Quem é o rei dos vetos na Câmara Municipal de Belo Horizonte? Diante da pergunta, muitos assessores do Legislativo municipal apostaram em Iran Barbosa (PMDB), um dos mais ferrenhos opositores do prefeito Marcio Lacerda (PSB), sempre contrário a tudo que vem do Executivo, ou no vereador Paulinho Motorista, que foi quem mais reclamou ao longo da semana da quantidade de projetos de lei vetados. Nada disso. O campeão de propostas barradas em 2011 por Lacerda é um de seus aliados na Câmara, o vereador Adriano Ventura. Filiado ao PT, radialista e ligado ao movimento católico de renovação carismática, o vereador, que exerce seu primeiro mandato, foi o autor de oito dos projetos vetados no ano passado pelo prefeito.
O segundo e o terceiro vereadores com o maior número de vetos também são da base de goveno: Preto do Sacolão (PMDB) e Alberto Rodrigues (PV). Todos os outros parlamentares tiveram pelo menos um projeto barrado no ano. Só escapou da caneta do prefeito o líder do governo, Tarcísio Caixeta (PT), que defende Lacerda com fervor no plenário até mesmo contra seus companheiros de partido, já que nem todos os integrantes da sigla têm simpatia pela administração municipal. Isso no ano passado, porque neste, um projeto de Caixeta que alterava nome de uma rua foi vetado, embora não possa ser contabilizado na sua conta: segundo reclamou em plenário Wagner Messias (DEM), a proposta foi elaborada, na verdade, pelo suplente de vereador Betinho Duarte (PSB) e assumida pelo líder do governo.
Mesma sorte não tiveram os vice-líderes Bruno Miranda (PDT) e Daniel Nepomuceno (PSB), todos com quatro projetos barrados pelo Executivo. Miranda disse que os vetos fazem parte do processo legislativo e que, na maioria das vezes, eles foram efeito de problemas na elaboração das propostas ou do fato de algumas delas não serem de competência do Legislativo. O vereador também argumenta que a produção dos parlamentares foi grande no ano que passou, o que explicaria o número de canetadas do chefe do Executivo contra os textos. “Lacerda é o prefeito que mais sancionou projetos da Câmara. É só olhar as estatísticas para comprovar”, garantiu.
A vereadora Neusinha Santos (PT), que acusa o prefeito de politizar os vetos, teve três matérias vetadas em 2011. Ela afirma que não havia motivos para que uma delas fosse barrada, pois foi construída com a participação do governo. O texto dispunha sobre a criação do Sistema Único de Assistência Social. No veto, Lacerda afirma que a criação desse sistema é prerrogativa do Executivo e que a proposta de lei é mera reprodução da legislação federal que rege o mesmo tema.
