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Estado de Minas POLÍTICA

Em vídeo, filho de Bolsonaro: 'Basta um soldado e um cabo para fechar o Supremo Tribunal Federal'

'Se alguém falou em fechar o STF precisa consultar um psiquiatra', diz o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) ao afirmar desconhecer o vídeo em que seu filho Eduardo Bolsonaro faz declarações contra o STF


postado em 21/10/2018 14:12 / atualizado em 21/10/2018 17:00

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e parlamentar que teve o maior número de  votos na eleição, disse que "para fechar o STF basta um cabo e um soldado". Em tom de ameaça, durante uma palestra antes do primeiro turno das eleições, o deputado dissse que "se o STF impugnar a candidatura do pai “terá que pagar para ver o que acontece. Será que eles vão ter essa força mesmo?" O vídeo, que teria sido gravado no último dia 10 de julho numa palestra, circula nas redes sociais.

 

Em entrevista no início da tarde deste domingo, 21, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) disse desconhecer o vídeo em que seu filho Eduardo Bolsonaro diz que "basta um soldado e um cabo para fechar o Supremo Tribunal Federal". 


"Isso não existe, falar em fechar o STF. Se alguém falou em fechar o STF precisa consultar um psiquiatra", afirmou o candidato, em coletiva na casa do empresário Paulo Marinho, onde grava vídeos para seu programa eleitoral. "Desconheço esse vídeo. Duvido. Alguém tirou de contexto."


Bolsonaro falou também sobre as manifestações em favor de sua candidatura que ocorreram na manhã deste domingo em diversas cidades do País. "Está havendo hoje manifestação em todo o Brasil; assim como houve no domingo anterior ao primeiro turno", disse. 

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso usou as redes sociais neste domingo, 21, para criticar declarações do filho de Jair Bolsonaro. "As declarações merecem repúdio dos democratas. Prega a ação direta, ameaça o STF", escreveu o ex-presidenete na tarde de hoje em seu Twitter.

"Não apoio chicanas contra os vencedores, mas estas cruzaram a linha, cheiram a fascismo", afirmou Fernando Henrique. "Têm meu repúdio, como quaisquer outras, de qualquer partido, contra leis, a Constituição", conclui na mensagem.

O candidato do PT, Fernando Haddad, reagiu ao vídeo e classificou a família de Bolsonaro como 'grupo de milicianos'. O candidato derrotado à Presidência da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, afirmou, também no Twitter, que o vídeo de Eduardo Bolsonaro "mostra bem o descompromisso dessa turma com a democracia". "Aos setores do Judiciário que impulsionaram a onda antidemocrática no País fica o dito espanhol: 'cria cuervos y te sacarán los ojos'", acrescentou ele.

Filho do candidato do PSL à presidência da República, Eduardo Bolsonaro disse que 'Basta um soldado e um cabo para fechar o STF'(foto: Reprodução/Youtube)
Filho do candidato do PSL à presidência da República, Eduardo Bolsonaro disse que 'Basta um soldado e um cabo para fechar o STF' (foto: Reprodução/Youtube)


Em nota assinada por seu presidente, Claudio Lamachia, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aponta 'desafio' na 'preservação dos valores da democracia' e ressalta a importância do Supremo Tribunal Federal (STF), com 'papel fundamental' no enfrentamento da crise no país. A entidade ainda afirmou que 'é obrigação do Estado defender o STF'.

Leia a íntegra da nota da OAB

 

"Prestes a ser encerrado mais um processo eleitoral, no mais longevo período democrático da história do Brasil, o desafio que se coloca é a preservação dos valores da democracia e da República.

A separação entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário é condição para a existência do Estado de Direito e é uma forma de prevenir e coibir equívocos e erros cometidos pelo Estado. Sem separação entre os Poderes também não é possível haver a transparência que a sociedade exige dos agentes públicos.

A Ordem dos Advogados do Brasil, maior entidade da sociedade civil brasileira, chama atenção para a necessidade de serem rejeitadas as propostas que visem a minar o funcionamento das instituições da República, a negar vigência à atual Constituição Federal e a cassar direitos individuais fundamentais, como habeas corpus e sigilo profissional.

Chamamos atenção, especialmente, para o papel fundamental que o Supremo Tribunal Federal tem cumprido neste momento de crise. O mais importante tribunal do país tem usado a Constituição como guia para enfrentar os difíceis problemas que lhe são colocados, da forma como deve ser. É obrigação do Estado defender o STF."


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