
"Entendo que entre nós romperam-se os laços de confiança e respeito, essenciais à minha permanência do cargo", diz Aléxia na carta de renúncia que enviou a Zema.
Tradicionalmente, a chefia dos serviços de assistência social prestados pelo Servas cabe à primeira-dama do governador. Zema, por ser divorciado, repassou a tarefa à companheira de seu vice. Com o desembarque de Aléxia da gestão estadual, a presidência do instituto passa a ser exercida por Elizabeth Jucá, que acumulará o posto com as funções de secretária de Estado de Desenvolvimento Social.
Casada com Brant desde 2017, Aléxia Brant tornou-se presidente do Servas já no início do governo, em 2019.
"Minha gestão à frente dessa nobre Entidade pautou-se sempre, em todos os momentos, desde a tragédia de Brumadinho, às chuvas do ano de 2022, por uma conduta responsável, ética, apartidária, transparente e solidária com os mineiros mais carentes e necessitados", falou ela.
Brant perdeu equipe após se juntar a Pestana
O primeiro estremecimento entre Paulo Brant e a cúpula do governo ocorreu em março de 2020, quando servidores da segurança cobraram o cumprimento de um acordo por reposição salarial. O vice, então, optou por sair do Novo e ficou um ano e meio sem filiação partidária. No ano passado, ele se juntou ao PSDB, mas não seria candidato a nenhum cargo na eleição que se avizinha.Em agosto, contudo, figuras tucanas sugeriram que Brant fosse o candidato a vice-governador na chapa de Marcus Pestana. Zema, por sua vez, queria, para ser seu vice, Eduardo Costa, filiado ao Cidadania - partido que atua unido ao PSDB. Majoritários, os tucanos prevaleceram na queda de braço e mantiveram a chapa Pestana-Brant.
Três dias após ser anunciado na chapa de Pestana, Brant teve o gabinete desmanchado. Zema, então, recorreu ao futebol para explicar a decisão. "Nunca vi jogador do Cruzeiro entrar em campo pelo Atlético. Eu acho que é uma questão de definição e transparência", afirmou.
Na semana passada, ao participar do "EM Entrevista", podcast de Política do Estado de Minas, Brant rebateu a analogia.
"O jogo não é pelo Campeonato Brasileiro, mas de seleções. Estamos falando de Minas. Na Seleção de Minas jogam atletas de Atlético, Cruzeiro e América. O que ele (Zema) disse: qual o pecado grave desses 23 funcionários? Estão trabalhando com um cidadão que, na próxima eleição, vai apoiar outra chapa", reclamou.
"Eu não estou desalinhado com o governo. Estou desalinhado com a campanha dele. Ele confundiu, de forma grave, governo e campanha. No governo, devem caber servidores que apoiam Zema, Kalil, Pestana e Viana. O estado não é do partido", emendou.
