O dono e o comandante do barco naufragado no Lago Paranoá há uma semana devem ser indiciados por homicídio culposo. Ambos descumpriram as obrigações de evitar a superlotação do Imagination e de orientar os passageiros e tripulantes sobre o uso adequado dos equipamentos de segurança em caso de acidente, no entendimento do delegado responsável pelo caso. Baseado nos depoimentos de mais de 60 testemunhas, Adval Cardoso, chefe da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), desconfia de falta de manutenção por causa das constantes falhas mecânicas e elétricas na embarcação. Ele analisa ainda se a dona do bufê organizador da fatídica festa tem ou não culpa no excesso de gente.
Para concluir o caso, Cardoso pedirá mais 30 dias de prazo à Justiça, pois diz depender dos resultados das perícias. Os laudos, segundo ele, não ficarão prontos até o prazo inicial — 30 dias após a abertura do processo criminal —, que termina em 23 de junho. “Vamos cruzar as provas testemunhais com as provas técnicas (perícias) e definir a causa e os culpados pelo acidente. É certo que houve uma série de fatores, mas temos que medir o peso de cada um. Por exemplo, falam em uma rachadura no fundo do barco, mas precisamos saber quando ela ocorreu e se o sobrepeso colaborou para seu agravamento”, explica.
Entre tantas suspeitas ainda não confirmadas, os investigadores dizem ter certeza da superlotação. O Imagination carregava 20% a mais de sua capacidade quando afundou, segundo eles. O barco tinha autorização da Marinha para transportar, no máximo, 92 pessoas. Mas ao menos 110 estavam a bordo, de acordo com o chefe da 10ª DP. Contrariando a legislação, havia também deficit de coletes salva-vidas, se confirmada a presença das 110 pessoas. E a maior parte do equipamento de segurança estava amarrada na estrutura da embarcação, conforme vídeo realizado por peritos mergulhadores no fundo do Lago Paranoá, onde foi parar o Imagination.
