferson tem vida dupla. Aproveita o tempo livre na editora para observar todas aquelas pessoas. A partir da narrativa que acontece ali dentro, ele começa a criar histórias paralelas e faz isso escondido. Aparentemente, é um cara mais fechado, mas tem esse outro lado. Para mim, ele é um artista enclausurado em uma profissão muito técnica.

Na trama, Jefferson ajuda Thaíssa na missão de ensinar Evelyn a ser mais sensual. O que eles ainda vão aprontar?
A Thaíssa percebeu essa qualidade do Jeff. Então, começou a usá-lo para ensinar a colega a ser uma mulher poderosa. Aí, me meto nesse quarteto amoroso. Talvez, Jeff se apaixone pela Thaíssa ou pela Evelyn. Os quatro se envolvem em uma confusão afetiva. Tudo pode acontecer.

Qual foi a sua referência para o personagem criar tantas vozes diferentes?
Tem um canal no YouTube com uma websérie animada que se chama Girls in the house. A Rosane (Svartman, autora) se inspirou no Raony Phillips, que criou esses personagens. Então, assisti a todos os episódios. Nunca imaginei que eu tivesse facilidade para fazer vozes. Cada boneca que aparece é um personagem novo.

Como foi o processo para entender esses vários seres dentro do Jefferson?
Junto com a fonoaudióloga, fui entendendo ele a partir da criação dessas vozes. Jefferson é muitos dentro de um só. Comecei a conversar com o Felipe Cabral (colaborador da novela), que foi o responsável por esses personagens, e percebia, pelo roteiro, o que tinha pensado. Durante as preparações, a Rosane também soltou o que ela imaginava. Tenho  a principal, que é a Irene Adler. Sabia que tinha de ser sensual. A Rosane queria que fosse uma voz mais vulgar, então foi um trabalho colaborativo.

Bom sucesso fala sobre a vida por meio do aviso da morte. O que acha disso?
A novela fala de morte, mas de uma forma muito leve. Tenho lidado com a morte e com a vida ao longo dos últimos anos, pois tenho um projeto de arte dentro dos hospitais no Rio de Janeiro. Acompanho todos os avanços tecnológicos da medicina e entendo que o teatro e a música são fundamentais no processo de cura e de recuperação dos pacientes, quando estão hospitalizados. Então, é uma história que me atravessa muito.

Como funciona o seu projeto de teatro e música nos hospitais?
É um grupo chamado Conexão do Bem, nós somos uma ONG. A gente leva teatro e música para os hospitais da rede pública no Rio de Janeiro há seis anos. Por conta da novela, que se passa em Bonsucesso (bairro da Zona Norte da capital fluminense), a gente está entrando no Hospital Federal de Bonsucesso também. É um projeto principalmente de cidadania, de ocupação de espaço público. Se o hospital é um lugar de produção de saúde, ele precisa ser olhado. Todo mundo precisa prestar atenção, porque ele é de responsabilidade nossa como cidadãos. Levamos aquilo que acontece na cidade para lá. Se tiver na época de festa junina, fazemos uma; se é carnaval, também. A gente atende ainda o Hemorio, que recebe doação de sangue. Os espaços públicos precisam ser frequentados pela população, mas não são. É uma bandeira minha.

Como surgiu a ideia de montar uma ONG?
Queria achar alguma coisa que me fizesse transformar a realidade ao meu redor e, aí, juntei o útil ao agradável. Uni o que gosto de fazer, que é o teatro e a música, a serviço do social. A ideia do projeto surgiu, na verdade, na época em que fiz Malhação, entre 2011 e 2012. Estava trocando uma ideia com meus parceiros de elenco e eles falando que queriam fazer uma visita, alguma coisa que pudesse transformar. Fiz nessa época, mas depois me juntei com outros cinco artistas. (Estadão Conteúdo) 


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