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Estado de Minas PANDEMIA

COVID longa afeta mais as mulheres, indica estudo

Pesquisa inédita revela que principais distúrbios incluem a perda de memória e prejuízos na fala de quem teve a doença


03/07/2022 04:00

Foto de Lúcia Willadino Braga, neurocientista, coordenadora da pesquisa e presidente do Sarah Kubitschek
(foto: Carlos Vieira/CB)

"No dia a dia, elas tiveram capacidade de planejamento, memória e fluência verbal afetadas, além de depressão e transtorno de humor"

Lúcia Willadino Braga, neurocientista, coordenadora da pesquisa e presidente do Sarah Kubitschek


A pandemia do novo coronavírus produz um número ainda incontável de outros tipos de vítimas: as que sofrem com sequelas permanentes ou transtornos provocados pela COVID-19. Pesquisa inédita no mundo revela que mulheres são mais afetadas pelas sequelas da infecção do que homens. Além disso, 91,2% das pessoas que contraíram a doença apresentam perda de memória e fadiga, enquanto 8,8% desenvolvem outras enfermidades.

O estudo Manifestações neuropsicológicas de COVID longa em pacientes brasileiros hospitalizados e não hospitalizados é coordenado pela neurocientista Lúcia Willadino Braga, presidente do Hospital Sarah Kubitschek, e foi elaborado com base no quadro de pacientes do Distrito Federal. Participaram da pesquisa 614 pessoas com algum tipo de problema decorrente da doença, mesmo após a recuperação. Nesse grupo, 73% eram mulheres e 27%, homens.

Entre elas, todas relataram perda de memória nos meses seguintes à infecção pelo novo coronavírus. "O que assusta é que você pega uma gripe e, uma semana depois, ela passa. Com a COVID-19, você sai do quadro, mas fica com a memória e toda a capacidade de planejamento muito atingida. E o planejamento está em absolutamente tudo na vida", destaca Lúcia Willadino.

A média de idade dos pacientes que participaram do levantamento era de 47 anos. Mais da metade deles eram casados, com ensino superior completo e em atividade na carreira. O perfil, segundo a neurocientista, facilitou o diagnóstico. "Eram profissionais que, antes da COVID-19, conseguiam fazer determinadas tarefas e, após a doença, ao retornarem ao trabalho, encontraram dificuldades para realizar atividades de rotina", comenta.

Serviço
A reabilitação de pacientes pós-COVID-19 na Rede Sarah é gratuita e ocorre em todas as unidades do hospital no país. Para isso, basta acessar o site www.sarah.br e clicar no painel "Reabilitação pós-covid-19". Um banner com uma lista de sequelas e distúrbios provocados pelo novo coronavírus aparecerá, com a seguinte orientação: "Para solicitar um atendimento, clique aqui". Os próximos passos são intuitivos no site.
Mulher com máscara
(foto: pixabay)

Duas perguntas para...

Lúcia Willadino Braga
neurocientista, coordenadora da pesquisa e presidente do Sarah Kubitschek 

Por que a senhora decidiu fazer esse mergulho para entender as sequelas da COVID-19?
No primeiro ano de pandemia, os pedidos de atendimento de pessoas que tiveram COVID-19 passaram a representar 30% de toda a demanda por consultas na Rede Sarah. Mas não sabíamos como tratar as pessoas. Para isso, precisávamos descobrir quem eram esses pacientes, que tipo de problema neuropsiquiátrico e neuropsicológico eles tinham e se havia alguma relação com a gravidade do quadro da COVID-19.

O que se descobriu?
Dos 614 pacientes que participaram da pesquisa, 73% eram mulheres, e isso não tem relação com o fato de a mulher cuidar melhor da saúde e procurar mais atendimento médico. As mulheres foram mais afetadas pelos problemas neuropsicológicos e neuropsiquiátricos. No dia a dia, elas tiveram capacidade de planejamento, memória e fluência verbal afetadas, além de depressão e transtornos de humor.


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