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Estado de Minas BRASÍLIA

Bolsonaro redobra ataques contra instituições e sistema eleitoral em vigor


07/09/2021 20:03 - atualizado 07/09/2021 20:07

O presidente Jair Bolsonaro redobrou nesta terça-feira (7) os ataques contra as instituições e o sistema eleitoral do Brasil, em um feriado do Dia da Independência em que ele buscou mobilizar seus apoiadores com manifestações nas principais cidades do país.

Em declínio de popularidade e envolvido em confrontos com o Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro convocou manifestações no feriado de 7 de setembro: pela manhã, o presidente discursou em Brasília, antes de viajar à tarde para São Paulo, onde, segundo a polícia, reuniu cerca de 125.000 pessoas.

"Queremos eleições limpas, democráticas, com voto auditável e contagem pública de votos. Não posso participar de uma farsa, como essa patrocinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral", o ministro Luís Roberto Barroso, declarou Bolsonaro diante de uma multidão de apoiadores na Avenida Paulista.

Há meses, Bolsonaro questiona a confiabilidade das urnas eletrônicas, usadas com sucesso desde 1996 e que lhe permitiram ganhar sucessivos mandatos como deputado federal e a presidência da República em 2018.

Suas críticas, sem fundamento, fizeram como que o STF e a justiça eleitoral abrissem investigações contra o presidente, o que inflamou ainda mais sua retórica.

- "Só Deus me tira" do poder -

Rodeado de apoiadores, Bolsonaro atacou os juízes de ambos os tribunais na terça-feira e garantiu: "Só Deus me tira" do poder.

"Só saio preso, morto ou com vitória", completou o presidente, multado pelo governo de São Paulo por não usar máscara.

Tanto em Brasília como em São Paulo, os seguidores de Bolsonaro - a maioria sem máscara - se mobilizaram levando bandeira do Brasil. Alguns gritaram lemas golpistas, como um homem que agitava um cartaz que dizia: "Intervenção cívico-militar com limpeza das instituições".

Outros criticaram os ex-presidentes petistas Luis Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, enquanto uns rezavam pelo presidente, que conta com o apoio de boa parte dos evangélicos.

"Estamos dizendo sim ao presidente e às Forças Armadas para que intervenham; são os únicos que protegem nossa liberdade. A partir deste 7 de setembro, poderão fazê-lo", declarou à AFP em São Paulo Valdivino Pereira, um metalúrgico de 52 anos.

"Não queremos brigar com poder nenhum. Mas não podemos admitir que uma pessoa turve a nossa democracia. Não podemos admitir que uma pessoa coloque em risco a nossa liberdade", declarou Bolsonaro.

"Ou o chefe desse poder (STF) enquadra o seu (o ministro Alexandre de Moraes), ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos", completou.

- Milhares em Copacabana -

Milhares de pessoas também se reuniram na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Em São Paulo, também houve uma manifestação contra o governo sob o lema "Fora Bolsonaro", que segundo a polícia reuniu cerca de 25.000 pessoas.

No fim da tarde, foram ouvidos panelaços contra Bolsonaro em alguns bairros de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Na véspera, centenas de manifestantes se reuniram na região central de Brasília. Depois de furar o bloqueio policial, muitos deles entraram com caminhões e outros veículos na Esplanada dos Ministérios.

O rumo das mobilizações é incerto e monopolizou o debate público no Brasil, com alertas para evitar algo semelhante à invasão do Capitólio dos Estados Unidos em janeiro por partidários do então presidente Donald Trump. O dia, porém, correu sem incidentes.

- Retórica autoritária -

Bolsonaro afirmou nos últimos dias que esperava mobilizações massivas para enviar um ultimato aos magistrados da mais alta corte. O presidente chegou a citar a presença de "dois milhões" de pessoas em São Paulo.

O dia de manifestações "não fortalece ou enfraquece Bolsonaro. Mas o presidente parece já não possuir a ambição de vencer (as eleições) de maneira legítima. Me parece muito mais provável haver uma estrategia para ignorar uma provável derrota, e acho que essas estrategias agora de mobilizar seus seguidores precisam ser analisadas nesse contexto", explicou Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

Seu índice de popularidade caiu para 24% em julho, seu nível mais baixo desde que assumiu o poder em 2019, especialmente devido a seu modo de enfrentar a pandemia que já deixou mais de 580 mil mortos e a uma crise econômica que atinge o bolso dos brasileiros.

Para Maurício Santoro, professor de Ciência Política da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é a primeira vez desde a redemocratização que "vivemos algo assim", "semelhante ao que vimos em países como Hungria, Polônia, Venezuela e nos Estados Unidos sob Trump". "É uma retórica autoritária que enfraquece a democracia por dentro".

Segundo as pesquisas mais recentes, Bolsonaro seria derrotado nas eleições em 2022 pelo ex-presidente Lula, que ainda não confirmou que será candidato.


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