Publicidade

Estado de Minas

Moradores de BH fazem manifestação para que prefeito vete reajuste de 61,8% dos vereadores


postado em 22/12/2011 07:04

Aproximadamente 200 pessoas foram para a porta da prefeitura, na Avenida Afonso Pena, protestar contra o salário que os vereadores aprovaram para vigorar a partir de 2013(foto: Marcos Michelin/EM/D.A/Press)
Aproximadamente 200 pessoas foram para a porta da prefeitura, na Avenida Afonso Pena, protestar contra o salário que os vereadores aprovaram para vigorar a partir de 2013 (foto: Marcos Michelin/EM/D.A/Press)
Do mundo virtual para o real. Mobilizados pelas redes sociais, cerca de 200 estudantes, sindicalistas e integrantes de entidades da sociedade civil passaram a manhã de ontem na porta da Prefeitura de Belo Horizonte em protesto contra o aumento de 61,8% no salários dos vereadores da capital a partir de 2013. Eles apelaram ao prefeito Marcio Lacerda (PSB) para que vete o projeto de lei aprovado na sexta-feira. Munidos de faixas, cartazes, apitos e cornetas, os manifestantes ganharam adesão de vários pedestres e motoristas que passavam pela Avenida Afonso Pena – mas também a reclamação de alguns pelo engarrafamento causado pela presença deles na principal avenida da cidade.

Teve de tudo na manifestação. Desde pessoas com a máscara do personagem principal do filme V de vingança – que retrata a história de um defensor da liberdade, disposto a se vingar daqueles que o desfiguraram, até alguns que não se furtaram a deitar no chão com os olhos vendados com panos brancos manchados de vermelho, lembrando sangue. Um cartaz ao lado dizia: “Estão furando os nossos olhos”. Outras frases de efeito eram ecoadas pelos manifestantes, como: “Lacerda, o senhor tem caráter? Então diga não ao aumento dos salários dos vereadores”, “Eleitor, cobrai-vos em 2012. Eles não sabem o que votam” e “Da Câmara eu abro mão. Quero é saúde, moradia e educação”.

Cecília Reis Aquino, estudante do 7º período do curso de ciências do estado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e uma das organizadoras da manifestação, espera que o evento seja capaz de mostrar aos vereadores e ao prefeito Marcio Lacerda a indignação da população com o aumento salarial para os parlamentares. O movimento ainda planeja organizar um abaixo-assinado para entregar ao prefeito. “A população tem que ter uma tomada de consciência. As pessoas não sabem o poder que têm”, argumentou.

O protesto ganhou o aplauso do aposentado Luiz Siqueira Neto, de 79 anos. “É um absurdo. O povo passando fome e os vereadores querendo esse salário”, reclamou. A professora Solange Mendes de Morais, de 40 anos, disse esperar que o prefeito Marcio Lacerda vete o projeto de lei, barrando o novo salário dos vereadores. “Por que não aumentam na mesma proporção os salários da saúde e educação?” A também professora Rita Tomich fez questão de cumprimentar alguns manifestantes. “Um salário de R$ 15 mil é demais. Cada um tinha que ganhar de acordo com o que trabalha”, disse.

Trânsito Embora o movimento tenha sido pacífico, o clima esquentou quando os manifestantes fecharam toda a pista da Afonso Pena, no sentido Mangabeiras, paralisando o trânsito. Diante da negativa aos apelos da Polícia Militar para que liberassem a passagem dos automóveis, o fluxo foi desviado para a Rua da Bahia. O protesto seguiu então para o outro lado na avenida, bloqueando todo o quarteirão entre as ruas da Bahia e Guajajaras. Depois de um acordo entre os próprios manifestantes, eles voltaram a se concentrar em apenas duas faixas da avenida.

O prefeito Marcio Lacerda disse ontem à tarde que não vai antecipar sua decisão porque “o assunto requer calma e responsabilidade". O projeto aprovado ainda tramita na Câmara Municipal para redação final. Assim que for enviado ao Executivo, o prefeito terá 15 dias para sancioná-lo ou vetá-lo. (Colaborou Jefferson da Fonseca Coutinho)

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade