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Estado de Minas INQUÉRITO

Transferência de delegado que investigava Cemig entra na mira de CPI

Polícia Civil diz que Gabriel Ciríaco da Fonseca foi realocado a pedido; deputados querem apurar se houve pressão externa


12/10/2021 04:00 - atualizado 12/10/2021 00:36

Prédio da Cemig, na Região Centro-Sul de BH
Cemig estava na mira de delegado da Polícia Civil; ele foi transferido. Na foto, o prédio da estatal, em BH (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
A transferência do delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Gabriel Ciríaco da Fonseca, que chefiava investigação sobre possíveis irregularidades na  Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) , intriga deputados estaduais. Ciríaco dava expediente na Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor). No início deste ano, porém, ele passou a trabalhar em uma delegacia comum em Venda Nova, em Belo Horizonte.

A Cemig é alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa. Nesta quarta-feira (13/10), os componentes do comitê vão tomar o depoimento de Ciríaco. O interrogatório será secreto, e somente parlamentares e servidores do Legislativo autorizados terão acesso à sala.

O inquérito de Ciríaco trata de pontos que também estão na mira da CPI, como a venda da participação da companhia de luz na Renova, empresa de energias renováveis. Os valores da transação são considerados baixos por alguns deputados, o que levantou suspeitas. Os parlamentares têm ouvido diversos servidores e executivos da Cemig. Parte deles já havia prestado depoimento ao delegado. Segundo apurou o Estado de Minas , o ex-presidente da companhia, Cledorvino Belini, também chegou a ser chamado pela Polícia Civil.

A ideia, agora, é entender se a transferência do delegado Ciríaco foi fruto de pressões de figuras ligadas ao poder público. Segundo a PC, a mudança ocorreu a pedido do profissional "em razão da reorganização administrativa do departamento onde ele atuava". Procurada pela reportagem, a Cemig afirmou que, por ora, não vai se manifestar sobre as investigações.

CPI pede informações à Polícia, mas fracassa


Os deputados estaduais que examinam a gestão da estatal enviaram requerimento à Polícia Civil solicitando cópias de documentos que compunham a investigação conduzida pelo delegado. A resposta, porém, apontou que os materiais já haviam sido remetidos à Justiça.

O depoimento de Ciríaco pode servir, então, para que os integrantes da CPI coletem informações que, até este momento, não chegaram à Assembleia. Um dos pontos que mais chama a atenção dos parlamentares diz respeito à assinatura de uma série de contratos dispensados de licitação.

Os acordos sem concorrência também eram investigados pela Delegacia de Combate à Corrupção. Em setembro, o EM mostrou que a Cemig desembolsou  mais de R$ 1 milhão para contratar empresas que recrutam executivos no mercado . Um dos acordos culminou na posse de Reynaldo Passanezi, atual presidente.

A lista de contratos investigados pela CPI tem, no topo, o acordo com a IBM,  multinacional de tecnologia . A Cemig fechou trato de R$ 1,1 bilhão para serviços como o controle do call center que presta suporte aos consumidores. O pacto, porém, foi oficializado pouco tempo após a estatal romper acordo com a Audac, que havia vencido concorrência para controlar o atendimento telefônico.


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