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Estado de Minas

Conheça perfil de Marcelo Álvaro, ministro mineiro que está na corda bamba

Em apenas 7 anos, Marcelo Álvaro Antônio saiu do posto de vereador e chegou a titular da pasta de Turismo. Investigado no esquema dos laranjas do PSL, ele agora luta para se manter no cargo


postado em 24/02/2019 06:00 / atualizado em 24/02/2019 09:12

No centro do escândalo dos laranjas do PSL, Marcelo Álvaro Antônio tem sofrido pressão inclusive de aliados, que querem sua demissão (foto: JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS/23/10/18)
No centro do escândalo dos laranjas do PSL, Marcelo Álvaro Antônio tem sofrido pressão inclusive de aliados, que querem sua demissão (foto: JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS/23/10/18)

Antes de se tornarem correligionários no PSL, ainda colegas na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro e Marcelo Álvaro Antônio mostravam afinidade na defesa de projetos como a redução da maioridade penal e a volta do voto impresso nas eleições. No final de 2017 – sem saber em qual legenda se filiaria para disputar a Presidência da República – Bolsonaro apontou Marcelo como seu escolhido para organizar seus grupos de apoio em Minas Gerais. Agora no comando do Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro está sendo pressionado a demitir o ministro mineiro do Turismo, investigado pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em esquema de candidaturas laranjas na eleição de 2018.

Os investigadores vão apurar a existência de candidatas de fachada do PSL em Minas, esquema denunciado pelo jornal Folha de S.Paulo no início deste mês. Como presidente do partido no estado, Marcelo Álvaro Antônio era responsável por decidir quais candidaturas seriam lançadas. Um valor de R$ 279 mil da verba pública de campanha do PSL foi destinado a quatro candidatas e parte do dinheiro, pelo menos R$ 85 mil, foi parar no cofre de empresas de seus assessores.

Mesmo com o grande volume de verbas repassado para campanha, as quatro candidatas tiveram juntas pouco mais de 2 mil votos. Uma delas, Cleuzenir Barboza, contou em depoimento ao Ministério Público no final do ano passado que foi coagida por dois assessores do então deputado a devolver R$ 50 mil, dos R$ 60 mil que tinha recebido para fazer campanha eleitoral. Cleuzenir se disse ameaçada pelos assessores e se mudou para Portugal no final do ano passado.

Do Barreiro à Esplanada

Filho do ex-deputado Álvaro Antônio Teixeira Dias (Arena/PP/PMDB/ PDT), Marcelo Henrique Teixeira Dias adotou o nome do pai ao ingressar na política, em 2012. A ideia era aproveitar a popularidade de seu pai na região do Barreiro (uma das maiores regionais da capital mineira, onde moram cerca de 300 mil pessoas) para conquistar votos e garantir uma vaga na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Com 9 mil votos e uma campanha defendendo a renovação no Legislativo, Marcelo Álvaro Antônio estreou na política pelo Partido Republicano Progressista (PRP) e foi o nono vereador mais votado em 2012. Ele ficou apenas dois anos na Câmara Municipal e se elegeu deputado federal em 2014, com 60 mil votos. Na campanha, não faltaram cobranças ao governo federal por verbas para ampliação do metrô até a região do Barreiro e críticas ao Estatuto da Criança e do Adolescente e ao Código Penal.

Em 2016, o então deputado tentou mudar novamente de cargo e se candidatou à Prefeitura de BH, dessa vez pelo Partido da República (PR). Com 32 mil votos (2,71% dos votos válidos), ele foi o penúltimo colocado no primeiro turno. No segundo turno declarou apoio ao candidato Alexandre Kalil e fez campanha ao lado do ex-presidente do Atlético na região de Barreiro.

No ano passado, o parlamentar mineiro ganhou visibilidade ao se transformar no principal nome de apoio do então candidato Jair Bolsonaro em Minas. Marcelo Álvaro se filiou ao PSL logo após Bolsonaro se decidir pela legenda e passou a organizar todos os eventos de campanha do correligionário no estado. Coube a ele até mesmo amenizar algumas declarações polêmicas do presidenciável durante eventos de campanha.

“O compromisso dele com a democracia é muito claro. Jair Bolsonaro é um democrata. Ele simplesmente defendeu o governo militar, que teve erros e acertos, mas que as instituições funcionaram e que a questão da segurança pública era muito melhor. Teve acertos também. E ele não defendeu a tortura”, afirmou ao ser questionado sobre posicionamentos de Bolsonaro.

O nome do deputado mineiro foi cogitado para disputar a vice-presidência após a advogada Janaína Paschoal e Luiz Philippe de Orleans e Bragança rejeitarem entrar na chapa de Bolsonaro. “Estou pronto para a missão”, afirmou. No entanto, Bolsonaro preferiu chamar um nome das Forças Armadas para concorrer como vice-presidente.

Após a eleição, Marcelo Álvaro Antônio – que se reelegeu deputado com a maior votação em Minas Gerais, mais de 230 mil votos – foi um dos parlamentares mais festejados pelo presidente e considerou o convite para a Esplanada dos Ministérios como pessoal de Bolsonaro e não uma indicação do PSL. Apesar de nunca ter apresentado qualquer proposta voltada para a área do turismo em seu mandato parlamentar, ele foi nomeado para a pasta. Aos 45 anos, o político mineiro assumiu um cargo de destaque em Brasília.

Disputas no PSL

Passada a festa da eleição, o parlamentar mineiro foi alvo de ataques dentro do próprio partido. A primeira crise partiu do deputado Alexandre Frota (PSL), que o acusou de nomear para a equipe de transição um “petista” e “lobista do setor de medicamentos”. O ex-ator fez postagens nas redes sociais atacando o correligionário. Marcelo  rebateu também por meio das redes sociais e cobrou que Frota divulgasse sua resposta em suas redes.

”Frota, dizer que uma pessoa é petista por ela aparecer ao lado da ex-presidente Dilma em um evento do Pronatec, sendo essa pessoa dona de uma empresa de tecnologia, em um evento institucional? Senhor Frota, serei o primeiro a colaborar para que o governo Jair Bolsonaro seja ético e com muita transparência. Peço que o senhor publique minha resposta e aguardo o senhor me enviar todos os elementos de sua denúncia sobre o lobby (no setor de medicamentos)”, rebateu o mineiro. Foi preciso que o presidente entrasse no meio da disputa e pedisse moderação aos deputados.

Nessa semana, a deputada Janaína Pachoal (PSL) defendeu que o ministro do Turismo seja afastado do cargo por causa do suposto esquema de candidaturas laranjas. Em suas redes sociais, a parlamentar avaliou que retirá-lo do cargo não significaria reconhecer sua culpa, mas garantiria a ele a chance de dar explicações sobre as investigações. “Diante dos relatos que não param de surgir, assombrando a eleição do ministro, penso que seria prudente afastá-lo, para que ele tenha melhores condições de comprovar sua inocência”, afirmou Janaína.

Procurado pela reportagem, o ministro não atendeu às ligações, mas por meio de suas redes sociais negou que houve esquema de candidaturas laranjas em Minas e agradeceu a confiança do presidente Bolsonaro, que o manteve no cargo apesar da pressão dentro do próprio partido. “Obrigado pela confiança, presidente Jair Bolsonaro! Apesar de tentativas como a da foice de SP de atingir o governo, seguimos fortes no propósito de transformar o turismo no próximo vetor de desenvolvimento do Brasil”, disse.


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