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Estado de Minas QUAL O RISCO?

Varíola dos macacos: "ficar agarradinho" é situação de risco de transmissão

Nas redes sociais, circula uma tabela de risco de transmissão criada por médicos americanos. Especialista avalia a probabilidade contágio


04/08/2022 12:15 - atualizado 04/08/2022 12:54

exame de varíola dos macacos
Especialista da UFMG aponta que a tabela minimizou o risco de contato com roupas de cama e itens de higiene (foto: Nikos Pekiaridis/NurPhoto/Direitos reservados/ Agência Brasil)

Os quase 20 mil casos de varíola dos macacos no mundo acenderam o alerta sobre a doença. Para tentar frear a transmissão da doença, especialistas do Departamento de Saúde de Chicago, cidade de Illinois, nos Estados Unidos, apontaram as principais formas de contágio pela doença. Os dados foram complicados em uma tabela que circula nas redes sociais.


No Brasil, o material foi traduzido por um infectologista e uma ONG que produz conteúdo de saúde para pessoas LGBTQIA+. Os especialistas americanos dividem as atividades em quatro escalas de risco.


Chamada de ‘maior risco’, a escala mais alta reúne duas ocasiões: o contato direto com lesões de pele, crostas e fluidos corporais. Além do contato sexual ou íntimo, ressaltando que usar a camisinha não protege contra a varíola dos macacos.


Em seguida, vem o ‘risco aumentado’. Entre as atividades estão beijar e ficar agarradinho. Também inclui dançar numa festa em um ambiente fechado com muitas pessoas sem camisa ou que não estejam completamente vestidas. 


Já no ‘risco intermediário’, estão situações como compartilhar bebidas, talheres e utensílios. Também dividir cama, toalhas e itens de higiene. Além de dançar em uma festa em um ambiente fechado, com pessoas completamente vestidas.


Por fim, dançar em ambiente externo, estar em ambiente de trabalho e experimentar roupa na loja são classificados como ‘baixo risco’. Bem como encostar na maçaneta, usar banheiros e transportes públicos. Além disso, frequentar piscina, banheiras, rios e cachoeiras também são considerados menos perigosos. A lista também inclui supermercados, bares e academia, com baixa possibilidade de contágio por meio dos  equipamentos. 

Especialista esclarece tabela

O Estado de Minas consultou a virologista e professora da UFMG Ema Kroon a respeito das informações divulgadas pelos médicos americanos. Ela explica que além do contato direto com lesões, em ambientes fechados existe o risco de transmissão por trato respiratório quando houver proximidade com pessoa infectada. 

 


“Não é uma doença transmitida pelo ar, porém dependendo da fase em que o paciente está, o vírus é encontrado no trato respiratório”, aponta. Segundo a especialista, o risco também é aumentado no manejo de objetos infectados, como roupa de cama, por exemplo. 


Nesses casos, quando são agitados no ar podem gerar a disseminação no ambiente de vírus infecciosos que poderão então infectar as pessoas, por meio do trato respiratório.Ou seja, para a professora da UFMG, a lista de itens de maior risco está falha. E deveria incluir o compartilhamento de camas, toalhas e itens de higiene. 

Mas como se proteger?

Kroon explica que, como as principais formas de disseminação da varíola dos macacos é via contato direto com lesões, com gotículas infectadas e objetos que possam gerar a circulação do vírus no ar, as formas de proteção são simples. Além de evitar tocar lesões, ela indica usar máscaras em situação de risco, higienizar as mãos e os ambientes. 


Ela também chama atenção para os trabalhadores que trabalham com manejo de roupa de cama de hotéis e hospitais, por exemplo. “Temos também que ter grande preocupação com o autoisolamento dos pacientes  e que estes pacientes não tenham contato com animais”, ressaltou. 


A respeito da transmissão via sexual, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a orientar que homens que fazem sexo com homens evitassem ter contato íntimo. A recomendação gerou uma discussão sobre a discriminação de orientações sexuais não-hetero, especialmente homens gays e bissexuais. 


Kroon destaca que a recomendação veio pelo início da situação epidemiológica, que indicou a circulação do vírus maior neste grupo.  “Porém, com o passar do tempo e a expansão do número de casos, já há relatos de outros grupos como crianças e gestantes. Desta forma, como não é uma doença sexualmente transmissível classicamente, a transmissão com certeza será ampliada para outros grupos e faixas etárias”, afirma. 


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