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Estado de Minas

'Minhas palavras são verdade e mudança'

Intérprete de Dalila diz que o machismo precisa ser combatido em todos os lugares do mundo


postado em 09/06/2019 04:13

Alice Wegmann (Dalila) e Carmo Dalla Vecchia (Paul) são os vilões de Órfãos da terra(foto: Raquel Cunha/Globo )
Alice Wegmann (Dalila) e Carmo Dalla Vecchia (Paul) são os vilões de Órfãos da terra (foto: Raquel Cunha/Globo )
Alice Wegmann vive a primeira vilã de sua carreira em Órfãos da terra, novela das 18h da Globo. Dalila carrega as tradições da cultura árabe, mas, ao mesmo tempo, é uma jovem moderna. Aliás, a personagem traz essas características no visual, inspirado na blogueira muçulmana Dina Torkia. No entanto, não é só a aparência da antagonista que impressiona, mas também suas ações. Filha preferida de Aziz Abdallah (Herson Capri), já falecido na trama, ela foi escolhida como sua sucessora do pai e deseja se casar com Jamil (Renato Góes). Para isso, passa por cima de quem for preciso, incluindo a heroína Laila (Julia Dalavia). Na entrevista a seguir, a carioca, de 23 anos comenta sobre a responsabilidade de abordar o drama dos refugiados na trama da Globo, além de falar do estranhamento que sente a respeito da cultura árabe e sobre o machismo ser um problema universal.

É uma responsabilidade a mais Órfãos da terra falar sobre o drama dos refugiados?
É muito especial, uma responsabilidade grande. É delicado também, porque é um assunto que mexe com muita gente e poderia ser com qualquer um de nós. É difícil falar sobre todas essas questões e estamos fazendo uma novela das seis, que muitas vezes não permite ir tão fundo. Tratamos de assuntos densos da melhor forma possível para as pessoas se identificarem com as histórias e entenderem que falamos de amor, de humanidade, de empatia. Queremos recuperar esses sentimentos que estão um pouco escondidos, talvez, no Brasil.

Você não acha que esses sentimentos estão esquecidos?
Não sei se esquecidos, porque as pessoas se lembram disso em algumas horas do dia, mas acho que precisamos exercitar mais, olhar pro outro com carinho. Mas é olhar pro outro mesmo e não só para os que estão perto. A gente tem que ver os que são praticamente invisíveis.

O que você vê de diferente na cultura árabe?
O sheik se casar com várias mulheres é uma coisa que me causa estranhamento, porque é muito diferente do que a gente está acostumado aqui no Brasil. Eu luto muito pelos direitos das mulheres, acho que elas precisam ter liberdade para fazer o que quiserem. Se pegarmos as leis deles, temos debates infinitos. Mas, assim como a gente precisa pensar sobre lá, também necessitamos refletir sobre o nosso país. Não tem muito machismo aqui também? Precisa, cada vez mais, bater nessas teclas. Às vezes as pessoas falam que é ‘mimimi’, então por que ainda tem mulher morrendo? Parem de matar as mulheres!

Você acha que o machismo é diferente no mundo árabe?
Machismo é ruim em todos os lugares. É um problema universal. Por exemplo: a gente fala de vestimenta na trama. No Brasil, ainda criticam a mulher que usa short curto e salto alto. A mulher que usa burca lá, tem países que é obrigação, mas, em outros, ela pode escolher. Isso tem que ser analisado com individualidade. São regiões diferentes. Aqui no Brasil é exatamente isso. Se uma mulher é estuprada, ela é criticada pela forma como está vestida. Então, o machismo tem que ser combatido em todos os lugares do mundo.

Apesar do machismo no mundo árabe, Dalila é uma personagem transgressora, certo?
Sim. É até um pouco contraditório, porque em algum lugar a Dalila é uma mulher empoderada, digamos assim. Mas ela faz um mau uso do poder e acaba prejudicando todas as pessoas que estão à sua volta. É uma personagem que não tem empatia e é uma pessoa muito autoritária.

Dalila tem uma tatuagem que significa “vida e fogo”. O que você escreveria em sua pele?
Essas palavras descrevem muito a Dalila. Deram essa sugestão na última prova de figurino. O Gustavo Fernández, que é o nosso diretor, deu uma olhada e falou que estava faltando alguma coisa moderna que traduzisse melhor essa garota. Aí ele sugeriu essa tatuagem e eu comprei a ideia na hora. Fez toda a diferença porque quando entro em cena, olho para a tatuagem e mergulho em outra atmosfera. Já as minhas palavras são: verdade e mudança. (Estadão Conteúdo)


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