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Estado de Minas PANDEMIA

Paciente é condenada a indenizar médico após pedir 'remédio do presidente'

A cloroquina, defendida por Bolsonaro, não tem comprovação científica contra a COVID-19


23/03/2021 18:31 - atualizado 24/03/2021 10:37

Bolsonaro vem adotando posicionamentos negacionistas. Entre eles, negar a gravidade do vírus, não comprar vacinas, não utilizar máscara e incentivar o uso de remédios sem eficácia comprovada(foto: Redes Sociais/Reprodução)
Bolsonaro vem adotando posicionamentos negacionistas. Entre eles, negar a gravidade do vírus, não comprar vacinas, não utilizar máscara e incentivar o uso de remédios sem eficácia comprovada (foto: Redes Sociais/Reprodução)
O juiz Guilherme de Macedo Soares, do 2º Juizado Cível de Santos, em São Paulo, condenou, nesta terça-feira (23/3), a advogada Adelaide Rossini de Jesus a indenizar um médico por exposição indevida nas redes sociais. A advogada exigiu que o médico a prescrevesse o “remédio do presidente”, se referindo à cloroquina. 
 
“Lamentavelmente o que se observa hodiernamente é a polarização política de quaisquer assuntos, notadamente em redes sociais. Não se trata mais do debate saudável de ideias, mas de ataques grotescos e recíprocos, recheados de ofensas, intolerância e ódio, fomentados diariamente por blogueiros de ambas as vertentes, que usualmente espalham as chamadas fake news”, escreveu o juiz na setença. 

Em 26 de maio de 2020, o médico estava de plantão no Hospital Ana Costa. Ele atendeu a advogada, que reclamava de frio e tosse, mas não quis fazer o teste de COVID-19.

Ao ser questionado sobre a cloroquina, o médico se recusou a prescrever a medicação por não ter comprovação científica contra o novo coronavírus.

Quando chegou em casa, a advogada postou um relato no Facebook. No texto, ela dizia que o médico fez os exames de praxe e receitou Dipirona e Acetilcisteina.

“Insisti que assinaria o protocolo, mas queria usar o remédio do BOLSONARO”, escreveu.
 
No dia seguinte, o médico tomou conhecimento da publicação e processou a advogada.
 
"Não resta a menor dúvida de que a requerida é pessoa de ferrenha posição política, e isso transparece não apenas no teor de sua contestação, mas também nas centenas e aqui não se trata de uma hipérbole de publicações que compartilha em seu perfil no Facebook, o qual este magistrado visitou na data da prolação desta sentença, a ponto de ser inviável retroagir até a data da publicação em questão, dado o excessivo número de posts, quase em sua totalidade de cunho político", pontuou o juiz. 

Desde o início da pandemia, Bolsonaro vem adotando posicionamentos negacionistas. Entre eles, negar a gravidade do vírus, não comprar vacinas, não utilizar máscara e incentivar o uso de remédios sem eficácia comprovada.  
 


Números
 

O Brasil registrou 1.570 mortes pela COVID-19 nas últimas 24 horas e totalizou 295.685 óbitos desde o início da pandemia.

Além disso, 12.051.619 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 55.177 casos confirmados no último dia.
 
   
A média móvel nos últimos sete dias foi de 75.163 novos diagnósticos por dia. É a primeira vez na pandemia em que essa média fica acima da marca de 75 mil.

Os dados são do consórcio da imprensa. 

*Estagiária sob supervisão da subeditora Kelen Cristina


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