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Estado de Minas INOVAÇÃO NA SAÚDE

Pesquisador da UFMG desenvolve técnica que pode baratear testes de COVID-19

Inovação pode deixar os testes RT-PCR até 90% mais baratos, a partir do uso da técnica de pool testing


21/12/2022 17:28 - atualizado 22/12/2022 17:07
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Murilo coletando swap de nasofaringe de um paciente.
A avaliação da técnica foi feita usando 1.358 amostras de pacientes suspeitos de COVID-19 da Upa Centro-Sul, de Belo Horizonte. (foto: Arquivo pessoal)
Um pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveu uma técnica que pode deixar os testes RT-PCR para a COVID-19 — considerados “padrão-ouro” — até 90% mais baratos. Com ela, a testagem em massa, com o melhor método disponível, pode ser facilitada não só no Brasil, como nos diversos países com dificuldade de obter os insumos farmacêuticos.

A inovação consiste no uso da técnica de pool testing para detecção do coronavírus. Até 32 amostras de swab de nasofaringe — coletados com cotonetes — podem ser utilizadas para um mesmo reagente. Se o resultado for negativo, todos os testados estão liberados. Caso ele dê positivo, cada um dos participantes é testado individualmente.

Isso quer dizer que com os mesmos insumos utilizados atualmente para uma única pessoa, até 32 podem ser testadas. O pesquisador, Murilo Soares Costa, de 32 anos, explica que não é necessária uma nova coleta para os testes individuais de pools que positivarem para o vírus. “Após a coleta, nós armazenamos o swab em um meio de cultura viral, possibilitando a repetição de quantos testes forem necessários”.
 

Avaliação

A avaliação da técnica foi feita usando 1.358 amostras de pacientes suspeitos de COVID-19 da Upa Centro-Sul, de Belo Horizonte. Elas foram agrupadas em 504 pools, dos quais 333 foram detectáveis para o vírus, e 171 acusaram resultados não detectáveis.

O resultado final, que poupou o uso de 288 reagentes, indicou que 915 dos pacientes não estavam contaminados, enquanto 443 testaram positivo. Os exames foram feitos do CT-Vacinas, da UFMG.

Economia

Outro braço da pesquisa foi uma testagem dos alunos da Faculdade de Medicina da UFMG na volta das férias dos internatos. Com autocoleta das amostras pelos próprios estudantes, o método reduziu em 154 o número de reagentes necessários para os testes. O custo total, de R$ 591, teria sido da ordem de R$ 6.153 se não fosse aplicada a técnica de pool testing — uma economia de 90%.

Inovação

O mineiro de Nanuque, no Vale do Mucuri, entende que o melhor momento pra aplicar esse tipo de teste é agora. Com a prevalência mais baixa, os benefícios da inovação são máximos.

“Qualquer tipo de sinal ou sintoma do coronavírus, até mesmo uma diarreia, poderiam ser testados. Nós observamos que vai demorar para acabar essa pandemia. Teremos casos por um bom tempo, então esse momento seria o melhor pra aplicar a técnica”, comenta Murilo.

Não é necessário adquirir nenhum reagente ou máquinas novos para realizar o pool testing. O pesquisador explica que só é necessário conhecer a técnica e como aplicá-la para reduzir os custos da testagem. Um treinamento ou uma cartilha, que poderiam ser oferecidos pela própria UFMG em parceria com o SUS, na opinião do pesquisador, bastariam para difundir a inovação.

Ela já é comum em países da América do Norte, Europa, Ásia e Oceania. Mas os países que mais teriam a ganhar com ela, como os da América do Sul, Central e da África — que tem maior dificuldade de obter insumos — ainda não usam essa técnica. A avaliação do pool testing realizado pelo pesquisador da UFMG foi a primeira nessas regiões.

“Nós temos esse conhecimento para repassar. Agora falta essa articulação e interesse para popularizar a técnica”, conta Murilo. A pesquisa foi desenvolvida como seu projeto de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Infectologia e Medicina Tropical, iniciado em 2020, sob orientação do professor doutor Unaí Tupinambá.


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