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Estado de Minas

Em BH, Temer anuncia trégua com caminhoneiros e alfineta governo estadual

Segundo o presidente Temer, maior parte dos impostos sobre os combustíveis é de natureza estadual. Pimentel criticou política nacional sobre preço do petróleo


postado em 24/05/2018 23:41 / atualizado em 25/05/2018 00:07

 

O presidente Michel Temer (MDB) anunciou na noite desta quinta-feira (24), em evento na capital mineira para comemorar o Dia da Indústria, que vai propor aos secretários estaduais da Fazenda a redução do ICMS sobre os combustíveis. 


Ao falar sobre possível trégua com caminhoneiros para acabar com a greve, Temer afirmou que uma negociação com os secretários estaduais deve permitir atender a demandas para diminuir o preço dos combustíveis.

“Quero dar aqui uma boa notícia. Acabo de receber a notícia que, depois de três dias de negociações referentemente a essa questão dos caminhoneiros, está sendo anunciado pelo chefe da Casa Civil um pré-acordo feito com todas as categorias e será levado à assembleia geral. Espero que até amanhã essa questão esteja solucionada”, disse Temer.

A declaração foi dada durante cerimônia de transmissão do mandato do atual presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado, para o presidente eleito Flávio Roscoe Nogueira, que presidirá a entidade pelos próximos quatro anos.

“Uma das principais fontes desse acordo está na redução do PIS, Cofins e Cide. Amanhã convidamos os secretários estaduais da Fazenda, porque a incidência maior do tributo (sobre combustíveis) é de natureza estadual, é o ICMS”, afirmou Temer, sendo muito aplaudido pelos empresários.

 

Farpas 

 

A fala gerou constrangimento com o governador Fernando Pimentel (PT), que momentos antes havia discursado cobrando do governo federal medidas para solucionar a crise. Antes, os dois passaram grande parte do evento trocando conversas ao pé do ouvido.

“Tenho que falar da crise que hoje paralisa o país provocada pelo movimento dos caminhoneiros. Há de convir vossa excelência, presidente Temer, que o aumento do preço dos combustíveis em mais de 50% em período inferior a 12 meses é incompatível com o nível de preços gerais da economia. A alegada correção de práticas passadas não pode e não deve ser suporte para uma política de preços tão descolada da realidade quanto essa assumida pela Petrobras”, disse o governador.

 

(foto: Marcos Vieira/EM/DA Press)
(foto: Marcos Vieira/EM/DA Press)


Pimentel criticou ainda o presidente da Petrobras Pedro Parente e a política da estatal sobre os preços do petróleo. “A recente reação do presidente da nossa estatal do petróleo, ao dizer que seria inaceitável qualquer mudança nessa política, visivelmente equivocada, desrespeita não só a hierarquia já que o presidente da República é o senhor e não ele, mas principalmente a lógica econômica dos empresários e trabalhadores brasileiros”, alfinetou Pimentel.

 

Ao deixar a cerimônia, Temer fez um breve pronunciamento à imprensa afirmando que voltaria para Brasília para dar seguimento às negociações para o fim da greve. Ele não responder perguntas dos jornalistas. 

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