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Estado de Minas CHECAMOS

Gráfico de "evolução de prisões arbitrárias" circula desde 2010 sem relação com o tema

Uma busca reversa pela imagem na ferramenta de pesquisa Bing levou a dois links


08/09/2021 21:09 - atualizado 08/09/2021 21:09


 

Captura de tela feita em 8 de setembro de 2021 de uma publicação no Facebook ( . / )
Captura de tela feita em 8 de setembro de 2021 de uma publicação no Facebook ( . / )
Publicações sobre uma “evolução do número de prisões arbitrárias, violações de lares e processos inconstitucionais contra conservadores” somaram mais de 21 mil interações nas redes sociais desde o último dia 6 de setembro. Para embasar essa alegação é usado um gráfico que mostraria esse crescimento ao longo do tempo. Mas a imagem utilizada pode ser encontrada na internet ao menos desde 2010 e não há qualquer indicação de que os dados no diagrama tenham a ver com o tema.


“Gráfico com a evolução do número de prisões arbitrárias, violações de lares e processos inconstitucionais contra conservadores. Vai piorar…” , afirma em um tuíte o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, que ocupou esse cargo de abril de 2019 a junho de 2020 durante o mandato do presidente Jair Bolsonaro. 

O ex-ministro replicou essa alegação em suas contas no Facebook e no Instagram . Outros usuários das redes sociais, por sua vez, compartilharam a afirmação ( 1 , 2 ).

Uma busca reversa pela imagem na ferramenta de pesquisa Bing levou a dois links: o primeiro, do Wikimedia Commons , que se define como “um repositório de arquivos de mídia que disponibiliza conteúdo educacional de domínio público e licenciado gratuitamente”

O título do arquivo indica apenas se tratar de um gráfico genérico e na própria imagem a legenda dos eixos diz, em tradução livre do inglês, “valor principal (unidades)” e “amostra” .

Ao clicar no link “File history” ( “histórico de arquivo” ) é indicado que essa imagem foi publicada no site às 21h53 de 16 de janeiro de 2010, sendo este o registro mais antigo encontrado pela equipe do Checamos.
Captura de tela feita em 8 de setembro de 2021 no site Wikimedia Commons ( . / )
Captura de tela feita em 8 de setembro de 2021 no site Wikimedia Commons ( . / )

O segundo link encontrado por meio do Bing foi o do WIKI2 Wikipedia Republished , intitulado “Gráfico de controle”. Na página há uma explicação, em inglês, de que se trata de uma “ferramenta de controle de processo estatístico usada para determinar se um processo de fabricação ou de negócios está em estado de controle” , e o mesmo gráfico é usado como ilustração.

A partir da informação do WIKI2, que informa republicar conteúdos da plataforma Wikipedia, uma busca pelo termo “Control chart” levou a uma página com os mesmos dados e imagem encontrados.

Em português, uma pesquisa apenas pela palavra “gráfico” também mostra como resultado a imagem utilizada pelo ex-ministro da Educação e viralizada nas redes.

Na comparação abaixo é possível notar que alguns elementos foram retirados da publicação compartilhada nas redes, como as frases “xbar chart for quality characteristic XXX” e “mean value (units)” . Outros detalhes, como os valores, permaneceram iguais.
Comparação feita em 8 de setembro de 2021 entre uma publicação no Twitter (E) e o gráfico no site Wikimedia Commons ( . / )
Comparação feita em 8 de setembro de 2021 entre uma publicação no Twitter (E) e o gráfico no site Wikimedia Commons ( . / )

Abraham Weintraub  havia se manifestado anteriormente em sua conta no Twitter contra a prisão do ex-deputado e presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson , autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Esse gráfico viralizou nas redes acompanhado da alegação de um suposto crescimento de prisões arbitrárias na véspera dos atos de 7 de setembro , dia da Independência do Brasil, convocados por Jair Bolsonaro. 

Em Brasília, o presidente afirmou: “Ou o chefe desse poder (STF) enquadra o seu (o ministro Alexandre de Moraes) , ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos” .

Conteúdo semelhante foi verificado pela Agência Lupa .


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