Flávia Mendes, fisioterapeuta

Fisioterapeuta Flávia Mendes: 'Os pontos-gatilho podem ser latentes e causar rigidez e diminuição da amplitude do movimento. No pilates, conseguimos reverter esse quadro, reabilitando o músculo com terapias manuais, recuperando a amplitude do movimento e fortalecendo-o'

Juarez Rodrigues/EM/D.A Press

Levante a mão aquele adulto ou adolescente (cada vez mais as crianças também!) que não sente nenhuma dor ou desconforto no corpo. Certamente, serão poucos. O modo de vida atual, a velocidade imposta pela rotina desgastante e competitiva, cobranças, estresse, ansiedade, problemas no trabalho, na escola, na faculdade, na família e nos relacionamentos. Ufa! Haja motivos para que a musculatura entre em estado de tensão. 

Pensar em relaxá-la vai se tornando cada vez mais difícil, mesmo com o uso de medicamentos. Levante a mão quem, ao observar o corpo, apalpando-o, não tenha encontrado áreas doloridas, mais sensíveis e uma espécie de nódulo na musculatura? Seguramente, muitos. Sabe o que é? São os chamados pontos-gatilho ou 'trigger points', pontos dolorosos em consequência do estresse físico ou emocional, fadiga muscular, fatores nutricionais (deficiência de vitaminas) e até mesmo sapatos desgastados. 

Essas áreas de hipersensibilidade dentro dos músculos podem estar ativas ou inativas. Se ativas, provocam forte dor e limitação ao movimento, já que dificultam o músculo de se alongar e contrair, podendo também causar dor em outra região do corpo. Se inativas, podem ser descobertas apenas por meio do toque, a chamada dor localizada. 
 
 
Valéria Maria Pyramo Costa, de 57 anos, auditora aposentada desde 2021, conta que sente dores na cervical/lombar e no pulso decorrentes de postura inadequada para trabalhar e uso contínuo de notebook por mais de 25 anos. “Atualmente, existe uma preocupação maior com a postura no trabalho e, inclusive, são utilizados equipamentos e acessórios que minimizam o risco de termos dores posturais. Porém, quando iniciei minha vida profissional, não existiam essas informações”, comenta.
 

Valéria destaca que, para lidar com seus pontos-gatilho, tem o pilates como alternativa. “Ele me auxilia no reforço da musculatura e no alongamento de forma geral. Desde que pratico, sinto dores esporádicas quando preciso ficar muito tempo na mesma posição. Não uso nenhuma medicação. Já fiz fisioterapia e reeducação postural global (RPG). 

Ela diz que faz pilates – seu grande aliado – desde 2000, por indicação do ortopedista. "Na época, não era tão conhecido aqui em Belo Horizonte. Quando tenho problemas em pontos específicos, na lombar ou cervical, faço exercícios específicos para reduzir o incômodo. Caminho também diariamente, em média de 10 a 15 quilômetros. E o pilates é fundamental para meu condicionamento físico."
Valéria Maria Pyramo

Valéria Maria Pyramo Costa diz que o pilates a auxilia a reforçar a musculatura e a evitar medicamentos para dor

Jair Amaral/EM/D.A Press

AMPLITUDE Estresse, atividades repetitivas, excesso de trabalho e posições viciosas são os principais causadores de pontos-gatilho. A fisioterapeuta Flávia Mendes, proprietária do Stúdio de Pilates e Fisioterapia Flávia Mendes, enfatiza que a modalidade é o maior aliado do bem-estar, já que o corpo responde de forma muito positiva. “Os pontos-gatilho podem ser latentes e causar rigidez e diminuição da amplitude do movimento. No pilates, conseguimos reverter esse quadro, reabilitando o músculo com terapias manuais, recuperando a amplitude do movimento e fortalecendo-o por meio de exercícios específicos de alongamento, de consciência corporal, equilíbrio e com o controle da respiração.”  

A fisioterapeuta destaca que pontos-gatilho, nódulos de tensão e 'trigger points' são sinônimos, o que significa que as fibras musculares de determinado músculo ficaram comprimidas e tensas. E como eles aparecem? “Postura inadequada, seja ao usar o computador ou assistir à TV; a posição de dormir, um travesseiro alto demais ou colchão muito mole; movimentos repetitivos, quedas, batidas, acidentes (traumas musculares), estresse, treinamento físico sem supervisão de um profissional e esforço excessivo de alguma musculatura.” 

O tratamento dos pontos-gatilho envolve movimentos de qualidade obtidos por meio do pilates e também da técnica hipopressiva. “Esses dois métodos têm uma especificidade que, além do trabalho respiratório, trabalham o estiramento axial (estímulo da musculatura profunda).  

As áreas mais comuns de dor são: região cervical, trapézios, ombros, região interescapular (entre as escápulas), lombar e glúteos.  Flávia Mendes explica que é fundamental que o paciente, após a desativação do ponto-gatilho, continue o trabalho de fortalecimento, alongamento e a manutenção de uma musculatura forte, sem vícios posturais, além de praticar exercícios de relaxamento e meditação, no caso de pontos-gatilho gerados pelo estresse.  

A fisioterapeuta destaca a atuação do pilates no tratamento das dores musculares e crônicas. “Nesse caso, o ideal é fazer pilates pelo menos três vezes por semana. O resultado é satisfatório já nos primeiros meses de prática. Pilates, portanto, é a atividade física ideal para manter a coluna alinhada, corrigir a postura e evitar dores, criando a melhor sintonia do físico, com prazer e bem-estar.”