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Estado de Minas

Após pressão por cloroquina, Teich pede demissão do Ministério da Saúde

Ministro deixou governo antes de completar um mês no cargo; Teich teria dito que não quer manchar trajetória como médico


postado em 15/05/2020 12:08 / atualizado em 15/05/2020 13:08

(foto: MARCELO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL)
(foto: MARCELO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL)

O ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu demissão do cargo nesta sexta-feira (15), após ser convocado ao Palácio do Planalto pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Os dois tiveram divergências sobre políticas públicas em meio a pandemia de coronavírus.


A falta de entendimento sobre o protocolo do uso da hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19 seria uma das principais motivações para o pedido de demissão. Nos bastidores, Teich teria dito que não quer manchar a própria trajetória como médico para mudar um protocolo. 

Conforme apurou a colunista Denise Rothenburg, o ex-ministro chegou a desabafar com amigos que estava difícil conciliar os desejos do presidente Jair Bolsonaro — uso da cloroquina e flexibilização do isolamento, com o que é possível fazer dentro dos recursos disponíveis no país e o que preconiza a ciência.

O governo convocou uma coletiva de imprensa para a tarde desta sexta (15), a fim de explicar a saída do ministro. 
 

Pressão

O impasse começou quando Teich defendeu, na última quinta-feira (12), nas redes sociais, que o medicamento não tem eficiência comprovada e causa profundos danos colaterais. “Um alerta importante: a cloroquina é um medicamento com efeitos colaterais. Então, qualquer prescrição deve ser feita com base em avaliação médica. O paciente deve entender os riscos e assinar o “Termo de Consentimento” antes de iniciar o uso da cloroquina”, disse. 



O presidente, no entanto, insiste no uso da medicação desde o surgimento dos primeiros sintomas e promete desde o início da semana uma mudança no protocolo do uso do medicamento contra a covid-19. Mais cedo, na saída do Palácio da Alvorada, ele voltou a pressionar o ministro para a liberação do uso do remédio.

“O meu entendimento, ouvindo médicos, é que ela deve ser utilizada desde o início por parte daqueles que integram grupo de risco”, disse. "Se eu for acometido, tomo a cloroquina e ponto final. Eu que decido minha vida", disse Bolsonaro, garantindo que não faltarão médicos para receitar a substância.

Isolamento social

A cloroquina não foi o único ponto de desarmonia entre o ministro e o presidente. A defesa do isolamento social foi mais um conflito entre os dois. Na última segunda-feira (11), Teich foi surpreendido sobre com a decisão do chefe do executivo de incluir academias de ginástica, salões de beleza e barbearias no rol de atividades essenciais

Teich foi informado pelos jornalistas sobre o decreto, publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Desde o episódio, o ministro da Saúde não participou de nenhuma coletiva de imprensa diária realizada pelo Ministério da Saúde para expor as ações do enfrentamento ao novo coronavírus.




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